A Cerveja

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Requentar post antigo pra dizer que fez alguma coisa e não ser expulso do Baile?

PODE SIM, AMIGUINHO!!!

E como o título diz, vamos falar dela, a melhor companhia que um homem pode ter, a solução diurética de nossos problemas, nossa mais famosa bebida, a felicidade em forma líquida: a coca cola cerveja!!!!

Mas de onde vem a cerveja? Aliens a trouxeram para nós ou foram os deuses nórdicos, e quando se deu isso, como é feita, posso fazer em casa, me explica essa porra, bátema!!!

Calma, sua piranha nobre leitor, calma que eu explico.

A primeira pergunta que se deve fazer ao destrinchar um assunto é: sobre o que se trata? Afinal, o que é a cerveja?

Pois bem, como os senhores bebuns já devem saber, a cerveja é uma bebida alcoólica, formada basicamente de água, malte, lúpulo e fermentos. Água dispensa apresentação, já o malte se obtém a partir do grão amadurecido da cevada, que no ponto em que começa a germinar é secado para se obter um amido mais solúvel e com grãos ricos em enzimas necessários à fabricação. Dependendo das condições de procedência, umidade e temperatura que se faz a secagem, resultam-se maltes de diferentes cores e aromas que ajudarão a compor diferentes tipos de cervejas.

O lúpulo é uma planta trepadeira (ui!) natural de climas frios. Da planta nascem flores fêmeas que contêm resinas e óleos que, dependendo da variedade e quantidade adicionada, conferem diferentes aromas e amargor à bebida.

Já o fermento é formado por microorganismos que farão o processo de ‘quebra’ dos açúcares para transformá-los em álcool. O nome científico desses sacrossantos bichinhos é Saccharomyces Cerevisiae, mas como eu duvido que você consiga repetir esse nome três vezes sem errar, pode chamá-los de levedura.

Essa é a composição básica da cerveja, mas podem também ser introduzidos outros componentes como cereais não maltados (milho, arroz, trigo), para dar um sabor diferente à bebida, conforme a disponibilidade dos ingredientes originais ou mesmo para baratear seu custo.

Cevada e Lúpulo (verde)
Cevada e Lúpulo (verde)

Agora outro chato leitor pode perguntar: mas de onde vem essa porra?

Primeiro lave sua boca imunda antes de falar de tão sagrado líquido.

Segundo, de acordo com a Wikimerdia, desde 4.000 a.c. o homem já conhece o processo de fabricação da cerveja, ou seja, o ser humano vem se embebedando há 6.000 anos, pelo menos, deve ser por isso que dizem que deus protege os bêbados.

Sabe-se que o vinho é até mais antigo que a cerveja, conferindo a ele o título de bebida alcoólica mais antiga do mundo, mas disso vem uma explicação lógica: o vinho é uma bebida de muito mais fácil obtenção, o processo de fermentação da uva pode ocorrer naturalmente sem precisar da intervenção humana, daí que os vinhos mais arcaicos provavelmente tenham surgido de forma espontânea para só depois o homem conseguir dominar a técnica de seu fabrico. Já a cerveja não, ela é uma receita complexa que envolve vários ingredientes e variáveis. De forma rústica ela era feita pelos antigos padeiros que deixavam a cevada de molho até germinar, então a moíam e faziam ‘bolos’ em que se adicionava a levedura, pondo depois para assar. Depois de levemente assados e desfeitos, eram mergulhados em água para fermentar. Com tantos fatores como temperatura, tempo de cozimento, proporção entre os ingredientes, umidade, tempo de fermentação, etc., a fabricação da cerveja já naquela época era um processo bem mais sofisticado do que deixar uvas apodrecendo em um barril. Chupem, vinhenetes!!!!!

E ao contrário do que muita gente pensa a cerveja não era considerada bebida da plebe ou de segunda categoria, não senhor. Talvez até pelo processo mais sofisticado de obtenção, a degustação da cerveja era coisa séria e regulamentada pelas autoridades dos povos antigos. O Código de Hamurábi, conjunto de leis escritas em pedra no Império Babilônico, já normatizava em várias leis a comercialização, fabricação e consumo, incrusivis estabelecendo direitos e deveres dos bebuns frequentadores de tavernas e seus proprietários, condenando a chibatadas os comerciantes safados que aguassem ou vendessem muito caro o precioso líquido. Bons tempos….

