300 header

É, eu vi….

que bom….

Clica no ‘mais’ pra saber como foi…

ou não…

Recomendação do Sorg

Então, crianças, aproveitando que inaugurou um cinema na roça onde me escondo, fui lá conferir a pipoca as acomodações e como não tinha nada melhor pra assistir (filme da Sininho e da Mary Poppins não rolam…) encarei o 600, que é o 300 x 2 (hã, hã hã?) sentado em uma confortável poltrona reclinável de frente pro telão me entupindo de pipoca e refrigerante. Cinema novinho, poltrona larga, refri gelado, tudo tão bom que ficaria feliz assistindo até a uma encenação dos contos do Moe.

Mas para minha sorte não era um filme sobre a obra literária (hua hua hua) do menino Moe, era o 300 de Esparta 2, o filme do Leônidas em sua versão 2.0. Quer dizer, não era o filme do Leônidas porque ele morreu no primeiro filme, mas então esse é o filme do Xerxes, né?

Nâo. O Rodrigo Santoro mal aparece no filme.

Ué, então me explica essa porra, Bátima!!!!

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Bom, o filme concentra-se na figura do general grego Themístocles (Sullivan Stapleton), que anos antes conseguira repelir a primeira invasão persa na batalha de Marathona. No filme o próprio Themístocles mata o então rei persa Dadá Dario I, o que abre caminho para a ascensão ao trono do filho de Dario, Xerxes (Rodrigo Santoro), que assim como o Moe é só um menino e só se torna um Deus-Rei-e-destaque-de-escola-de-samba com a ajuda de Arthemísia (Eva Green), uma grega que luta pelos persas e é guerreira tão habilidosa que se torna Comandante de toda a frota persa, a maior do mundo na época.

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Querendo vingar a morte do pai e sob influência de Arthemísia (que tem seus próprios motivos para liquidar com sua terra natal) inicia-se a segunda invasão persa, dessa vez sob comando de Xerxes, e é nessa época que se dá o embate entre ele e o espartano Leônidas, já visto no primeiro filme. Então ambos os filmes ocorrem na mesma época, só que o segundo tem como foco uma outra frente de batalha, a naval, em que Arthemísia e Themístocles medem forças (e trepam gostoso também) como comandantes de suas esquadras.

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Basicamente o enredo do filme é esse, uma batalha naval no tempo em que os barcos eram movidos por escravos e remos.

Agora o filme em si….

Bem…

Vejamos…

Olha…

É uma merda.

Explico:

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Lembra do primeiro filme, com aquela fotografia escura e grandes planos abertos, o céu sempre carregado como prenúncio de morte e desgraça? Aqueles rostos sempre tensos, os closes nos rostos de personagens com aquela cara de quem estão na iminência de ter uma crise nervosa?

Então…

Multiplica isso por 10. Chega perto do que é o novo filme, mesmo nas – poucas – cenas diurnas quase não tem Sol, o filme é escuro, dark, Dadarqui. Manu.

Saca a violência visceral do primeiro? Espadas faiscando quando batiam umas contra as outras, homens se jogando à batalha com fúria animalesca, gritos e ranger de dentes a torto e a direito?

Mulitplica isso por 20. E eu estou sendo modesto. Não, na boa, a coisa chega a ser grotesca. Closes em membros sendo extirpados, time lapse de sangue jorrando na tela com crânios sendo abertos a espadada e sangue, muito sangue, o filme inteiro tem um tom de sangue escorrendo pelas cenas. São duas horas de litros e litros de suco de groselha espirrando pelos quatro cantos da tela. Não que eu queira ser conservador na questão da violência, mas sabe quando a coisa te passa a impressão de ser gratuita e feita só pra chocar quem dificilmente se chocaria com esse tipo de coisa? Tudo muito exagerado, e quando se exagera demais corre-se o sério risco de cair no caricatural e na galhofa, e de virar motivo de riso, como aqueles filmes B dos anos 80.

Ah, lembra do sexo do primeiro filme? Sim, porque aqueles corpos saradões de peitos nus e as mulheres espartanas seminuas exalavam sensualidade, né?

No segundo a coisa beira a putaria. Quando o filme não tem sangue tem peitinhos, masculinos (muito mais) e femininos (infelizmente muito menos). Tudo bem que os gregos não usavam armaduras, eles não eram soldados profissionais como os persas e sim cidadãos comuns recrutados às pressas para a batalha, indo para a guerra usando uma espada e um par de sandálias. Mas é engraçado ver agricultores, artesão e poetas lutando com aqueles peitos saradões moldados em academias.

Ah, e a Arthemísia (Eva Green) paga peitinhos numa cena tóóóóóórrida de séquiçu gostoso com o maior rival dela, o Themístocles (Sullivam Stapleton). É, não me pergunte como, assista ao filme pra saber.

No mais alguns clichês baratos como o filho que vai para a guerra honrar o pai e deixa de ser menino pra virar homem porque matou meia dúzia de inimigos, a viúva de Leônidas (a Cercei de Game of Thrones) dividida entre deixar os antigos inimigos Atenienses se fuderem ou lutar com eles contra os novos inimigos persas, o Xerxes sendo retratado como um bocó mimado e manipulado pela Arthemísia (como se não tivessem esculhambado o suficiente com a figura histórica do rei persa já no primeiro filme), as motivações dos gregos resumem-se ao clichê de “defesa dos ideais de democracia e liberdade” porque americanos adoram esse discurso falso e hipócrita, etc. E essa questão do discurso subliminar, que nem é tão subliminar assim, me faz pensar porque o rei persa é tão ridicularizado e diminuído em sua importância histórica, afinal a antiga Pérsia é hoje o Estado Islâmico do Irã. Apesar da religião muçulmana só ter nascido uns mil anos depois da guerra entre gregos e persas, a forma como os persas e Xerxes são retratados e o fato dos descendentes deles serem os muçulmanos de hoje assim como os guardiões modernos da “democracia e da liberdade” são os americanos de hoje, dá o que pensar…

Bom, basicamente é isso, um filme sobre batalhas navais com ultra violência, sexo, sangue e muito time lapse, a mesma fórmula do primeiro filme potencializada com esteroides.

Se valeu a pena?

Ah, sei lá, minhas duas outras opções eram o filme da Mary Poppins e o da Fada Sininho.

Não,  o filme do Pelé não estava em cartaz, o que foi uma pena.

 

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