BoJack Horseman – Primeira Temporada, por Bruno Menon.

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Fui perguntar ao Ckreed, se ele já tinha assistido a BoJack Horseman, para comentar meu ponto, e o infeliz me mandou fazer essa resenha de graça, para o seu site lucrativo, e aqui estou eu.

Sou o Menon e é um prazer escrever essa resenha começando com clichês de agradecimentos baratos (de graça, na verdade).

Quando fui assistir a essa série, eu na verdade nem pensava em assisti-la pra começo de conversa. Eu gosto de séries animadas de comédia para um público mais adulto, porque eu sei que em grande maioria elas são bem melhores que séries gravadas com pessoas de verdade. Principalmente, porque é muito mais fácil fazer um desastre natural, com orçamento de desenho animado, do que com efeitos especiais. Não teremos uma luta épica do Peter Griffin contra o Homem-Galinha na TV em live action tão cedo.

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Pois bem, assisti a essa série de comédia original da Netflix por já ter assistido a outras disponíveis no catálogo. Literalmente BoJack foi o que me sobrou para assistir num dia em que fui jantar e não queria fazer isso ao som do tédio da minha vida em um dia sem aula. Pensei comigo mesmo que a série poderia ser um Two and a Half Man um pouco melhor (só de sair daquela cara de enlatado, já seria o suficiente para mim, que queria apenas jantar ao som de risadas do Chaves). Realmente o primeiro episódio me entregou exatamente o que eu esperava: uma comédia descerebrada e 20 minutos de algumas piadas boas. Tinha um ou outro subplot que parecia ser meio depressivo, mas tudo parecia que iria para um humor negro, o que me chamou a atenção e fez valer a janta.

A série tem como protagonista BoJack Horseman, um cavalo antropomórfico que vive num mundo onde há humanos e animais. Os humanos são como qualquer ser humano típico e sem graça. Os animais também, mas com algumas piadas ou situações que nos lembram que eles são aqueles animais.

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BoJack está na casa dos 50 anos e, nos anos 90, fez sucesso como protagonista de uma série de TV ao melhor estilo “três é demais” passando nas suas tardes do SBT. Essa série lhe rendeu sucesso e dinheiro e, hoje em dia, anos depois do seu último capítulo dessa série, BoJack vive de rendimentos e da embriaguês do sucesso desse seu trabalho. Ele assinou contrato para escrever uma biografia de sua vida e namora sua própria agente, uma gata rosa chamada Princesa Carolyn. Pronto, é assim que BoJack Horseman começa se apresentando.

Mas, o que parece ser uma comédia de humor negro, com potenciais referências pra galera que viveu nos anos 90, na verdade se torna uma coisa triste. Não triste no sentido de falhar com o que é proposto, mas sim em tristeza mesmo. Sinceramente eu acredito que o fato de tudo ser colorido e alguns personagens serem animais seja principalmente para aliviar a série.

Dá pra se encarar os personagens animais como metáforas de algumas personalidades, assim como chances para boas piadas. O estagiário sapo me arrancou boas piadas. Em resumo a série é isso, às vezes tem boas piadas e no resto é uma evolução do personagem ou retrospectiva justificando suas atitudes. E em ambos a série acerta. Na verdade a série para mim foi um conjunto de pequenos acertos. Seja nas piadas, seja na profundidade da trama, seja nas referências. Porra! A inclusão de um personagem, que são três crianças tentando se passar por um adulto, é um clichê genial!

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O estilo da animação pode incomodar um pouco, mas não atrapalha na real. O que temos em foco mesmo é a dura realidade de Bojack, que provavelmente já viveu os melhores anos de sua vida. Eu não consigo encarar a temática da série como sendo outra senão a depressão. Para mim a primeira temporada se foca num ponto de negação do problema e a segunda na aceitação, o que tudo indica que numa terceira temporada poderia ser abordada a superação.

Mas por que essa temática de depressão numa série de comédia? Porque quando o livro do BoJack, para contar sua biografia, é postergado por ele mesmo, ao melhor estilo brasileiro, uma escritora fantasma é contratada. A mesma escritora que escreveu o livro do herói de infância do BoJack, Secretariat, um cavalo de corrida de sucesso nos anos 70, que tem um escândalo em seu nome e se mata nas primeiras cenas do primeiro capítulo. Então BoJack começa a gostar dessa escritora, mas de uma maneira realmente afetiva, ao contrário de suas relações rápidas, fruto de sua fama e dinheiro. Essa escritora, porém, namora um cão que também tinha uma série nos anos 90, mas BoJack odeia esse cão por motivos não aparentes. Triângulo amoroso, críticas a Hollywood e a mídia fútil. Todos temas polêmicos, mas e a depressão?

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Ao contar sua vida, BoJack descreve tudo aquilo que ele gostaria que fosse, imediatamente após lembrar de quão merda foi. Sua infância, seus pais, suas expectativas, o fato dele não ter mais ninguém ao seu lado, exceto seu “inquilino” Todd. BoJack é auto sabotador e não tem escrúpulos. Basicamente não dá pra torcer pelo personagem principal, mas a série não gira só em torno do cavalo, o que é muito bom, todos os personagens são extremamente bem desenvolvidos. A agente do BoJack, por exemplo, Princesa Carolyn, tinha tudo para ser uma personagem sem sal, mas na verdade é a “pessoa” mais forte de toda série. Há episódios pesados nessa primeira temporada. O ex-amigo do BoJack, que está com câncer, é extremamente realista e cruel, a ponto de não perdoar BoJack pela sua traição no passado, mesmo estando praticamente num leito de morte.

Então seu livro é lançado e a verdade da vida que BoJack fugia é levada à tona. Chateado, o protagonista aceita aquilo que não deixa de ser ele mesmo e por fim recebe uma proposta para interpretar o papel de seus sonhos, um filme mostrando a vida de Secretariat.

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BoJack é uma série que caminhava para um fim sem esperança no rumo do protagonista e, de certa forma, tem um final brando e pouco chamativo. Leva a acreditar que as coisas vão melhorar para o BoJack, o que acaba sendo um bom final de temporada, mas com um gosto de mais por vir.

Rasguei a seda na questão do drama da história e meu ponto é esse mesmo. Para mim merece uma nota 9, mas, se vocês discordam e querem descer a lenha nos comentários, fiquem a vontade!

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