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Vocês pediram e depois de muito, mas muito tempo mesmo, eis o post.

Caros camaradas, eu sei que demorei pacas, mas enfim tomei vergonha na cara e fiz o maldito “dossiê” do Hellboy! Mas quem é esse “menino do inferno”, e como um personagem de uma editora pequena fez tanto sucesso, gerando dois filmes, jogos e vários bonequinhos das quais eu mataria o Inferno e o Dadá para ter um? Pacto com o diabo? Sorte? Tudo isso e muito mais no Glob… Digo, Dossiê BdE!

Criação:

Hellboy é um personagem criado por Michael Joseph Mignola, mais conhecido como Mike Mignola, durante as convenções de quadrinhos dos anos 90. Mike sempre fazia sketches de um demônio apelidado de “Hell Boy” para seus fãs, até que o personagem ficou na cabeça do Mignola por muito tempo, e depois de várias mudanças no design, o personagem ganhou sua forma que todo mundo conhece, com seus chifres cerrados e a mão direita de pedra.

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O “Hell Boy” das convenções. Por mais que o visual seja interessante, Mignola acertou em cheio em descartar esse design.
Recomendação do Sorg

A primeira aparição do personagem foi na HQ San Diego Comic Con Comics, em 1993. A história tinha só quatro páginas, mas fez bastante sucesso entre os fãs, tanto que o Hellboy fez uma ponta na edição #21 da HQ Next Men, do John Byrne. Na época, tanto Mignola, Byrne, Frank Miller, Dave Gibbons, Geof Darrow, Paul Chadwick e outros autores estavam criando um universo compartilhado, titulado de Legends, da Dark Horse, então era bem comum crossovers nas HQ’s.

Personagens do selo "Legends"
Personagens do selo “Legends”.

O selo não deu muito certo, mas rendeu ótimas HQ’s, entre elas, a primeira minissérie do Hellboy, “Sementes da Destruição”, publicada em março de 1994.  A minissérie teve a participação do John Byrne nos roteiros, mas o autor canadense já declarou várias vezes que todo o mérito da história e da criação do personagem é do Mike, e que só ajudou no roteiro, pois Mignola não se sentia muito confiável em lançar uma HQ sozinho. A história fez um enorme sucesso e após 23 anos desde sua primeira HQ solo, Mignola continua fazendo histórias do personagem até hoje. É importante lembrar que 90% das histórias do menino do inferno são baseadas em contos antigos, lendas estranhas e no folclore russo, temas que Mignola sempre teve curiosidade, e, principalmente, nos contos do H.P Lovecraft, escritor fundamental na origem do personagem.

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“Sementes da Destruição”, a primeira minissérie do Hellboy.

A origem (Spoilers gigantescos a seguir. Leia por sua conta e risco):

Hellboy, cujo nome verdadeiro é Anung Un Rama (“e na sua fronte está definida uma coroa de fogo”), é filho de Sarah, uma bruxa inglesa, e Azzael, um dos duques do inferno e o responsável por armar Hellboy com a mão direita da perdição, a chave responsável por libertar o dragão Ogdru Jahad. Temendo que os outros demônios descobrissem seus planos, Azzael enviou seu filho para a terra (no melhor estilo Kal-El), no dia 23 de dezembro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Hellboy foi encontrado em uma igreja pelos Aliados e o professor Trevor Bruttenholm, fundador do Bureau of Paranormal Research and Defence (B.P.R.D). Trevor, além de adotá-lo, foi o criador do nome Hellboy e o grande responsável pela personalidade bem-humorada e heroica do demônio. Após uns anos Hellboy se tornanou agente do B.P.R.D,  se juntando com os agentes Abe Sapien, Liz Sherman e Roger, o homúnculo.

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Os agentes da B.P.R.D por Guy Davis.

O que ninguém sabia é que Sarah, a mãe de Hellboy, era descendente de Morgana le Fay, irmã do rei Arthur, fazendo do seu filho o herdeiro da Excalibur e o legítimo rei da Inglaterra. Além de ser perturbado por demônios, Hellboy já teve vários quebra-paus com nazistas, o monge russo Rasputin – um dos responsáveis por trazer Hellboy ao nosso plano – e a bruxa Baba Yaga, que adivinhem só, também é da Rússia! Esse Mignola é um puta comunista!