Código de Hamurabi
Código de Hamurabi, onde foi redigida a lei: “escreveu, não leu? Pau comeu!”

No Egito antigo a bebida também era muito apreciada, conforme pode se ver em hieróglifos que retratam pessoas de várias camadas sociais se deliciando com o henket ou zythum, que também servia como ótimo presente para ser ofertado, como o fez o faraó Ramsés III ao dar aos sacerdotes do Templo de Amon quase 500.000 ânforas de cerveja, o que dá mais ou menos 1.000.000 de litros. Deve ter sido um porre fenomenal!!!

Depois desse breve relato o leitor poderia pensar que a cerveja sempre esteve no topo da preferência humana, mas infelizmente nem sempre foi assim… Com a ascensão do Império Romano o vinho passou a ser a bebida mais procurada e apreciada no mundo conhecido, em parte porque os romanos associaram a cerveja a bebida de povos bárbaros. Apesar disso há evidências de que o grande Julio Cesar era um admirador da breja. Com a invasão da ilha que é hoje a Grã Bretanha, Cesar difundiu a bebida por aquelas paragens, além da Gália (hoje França). E foi nessa época que a cerveja ganhou esse nome. Os gauleses chamaram essa bebida fermentada de “cerevisia”ou “cervisia” em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e fertilidade.

Na Idade Média a atividade de fabricação passou ser feita nos conventos pelos frades, assim como a escrita, a música, a pintura e a pedofilia. Uma das razões deles terem adotado a cerveja é que, com a prática do jejum, não podendo ingerir alimentos sólidos, uma forma de se sentirem alimentados e, digamos, mais alegres, era ingerindo cerveja, que, sendo uma bebida fermentada, dava uma sensação de saciedade e ajudava a combater os incômodos do jejum. Com o aumento dos conglomerados urbanos nos burgos surgiram os primeiros artesãos cervejeiros que trabalhavam para esses conventos e mosteiros católicos. A preservação da escrita pelos religiosos foi importante para a preservação e aperfeiçoamento das receitas e técnicas de fabricação de uma boa cerveja.

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Bebuns, com a graça de deus

A partir dessa maior urbanização das cidades foram surgindo pequenas fábricas comandadas pelos artesãos já treinados pelos religiosos pinguços, e a ligação entre cerveja e catolicismo é tão forte que até São Mungo, padroeiro de Glasgow, Escócia, criou no séc. VI uma ordem religiosa cuja principal atividade era a produção de cerveja (e por falar em cervejarias antigas a cervejaria mais antiga do mundo ainda em funcionamento é a do convento beneditino de Weihestephan, funcionando desde o ano de 1040). Outra santa (essa nem tão santinha assim) foi Santa Brígida, que ‘miraculosamente’ transformou a água do seu banho em cerveja (!?!) para que os peregrinos que foram visita-la no mosteiro tivessem o que beber (foi só eu ou mais alguém sentiu forte cheiro de putaria nessa história?). Só pra fechar, a Igreja Católica designou três santos (sim, não, um, nem dois, mas três!) como protetores da cerveja e dos cervejeiros (São Nicolau, Santo Agostinho de Hippo e São Lucas Evangelista).

Outro dado interessante é que nessa época as condições fito-sanitárias eram praticamente inexistentes, por isso era mais do que comum as pessoas beberem água contaminada e adoecerem e até morrerem. Por isso em algumas cidades era hábito se beber mais cerveja do que água porque, sendo uma bebida alcoólica, ela estava menos sujeita a ação de parasitas e outros microorganismos.

Nos tempos mais modernos os fabricantes cervejeiros sentiram a necessidade de manter uma identidade à cerveja de modo que a então comum adição de ingredientes exóticos (amoras silvestres, folhas de pinheiros e outros bagulhos) não acabasse descaracterizando a bebida. Daí, em 1516 o Duque Guilherme V da Baviera (atual Alemanha) instituiu a Reinheitsgebot, ou Lei da Pureza, para os ignorantes no idioma teutônico, que tornou ilegal a adição de outros ingredientes que não fossem água, cevada e lúpulo (naquela época não se utilizava de forma consciente as leveduras).

ou é a Lei da Pureza, ou é um atestado de que seu pai é viado desde 1516.
ou é a Lei da Pureza, ou é um atestado de que você é viado desde 1516.

