Bem pessoal retornando diretamente do Dadanûs, temos alguns post, velhos porem de qualidade. Então como diria Zeus:  Ráis Fonorgrei! E segue o Baile…

fevereiro 6th, 2013 | Posted by King in Do Baú | Quadrinhos | Vertigo

banner V Do Baú: V de Vingança

“Lembrem, lembrem o Cinco de Novembro…”

Caro(a)s, sabem quando começa a encher a paciência com as mensais mainstream? Pois é, estou naqueles dias. O pior (ou melhor, sei lá), fui reler a hq objeto deste texto… e aí começo a perceber o quanto o mais do mesmo habitual não foge a um padrão pré-estabelecido, com honrosas e raras exceções. Ainda sim, é difícil escrever sobre uma história tão famosa e cultuada por muitos, sem chover no molhado. Entretanto, como ainda não havia feito nenhuma RE com a obra do PUUÁÁÁIII, vamu que vamu

A história sobre a publicação por si só já é uma “aventura”, como bem mencionou o Sorg aqui. Inicialmente publicada em P&B pela editora britânica Warrior entre 1982 e 1985, V for Vendetta acabou cancelada com dois títulos prontos e não publicados. Três anos depois, Alan Moore e David Lloyd foram convencidos pela DC Comics a publicar a série para finalizá-la, só que agora colorida, obviamente. Com auxílio de Tony Weare (em “Valerie” e “The Vacation”) nos rabiscos e da dupla Steve Whitaker/Siobhan Dodds nas cores, finalmente o trabalho teve sua conclusão. Aqui em terra brasilis, a Panini relançou em 2012 a versão encardenada, di pRobre, mas honesta e limpinha…

 

Analisando sobre a ótica atual, podemos afirmar que a história se passa em um futuro do pretérito imperfeitoalternativo, em uma Inglaterra pós-Terceira Guerra Mundial em um mundo devastado social e economicamente pelo “apocalipse atômico”. Pelo relatado, a Grã-Bretanha passou incólume deste pesadelo por ter se livrado de seus aparatos bélicos nucleares, mas ainda sim sente os efeitos dramáticos do que ocorreu no restante do mundo.

Sabemos que o Estado inglês tornou-se totalitário com a chegada de uma partido fascista, com direito a tudo ruim a que se conhece a respeito: campos de concentração, perseguição a minorias, repressão e um povo que aceita tudo isso como algo “necessário” para a manutenção da ordem. Há uma versão do Big Brother, onde existem câmeras em todos os lugares para vigiar tudo, nada escapando do “olhar” do chamado Destino, o computador central. Curiosamente, os poderes deste estado policialesco são divididos com nomes nada prosaicos : Nariz, são os investigadores; Dedos, a polícia secreta; Voz, o programa de rádio que mantêm todos “informados”.

A hq em si tem início quando Evey Hammond, uma jovem que perdeu os pais durante a guerra, tenta se prostituir e é capturada pelos “Dedos”. Os policiais, ao invés de levá-la à justiça, pretendem estuprá-la e a matar em seguida. Entretanto, surge a misteriosa figura de V, um homem estranhamente trajado e com uma máscara estilizada de Guy Fawkes, um conspirador católico que conspirou contra o Rei Jaime I (protestante) no longíquo ano de 1605. Sem muito esforço, V subjuga os Homem-Dedos e, de quebra, explode o Big Ben, iniciando seu processo revolucionário contra o Estado Fascista.

A partir daí, V leva Evey para seu esconderijo, a Galeria das Sombras, e aos poucos vai revelando seus propósitos e personalidade única. Uma das muitas boas sacadas de Moore foi utilizar diversos elementos culturais (sobretudo ingleses) para compor o personagem. E tudo sem “gratuidades”, dentro do contexto da história, onde o fascismo praticamente aboliu a cultura outrora existente.

Para não estragar muito as surpresas do enredo para quem ainda não o leu (e poupar espaço, pois se fosse relatar tudo aqui, seria melhor fazer uma série de posts sobre o assunto), vou ficando por aqui no quesitospoilers. Para ter uma linha geral, V arquiteta um plano minucioso de libertar o povo do jugo consciente e inconsciente do Estado, preparando Evey, ao longo deste processo, para ser sua substituta.

 

Não irei me fazer de um falso erudito e dizer que saquei a maioria das citações acerca da cultura contemporânea da hq, porque não fiz isso. Salvo as inevitáveis comparações à 1984 de Orson Wells, Evita Perón e poucas músicas e algo de Shakespeare, as demais fui saber ao ler os apêndices ou pesquisar na Grande Rede. Por que digo isso? Ora, um novato acostumado a ler as mensais habituais do mainstream irá estranhar como V “fala”. Poucas vezes direto, sempre referenciando seu “trabalho” em algo maior, é preciso estar bem antenado para entender as nuances. Não é o tipo de história que você lê de uma tacada só, em 10 minutos.

Algo também deveras interessante é a estrutura adotada por Moore e Lloyd de não utilizar balões de pensamentos, só falas e quadros. Pequenos detalhes, mas com certeza algo de difícil execução, ainda mais para o leitor ter o pleno entendimento do enredo e propostas dos personagens, coisa que a dupla conseguiu com maestria.

Fora os detalhes técnicos, o enredo em si nos leva a algumas reflexões ao longo da jornada. V, como devem ter percebido, é um anarquista, buscando levar ao caos e deste trazer um nova ordem social, subjugando o Estado. A grande questão é como o Estado domina a sociedade: meios de comunicação, um “bem estar” às custas de liberdades pessoais, o Big Brother… e se chega a este ponto por causa da própria sociedade, afinal foram os cidadãos que “quiseram” deixar a coisa chegar a tal ponto. Meio óbvio, muito vão dizer. Mas será que não é algo similar ao que se vive hoje, com exceção de um Estado Fascista?