No último arco escrito e desenhado por Mignola, “Hellboy no Inferno”, o anti-herói foi parar no submundo, devido a sua morte na batalha contra o dragão Ogdru Jahad, e, para piorar, o anti-herói é tentado por seu tio-demônio, Astaroth, a matar Satanás. Não vou entregar o final da saga, mas já adianto que o autor soube finalizar com dignidade a história do Hellboy.

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Capa da última edição da minissérie “Hellboy no Inferno”.

Cronologia e ordem de leitura:

Mesmo sendo publicado no formato de minisséries e histórias curtas na Dark Horse Presents, Hellboy conta com uma extensa linha cronológica, que alterna entre eventos atuais e do passado. É possível separar todas as mais de 70 edições em duas ordens de leitura: A primeira é composta com roteiro e arte do Mignola e Duncan Fegredo, que começa em “Sementes da Destruição” e vai até no arco “Hellboy no Inferno”. A segunda ordem de leitura são os one-shots e minisséries que exploram o passado do Hellboy, escrito pelo Mignola e, de vez em quando, em parceria com os escritores John Arcudi,  Chris Roberson e com a arte de vários desenhistas fodas, entre eles, o Richard Corben (louvado seja Corben!). Para que nunca leu as HQ’s do Hellboy, recomendo que comece com a segunda ordem de leitura. O leitor também pode seguir a numeração que vem na segunda capa de cada edição, como os quadrinhos mais tradicionais de super-heróis.

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“O Vigarista”, uma das várias edições minisséries com a arte do fodaço Richard Corben.

Publicação no Brasil:

Todas as HQ’s do Hellboy foram publicadas pela Mythos Editora, que trabalha com o personagem desde o final dos anos 90, e, tirando os preços salgados, a publicação é digna de nota. Até agora, a Mythos publicou quase todas as histórias do personagem em 17 encadernados, fora algumas edições especiais do B.P.R.D e o Frankenstein – sim, o monstro criado por Mary Shelley faz parte do universo do Hellboy. O único problema é que quase todos os encadernados estão esgotados, gerando preços absurdos no mercado livre. Caso você manje de inglês, recomendo os omnibus da Dark Horse, que mesmo custando em média R$ 160,00, valem cada centavo.

Spin-Offs:  Além das minisséries, o Menino do Inferno três spin-offs: B.P.R.D , Abe Sapien e o Lagosta Johnson.  As três HQ’s tem o roteiro do Mignola e Arcudi, e diferente do Hellboy,  o  B.P.R.D e Abe Sapien são séries mensais, sendo que o  Bureau of Paranormal Research and Defence ( “Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal”) já está na quase na edição #150, quase o dobro da quantidade de HQ’s do Hellboy, fora as minisséries e especiais que vira e mexe saí. Já o herói pulp Lagosta Johnson ganhou diversas minisséries de respeito, principalmente a “Prometeu de Ferro”. Até o momento, as mensais do B.P.R.D e Abe Sapien, junto com as minisséries do Lagosta Johson, não foram publicadas pela Mythos. 

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Capa da edição 141# da mensal B.P.R.D por Duncan Fegredo.

Considerações finais: O principal motivo do Hellboy ser um dos personagens mais fascinantes das HQ’s é o carinho e preocupação que Mignola tem pelo personagem. Suas histórias prezam pela qualidade e diversão, elementos essenciais em qualquer história em quadrinhos. Não é preciso fazer megas-sagas, matar – se bem que o Hellboy morreu – e trazer de volta o herói diversas vezes ou reiniciar a história a cada semana; Basta fazer uma boa história com bons desenhos, coisa que Mignola e seus companheiros fazem a cada nova edição. Essencial para fãs de HQ’s de terror, Hellboy é um marco dos quadrinhos alternativos americanos. Vida longa a Anung Um Rama!

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