Posteriormente, um grande salto dado para o aperfeiçoamento da técnica fabril foi a criação da máquina a vapor em 1765, permitindo a fabricação em larga escala. Outro salto da indústria ocorreu graças à descoberta da refrigeração artificial, aumentando em muito o tempo de conservação da cerveja.

No século seguinte os estudos de Louis Pasteur sobre o fermento e a ação dos microorganismos deram origem à técnica da pasteurização para melhor preservação dos alimentos, e foi o próprio Pasteur que orientou produtores cervejeiros a utilizarem culturas selecionadas de leveduras para fermentação do mosto (massa resultante da mistura do malte com a água) para manter uma padronização do produto final e impedir a fermentação acética, ou seja, impedir que o mosto virasse vinagre. Também foi importante a contribuição do francês para aumentar o grau de higiene das fábricas porque ele percebeu que microorganismos presentes na água, no solo e no ar poderiam contaminar o produto e muitas vezes estragavam toda a produção. Mantendo o ambiente limpo e organizado os produtores diminuíam o desperdício e mantinham a qualidade do produto final. Também estudos sobre diferentes fermentos e sua aplicação na produção fizeram aparecer diferentes tipos de cervejas, com novos aspectos, aromas e sabores.

Mas como nem tudo são flores, agora vou falar de um assunto triste: sim, um assunto chato, feio e bobo mas que marcou a produção cervejeira no mundo moderno. Eu estou falando da famigerada Lei Seca.

Compre antes que acabe!!!
Compre antes que acabe!!!

Esse nefasto instrumento legal teve vigência nos Estados Unidos de 1920 a 1933 e simplesmente acabou com as empresas que produziam, distribuíam e comercializavam bebidas alcoólicas, tornando o consumo um crime, bem como sua produção e comercialização. Motivados por movimentos religiosos de mulheres mal amadas as primeiras leis municipais e estaduais de proibição passaram a vigorar no sul dos EUA na virada do século XIX pra XX e foram ganhando corpo até que em 1919 foi promulgada a 18ª Emenda Constitucional criando a Lei Seca em âmbito federal. O resultado disso tudo a gente já sabe: gangsters, produção ilegal, corrupção, Eliot Ness, Al Capone, bebida de má qualidade, bares clandestinos e muita gente morta.

Felizmente, o presidente americano Theodore Roosevelt, vendo o tamanho da cagada e também apreciador de uma caninha, conseguiu promulgar a Emenda 21, que revogava a maldita Emenda 18. Apesar da revogação em nível federal, ainda hoje é comum municípios adotarem a Lei Seca, total ou parcialmente, embora não haja mais nenhum Estado que adote essa prática em seu território.

WE WANT BEER!!!
WE WANT BEER!!!

Após esse longo e tenebroso inverno a produção entrou nos trilhos e voltou a crescer vertiginosamente nos EUA, e como os americanos já estavam se tornando uma potência mundial, a produção do resto do mundo entrou na onda pra surfar essa prosperidade, até que a 2ª Guerra Mundial deu uma brecada na porra toda e os homens voltaram a trocar copos por armas e a derramar sangue em vez de álcool.

Lamentável, homens que preferem matar a se embebedar, essa humanidade não tem jeito…

Terminado esse também fatídico episódio, a produção mundial voltou a ir de vento em popa, sendo a Budweiser a primeira cervejaria do mundo a ultrapassar a marca de 10.000.000 de barris por ano em 1966.

E a cerveja no mundo de hoje?

Falando a grosso modo, podemos distinguir duas vertentes atuais para a produção cervejeira: a primeira e mais conhecida é a das graaaaandes cervejarias, que com suas fusões e aquisições, formou grandes conglomerados cervejeiros, que até trazem produtos mais ou menos diferenciados, mas cujo forte mesmo é a padronização e comercialização em escala global, muitas vezes mudando o rótulo e a garrafa mas com o mesmo líquido dentro sendo vendido como se fossem produtos diferentes. (Safadeza detected total!). E na sua sanha assassina insaciável as grandes têm voltado suas baterias para as cervejarias menores, recentemente o grupo inBev (eles são donos das marcas Budweiser, Skol, Brahma e Antarctica. É, não tem pra onde correr…) adquiriu também a cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto, uma das mais conceituadas cervejas artesanais do país.

Essa merda vende.
Essa merda vende.

Uma outra vertente, essa bem mais interessante na minha modesta opinião, são as pequenas cervejarias, as chamadas produtoras artesanais, tocadas geralmente por famílias e que têm, além do vínculo comercial, um vínculo afetivo e de compromisso com um produto de qualidade e realmente diferenciado, fazendo BOA cervejinha dentro de casa, o que hoje se chama de homebrewing.

