Codinome: Dorgival

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Baseado em em real personagem da ficção BdEediana

Muitos perguntam como ou porquê ainda vivo aqui. Rio de Janeiro, cantado em verso e prosa como a cidade da beleza e do caos. Quarenta graus lá fora e apenas um ventilador de teto girando lentamente aqui dentro. Digo aos amigos… bem não tenho amigos. Digo aos que me questionam simplesmente como se houvesse me apaixonado por uma rameira da antiga 4 po 4 aqui do centro. Linda, cara e com uma devassidão que me atrai. E trai. Sem o menor pudor ou rubor, uma puta de luxo que me pisa sem nem saber que me pisoteou.

Os poucos curiosos que fingem se importar, ao saberem da minha profissão entre um trago e outro, riem e dão de ombros. Antes de voltarem aos seus próprios afazeres, ironizam: `corrupção, violência, poder paralelo… e você acredita que alguém ainda procura um detetive nesta cidade?`. Sorrio e faço um gesto obsceno. Essa é a beleza do meu trabalho. Ninguém acredita no mar de oportunidades que surgem nesta podridão. Com quase nenhuma concorrência, basta querer colocar a mão na merda que os trabalhos surgem, pagam-se as contas, arrego para milicianos, traficantes e policiais. Sou eclético. Às vezes sobra um trocado para a cerveja e as putas, e vamos levando a vida.  

Novos escândalos surgem na TV, o mais do mesmo. Políticos gordos e discursos impávidos surgem aqui e acolá. Inocência sempre estampada nas palavras saídas de bocas podres. Odeio essa raça. Desligo-a. O sol inclemente e o ventilador mal gira. O ar pifou e como não caiu trabalho no fim do ano, as contas se acumulam. `Foda-se essa merda`, penso. Apesar do calor infernal, puxo o paletó por sobre a cadeira e jogo por cima dos ombros. São quase 14h e o expediente hoje para mim acabou. Ao começar a me dirigir para a porta de saída, vejo uma penumbra ao lado de fora. Lembro quando instalei vidro esfumaçado e seu real objetivo. Trazer um misto de curiosidade e segurança. Curiosidade pois ficaria imaginando como e quem seriam as pessoas que estariam me procurando. Um viciado sendo ameaçado, um marido traído…. ou seria alguém que estaria de me pegar por algum `deslize` do passado? Nestes devaneios pueris eu havia me perdido quando a campainha soou. Pelo contorno parecia trabalho, mas já havia me enganado antes. Joguei-me novamente na cadeira e falei, desleixadamente: `entre, a porta está aberta`.

A eletricidade no ar era evidente. Bom, pelo menos para mim. Uma curvilínea morena de olhos azuis e lábios carnudos está em pé. Com um leve sorriso acanhado e convidativo, o mais simpático que pude, acenei para que entrasse. Na faixa dos 30, a mulher entrou e parecia ansiosa. Seu perfume enebriou o ar e meus sentidos. Estava imerso em sensações, com diversos estímulos sensoriais. Era impossível não ter uma ereção. Sem dizer palavra, acenei para que sentasse na cadeira em frente a minha mesa. Delicadamente, a jovem sentou-se. Finalmente, palavras foram ditas.

– Estou sendo ameaçada e preciso de ajuda.

Continua… ou não.

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