Outro fato que vale mencionar é o desenvolvimento dos personagens secundários. A grande maioria tem seu momento-chave na consecução da história, envoltos sim na grande conspiração do V, mas todos com sua personalidade bem caracterizada e desenvolvida. O estilo narrativo também é louvável, traçando alguns paralelos, seja com peças teatrais, música e até mesmo uma simples brincadeira com um jogo de dominó.

Enfim, talvez tenha deixado passar um ou outro ponto importante, tamanha a quantida de informações e curiosidades que esta hq possui. Entretanto, caso ainda não tenha lido, faça um favor a si mesmo e leia. Mesmo que não goste ou tenha alguma crítica (afinal ninguém é perfeito, nem mesmo o Velho Barreiro), não deixe de fazer isso. É uma daquelas histórias que marcam seu lugar na História dos quadrinhos.

  • Matheus Wesley

    E pensar que na lista das melhores hqs de todos os tempos essa merda ñ ficou nem entre os 10….

  • Matheus Wesley

    E pensar que na lista das melhores hqs de todos os tempos essa merda ñ ficou nem entre os 10….

  • Renan

    Eu gostei da versão 2012 oferecida pela Panini, com preço, qualidade e extras, mas prefiro o filme.

    • Matheus Wesley

      Tádebrinqueitionwithme né ?

      • Renan

        O filme passa a mesma mensagem, só que em menos tempo.

        • Matheus Wesley

          O caramba !!!No filme o V é contra um tipo de governo,na hq ele é ultra-anarquista e quer o fim de todos os governos…Não passa a mesma mensagem,e comparando com a hq o filme é bem xexelento

          • Renan

            De qualquer forma a reflexão sobre a relação entre os cidadãos e o Estado está presente no filme. Acho um pouco de exagero querer que seja estritamente igual às H.Q’s.

          • Matheus Wesley

            De uma forma bem minimizada…

          • Renan

            Se o filme seguisse fielmente a HQ, provavelmente seria chato pra caramba.

          • Matheus Wesley

            Seria um filme intelectual e cult,em outras palavras…

          • Renan

            Hehe, bem por aí mesmo. Inclusive muitos autores tentam transformar quadrinhos em algo intelectual e cult, principalmente com algumas obras bem autorais. Mas jamais serão.

  • Canoa Furada

    Eu gostei da versão 2012 oferecida pela Panini, com preço, qualidade e extras, mas prefiro o filme.

    • Matheus Wesley

      Tádebrinqueitionwithme né ?

      • Canoa Furada

        O filme passa a mesma mensagem, só que em menos tempo.

        • Matheus Wesley

          O caramba !!!No filme o V é contra um tipo de governo,na hq ele é ultra-anarquista e quer o fim de todos os governos…Não passa a mesma mensagem,e comparando com a hq o filme é bem xexelento

          • Canoa Furada

            De qualquer forma a reflexão sobre a relação entre os cidadãos e o Estado está presente no filme. Acho um pouco de exagero querer que seja estritamente igual às H.Q’s.

          • Matheus Wesley

            De uma forma bem minimizada…

          • Canoa Furada

            Se o filme seguisse fielmente a HQ, provavelmente seria chato pra caramba.

          • Matheus Wesley

            Seria um filme intelectual e cult,em outras palavras…

          • Canoa Furada

            Hehe, bem por aí mesmo. Inclusive muitos autores tentam transformar quadrinhos em algo intelectual e cult, principalmente com algumas obras bem autorais. Mas jamais serão.

  • Rafael

    melhor hq do Moore fácil!

    • Anubis_Necromancer

      Vc acredita que ainda tem gente que acredita que o quadrinho veio depois do filme?

      • Rafael

        não duvido, a burrice humana é algo que sempre surpreende!

  • Rafael

    melhor hq do Moore fácil!

    • Anubis_Necromancer

      Vc acredita que ainda tem gente que acredita que o quadrinho veio depois do filme?

      • Rafael

        não duvido, a burrice humana é algo que sempre surpreende!

  • Cícero, passado adulto do PCB

    -Então cara, o que significa esse “V” que você escolheu?
    -Ah, significa “hope”.

    Frase que estaria no filme se fosse dirigido por Zack Snyder

  • PCB

    -Então cara, o que significa esse “V” que você escolheu?
    -Ah, significa “hope”.

    Frase que estaria no filme se fosse dirigido por Zack Snyder

  • O_Comentarista

    Majjin dando uma de explorador e só tirando coisa do ânus do Dadá.

    Essa HQ é leitura obrigatória para quem curte quadrinhos.

    • Concordo. Um trabalho ímpar e que realmente precisa ser lido por quem gosta de quadrinhos de qualidade diferenciada. E como bem citou o Majjin na resenha, não leitura para 10 minutos ou para ler apenas uma vez… e para tentar entender o mar de referências, é preciso depois buscar mais informações complementares – mas isto com certeza não atrapalha o entendimento e o prazer da leitura.

  • O_Comentarista

    Majjin dando uma de explorador e só tirando coisa do ânus do Dadá.

    Essa HQ é leitura obrigatória para quem curte quadrinhos.

    • Concordo. Um trabalho ímpar e que realmente precisa ser lido por quem gosta de quadrinhos de qualidade diferenciada. E como bem citou o Majjin na resenha, não leitura para 10 minutos ou para ler apenas uma vez… e para tentar entender o mar de referências, é preciso depois buscar mais informações complementares – mas isto com certeza não atrapalha o entendimento e o prazer da leitura.