No nosso querido país, por exemplo, houve recentemente um boom de pequenas e médias cervejarias Brasil afora, principalmente no Sul e Sudeste. Desde empresas maiores como a Eisenbahn de Blumenau até micro cervejarias como a Barão de Nova Friburgo ou a mineira Backer, criadora da fantástica cerveja Medieval.

Eu particularmente não bebo nenhuma das cervejas vendidas em larga escala, pra mim elas têm sérios problemas na concepção e um brutal marketing ignorante que não ajuda em nada o consumidor, pelo contrário, só o confunde com termos marqueteiros que não dizem nada ao processo de fabricação em si, como a bobagem da Antartica Sub Zero ser “duplamente filtrada” sendo que sua maior leveza não provém da quantidade de filtragens e sim da temperatura a que são realizadas, em torno de -2ºC. Praticamente todas as cervejas industriais me soam insípidas. Dizem que é para se aproximar do gosto do brasileiro médio, que gosta da bebida estupidamente gelada e meio aguada quando em comparação a cervejas de outros lugares, notadamente Europa. Das duas uma: ou brasileiro é um bocó que não sabe beber cerveja ou essa história é papo furado pra nos empurrar goela abaixo cervejas de baixa qualidade. Ou um pouco de cada, sei lá…

De qualquer modo essa porra vende pra caraio embora brasileiro não seja assim tãããão bebedor, já que cada um de nós bebe anualmente uma média de 56 litros, enquanto um alemão bebe 116 e um tcheco bebe 157 litros por ano. Apesar do fraco resultado no levantamento de copo a maior cervejaria do mundo hoje é já citado grupo AB-Inbev, belgo-brasileira, cujo valor de mercado está na ordem dos US$81.000.000.000 (oitenta e um bilhões de dólares, se você se perdeu nos zeros), seguida pela Heineken e a SABMiller.

Depois desse apanhado geral sobre o fantástico mundo das cervejas vou fazer alguns quadros começando pela classificação mais aceita dos diferentes tipos de cerveja.

Tipos de Cerveja:

Com uma história tão antiga e tão rica é natural que existam vários tipos, né mermo? Então vou falar dos principais e mais conhecidos tipos:

a) LAGERS

THREE GLASSES OF BEER

São as mais consumidas no mundo, no Brasil 99% do que é consumido é de lagers. Esse tipo é bem antigo, fabricado desde o século XIV, são de baixa fermentação com graduação alcóolica entre 4% e 5%. Tem entre seus tipos mais conhecidos a Pilsener, que leva esse nome por ter sido criada na cidade de Pilsen, República Tcheca. Daí o termo “pilsen” que vem nos rótulos das garrafas mais consumidas no país.

Os subtipos da Lager são:

a.1) Pale Lagers

Lagers claras, as mais comuns que se vê por aí, com uma infinidade de subtipos. Os mais conhecidos são a pilsner, american lager, premium, dortmunder export, lite, helles, dry beer, special e radler.

a.2) Dark Lagers

Como o nome dá a entender são escuras e também bastante comuns. Os subtipos mais encontrados são a muncher dunkel, a dark american lager, a schwarzbier e malzbier (esta na Alemanha nem é mais considerada cerveja e sim bebida energética porque o grau de álcool na composição é menos de 1% já que quase não há fermentação. A cor preta vem da adição de xarope de açúcar e caramelo, nada a ver com a tostadura do malte)

a.3) Vienna

Austríaca (dãh!) de cor avermelhada, corpo médio e sabor suave e adocicado de malte levemente queimado.

a.4) Bock

A palavra “bock” é derivada de “Einbeck”, cidade natal deste tipo de cerveja. São avermelhadas ou marrons e bem fortes.

a.5) Marzen

Produzidas na Bavária somente no mês de março especialmente para a Oktoberfest, podendo ser claras ou escuras.

a.6) Keller e Zwickel

Essas são pouco comuns, não são filtradas (portanto, turvas) e nem pasteurizadas, são servidas na pressão e não são engarrafadas. Ficam maturando de maneira exposta, ao ar livre, têm graduação alcóolica média e geralmente são bem amargas.

