Henrique-Hardman

Caros eleitores brasileiros,

Qui inebriat anatis stagnum est cu’.

Por isso vos escrevo. Muito a propósito de tudo o que está acontecendo há vários anos no nosso país. Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.

Confesso minha total e inequívoca lealdade ao país desde sempre, apesar de não ter tido escolha, afinal nasci aqui há precisamente três décadas, quase chegando à quarta. No entanto, mesmo com a dedicação de todo este tempo no desenvolvimento de uma relação interpessoal, admito que estou completamente desapontado com vossas senhorias. Não me eximo de responsabilidades, a despeito deste desabafo, fiquem tranquilos.

Recomendação do Sorg

A geração antes da minha perdeu uma oportunidade ímpar de transformar ainda mais o país após o período da ditadura. Ok, há de se admitir que houve mudanças significativas, especialmente no aspecto econômico social, iniciado pelos emplumados elfos bicudos, passando pelos anões barbudos, incluindo aí todos os senões existentes. Do passado e do presente.

Ainda muito jovem para participar e entender bem o que se passava, vi o caçador de marajás ser caçado, mostrando o que seria ‘a força’ da nova república. Júbilo nacional para retirar do poder aquele mesmo ‘herói’ escolhido por você mesmo, caro eleitor. E aí começo a chegar ao ponto desta missiva: a culpa disso tudo é sua. E minha.

Por quê? Ora, meus caros, o mesmo que hoje brada a plenos pulmões a necessidade de um ‘impitiman’ é aquele que ajudou a eleger um dos piores legislativos da história recente do Brasil. E olha que isso não é pouco. Antes que o pessoal do ‘sul maravilha’ comece a dizer que a culpa é dos eleitores nordestinos com seus Calheiros e Sarneys, resta-me lembrar que os cunhas, temers, bolsonaros, felicianos e que tais são oriundos do ‘primeiro’ mundo do nosso terceiro.

O mesmo eleitor desiludido com a ‘esperança que venceria o medo’ terá, caso realmente o processo tenha o final almejado, a ‘tropa de elite’ de um partido que é igual ou pior do que o atual mandante com as rédeas do poder em mãos. Sim, amiguinhos, se os presidentes de ambas as casas do legislativo usam e abusam do poder do cargo que possuem para se livrar de processos de cassação, imagine se o partido deles estiver no comando da máquina? Vale lembrar que sobre o marido da ‘futura primeira-dama mais jovem do país’ paira uma nuvem tão escura quanto os demais, restando saber se haverá alguma novidade oriunda de Curitiba em seu nome.

E você, eleitor, não se iluda. A situação de um ‘impidimento’ traria um fato novo, talvez uma sensação de destravamento do governo central, fazendo-o sair da inercia atual. Esse seria o lado bom, com algum alívio econômico, mesmo que no longínquo 2017. O lado ruim: estaria armado o cenário ideal para a volta de um Messias, um Herói Nacional, aquele que sozinho poderia ‘mudar tudo isso que está por aí’.  Pode ser o homem dos nove dedos? Pode. Ainda que não seja ele, será outro(a) com um viés deste tipo. Os elfos emplumados enchem o peito de orgulho e pensam nas minas de um playboy carioca. A solução estaria em um candidato renegado pelo próprio estado de ‘origem’? Mais uma farinha do mesmo saco?

Então, excelentíssimo eleitor brasileiro, mais uma vez voltamos ao cerne da questão. Qualquer que seja o ‘herói’ escolhido da vez, ele depende cada vez mais de um congresso viciado em política suja e baixa. Um jogo de interesses que hoje nem se envergonha mais de existir. Enquanto você se degladia no tuíter contra o ‘rival’ candidato a presidência, entrega seu voto a qualquer um do congresso. Ou faz voto de ‘protesto’ em um candidato radical ou ‘diferente’. E assim caminha a nossa humanidade, mudando as moscas, mas mantendo a mesma m…

Tenho plena convicção que a minha geração também perdeu sua oportunidade. Para nós não há mais esperança. Se houver alguma ainda, é no futuro, pensando nos filhos e netos. Mas mesmo para eles, caro eleitor, não confio mais na sua capacidade de escolher quem é o menos pior para nos representar. A solução mesmo seria investir em educação e tocar o barco por mais uma geração para daqui uns 15-20 anos colhermos os frutos de uma população com maior capacidade de decisão. No entanto, isso é um sonho. É uma ilusão que vendo a mim mesmo todos os dias, afinal caminhar é preciso e a vida sem esperança não é nada.

Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País voltará a ter a tranquilidade dos ‘voos de galinha para crescer’ e consolidar ‘as conquistas sociais’ para manutenção dos mesmos de sempre no poder.

Finalmente, sei que os senhores eleitores não terão a minha confiança, hoje, e não terão amanhã. A culpa não é ‘deles’, e sim nossa. Mas esperar que vossas excelências tenham esta convicção é ser mais realista e pragmático do que o atual presidente da câmara.

Lamento, mas esta é a minha convicção.

Respeitosamente, \ King

A Sua Excelência o Senhor

ELEITOR BRASILEIRO

República do Brasil

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