a.7) Malt Liquor

Lagers fortes que têm alto teor alcóolico devido à adição de açúcar ou outro ingrediente em complemento ao malte. Licorosas no paladar e não muito amargas, sendo que em alguns casos nem levam lúpulo. Também são conhecidas como Super Strenght.

b) ALES

ales

Diferem das Lagers pelo tipo de fermentação, feita em temperaturas mais altas. É um processo antigo de fabricação, o que fez com que as Ale fossem as únicas existentes até o século XIX, quando foi inventada a baixa fermentação, típica das Lager.

b.1) Pale Ales

Ales claras, com graduação alcóolica até 6%. Tem como subtipos a american pale ale, a english pale ale (english bitter), belgian pale ale, belgian blond ale, índia pale ale etc.

b.2) Amber, Brown e Red Ale

Diferenciam-se pela coloração principalmente, tem como subtipos a american amber ale, a american brown ale, a english brown ale e a red ale.

b.3) Altbier

Também conhecidas como Alt, são originárias de Dusseldorf, Alemanha. Seguem o antigo estilo de produção das Ales, mas são feitas com fermentos típicos das Ales porém fermentadas nas temperaturas das Lagers.

b.4) Scotch Ale

Quem disse que na Escócia só tem Whisky?

b.5) Saison

São belgas e têm fermentação e sabor semelhantes ao vinho (?!?)

b.6) Bière de Garde

São feitas para durarem anos, por isso são chamadas ‘cervejas de guarda’. Têm uma última fermentação já dentro da garrafa e muitas vezes são vendidas em garrafas com rolhas

b.7) Strong Ales

Engloba uma variada gama de cervejas, tanto claras como escuras. Possuem alto teor alcóolico, podendo chegar a 12%.

b.8) Belgian Strong Ales

Além de serem feitas na Bélgica possuem características distintas que as fazem cair em um agrupamento próprio. As mais conhecidas são a dubbel, tripel, quadruple (o dobro, o tripo ou o quádruplo de malte quando comparados a uma cerveja comum), gold Strong ale e dark strong ale.

b.9) Belgian Specialty Ale

São as temperadas belgas. Sim, só isso…

b.10) Kölsch

Alemã de coloração dourada, costuma ser mais doce e com menos lúpulo que suas irmãs. Em várias receitas costuma levar outros grãos como trigo. Pela regra somente cervejas produzidas em Köln (Colônia, Alemanha) podem possuir essa denominação, mas a brasileira Eisenbahn oferece uma versão Kölsch.

b.11) Weissbier

Produzida principalmente pelas grandes cervejarias alemãs, é feita a base de trigo. São claras, opacas e obviamente sobressai o sabor do trigo, embora tenha também sabores frutados, de cravo e florais. Normalmente não são filtradas e opacas, com graduação alcóolica moderada. No Brasil a Bohemia fabrica sua versão, a Bohemia Weissbier.

b.12) Stout

Cervejas negras opacas, dotadas de forte sabor de chocolate, café e malte torrado. Sua representante mais famosa é a Guinness.

b.13) Porter

Parecida com a Stout, porém, mais suave. Podem ser brown porter ou robust porter.

c) LAMBICS

lambic

Diferem das Ale e Lager por serem feitas a partir de fermentação espontânea. São feitas de trigo e não são adicionadas leveduras ao mosto, ficando a fermentação a cargo dos agentes naturais.

Trata-se de um tipo muito peculiar de cerveja, de difícil obtenção e, portanto, preço caro. Têm uma gama variada de aromas, que vão desde o frutado até o cítrico.

c.1) Lambic-Fruit

No processo de facricação, após a fermentação espontânea ter começado são adicionadas frutas inteiras, como pêssegos, framboesas e cerejas. A fermentação propriamente dita é realizada pelos microorganismos presentes dentro da fábrica. Algumas lendas dizem que as caves onde são produzidas as Lambic jamais são limpas, a fim de manter o equilíbrio original dos bolores essenciais ao caráter da cerveja que se quer produzir (eca!). Após esse processo o líquido permanece cerca de três anos maturando em barris de carvalho.

c.2) Straight/Unblended

É a Lambic pura, sem mistura de frutas, açúcares ou outras misturas de diferentes barris.

c.3) Gueuze

É uma mistura (blend) de Lambics novas (1 anos) e antigas (2 a 3 anos), retiradas de vários barris diferentes no processo de fabrico, e que são engarrafadas para uma segunda fermentação. Geralmente são servidas em garrafas estilo champagne.

c.4) Faro

É a Lambic com açúclar. Mais saborosa, leve e sem a acidez característica das outras Lambics, é o tipo mais aceito pelo mercado.

d) OUTRAS NOMENCLATURAS

d.1) Trapistas

trappist

A Ordem Trapista (ou Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância) é uma congregação religiosa católica. Seus monges seguem o princípio fundamental do ora et labora, vivendo em grande austeridade e silêncio (quem dera minha mulher fosse trapista…). Fazem votos de castidade (ainda bem que ela não é trapista…), pobreza e obediência. As cervejas fabricadas no interior dos mosteiros são feitas em pequenas quantidades e sem o propósito do lucro, mas apenas para manter o funcionamento da própria abadia e alguns serviços de caridade. Atualmente são consideradas no mundo apenas sete abadias trapistas no que tange a fabricação desse tipo de cerveja, sendo seis na Bélgica e uma na Holanda.

Algumas cervejas trapistas possuem tempo de guarda de mais de 10 anos.

d.2) Abbey (ou cervejas ‘de abadia’)

abbey

Como as trapistas não são propriamente um estilo de cerveja, levando uma categorização distinta mais pelo lugar onde são feitas, mas diferentemente das trapistas, não possuem origem controlada. Podem ser produzidas em grandes fábricas e comercializadas normalmente, desde que sua receita tenha sido originária de uma abadia, a qual pode ou não ser da ordem trapista.

d.3) Rauchbier

rauchbier

Literalmente quer dizer ‘cerveja defumada’. Pode ser de vários estilos, como Marzen e Weizen, desde que usem maltes defumados no seu preparo. Cai muito bem acompanhando baforadas de cachimbos e charutos.

d.4) Fruit Beer

fruit

Qualquer estilo de cerveja misturado com frutas ou suco de fruta. Não se confunde com as Fruit Lambics. Fruit Beer é cerveja de mocinhas (de ambos os sexos).

d.5) Temperadas – SHV

shv

São de qualquer estilo que acabam não se enquadrando no estilo original pois são temperadas com especiarias, ervas e vegetais, o que altera a fórmula original e lhes tira das características padrão de cada estilo.

d.6) Chope

chopp

Também chamado ‘Chopp’, vem da palavra alemã Schoppe, nome de uma caneca de quase meio litro. É somente uma cerveja não pasteurizada, podendo ter variações e estilos diferentes, como acontece com a própria cerveja. Por não ser pasteurizado, dura dentro do barril cerca de 10 dias, e, após aberto, não mais que 24 horas.

Ufa, coisa pra caraio, né? E você achando que cerveja era Skol Vs. Brahma Vs. Antarctica. Francamente, viu….

Agora, pra terminar (ainda bem…) vou falar de harmonização. E o que é isso? É aquela viadagem que diz qual comida combina com determinado tipo de bebida. É muito comum com vinhos mas cervejas também têm suas regrinhas de harmonização. De novo, é coisa de fresco ou de quem quer bancar o sabichão da cerveja, mas se você quer impressionar sua namorada, namorado ou amigos, vale a pena ficar por dentro.

harmonizacao

Primeiro de tudo: cervejas leves acompanham comidas leves, e cervejas fortes combinam com comidas mais pesadas. É legal observar a diferença entre Ales e Lagers: como as Ales são fermentadas em temperaturas mais altas, normalmente são mais pesadas, de sabores e aromas mais complexos, o contrário se aplicando às Lagers.

Outro ponto a ser observado: cervejas escuras requerem comidas com cores mais fortes. Cervejas escuras recebem essa cor dos maltes escuros, que normalmente têm um sabor mais tostado e mais adocicado, o que combina com os mesmos sabores das comidas assadas ou grelhadas.

Outra dica: comidas picantes pedem cervejas com mais lúpulo: o lúpulo consegue cortar bem o efeito das pimentas, por isso se sua mulher carregar o vatapá de pimenta, pegue uma cerveja bem amarga pra ajudar a descer a gororoba.

E por último, prestatenção na sequência, porra: se você vai servir um cervejal em casa com diferentes tipos da breja, é de bom tom (eihaiehahaha, adoro esse termo) começar com as mais leves, evoluindo para as mais complexas e com graduação alcoólica maior.

E pra terminar em alto estilo, fiquem com algumas fotos aleatórias que eu peguei por aí sem nenhuma intenção…

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Inté e saúde.

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