Banner Perez

Em entrevista ao O Globo neste fim de semana. Se leu, leu, se não leu, reveja aqui e opine conosco…

Pois bem, caros Enxutos, em pleno Dia de Finados nossa filial nacional, o jornal O Globo, nos remeteu via fax uma notícia sobre uma entrevista com George Pérez (se não sabe quem é, o que faz neste espaço, jovem gafanhoto?) fazendo um balanço sobre os seus 40 anos no mercado de quadrinhos. Caso queira ler na íntegra a matéria, clique aqui. Para evitar mais um processo nas costas do Sorg, irei me ater a dois pontos específicos que renderam algumas discussões interessantes no Facebook do Baile neste fim de semana. Basicamente são duas frases de Pérez que praticamente definem o sentimento de muitos sobre o mercado de quadrinhos norte-americanos atual:

Os quadrinhos deixaram de se preocupar em criar uma mitologia e passaram a existir apenas para ceder matéria-prima para o cinema e os desenhos animados. Não se criam mais personagens por razões artísticas. Hoje, as hqs são criados por interesses monetários da indústria audiovisual. É por isso que, há 20 anos, parei ler HQs, embora ainda viva delas

Atualmente não se vê mais nenhum personagem de HQs sorrir. Tudo é sombrio, sem leveza. Até o Super-Homem perdeu a sua inocência

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E eu com isso? Well, um assunto deveras polêmico e que, logo de cara, há uma tendência natural em se concordar com o artista. Mas há atenuantes… ou não? Como um resenhista profissional (que não ganha nada por isso, mas enfim…) posso afirmar com alguma propriedade que realmente a grande maioria das publicações mainstream são medianas para baixo, isso para não dizer menos. Mas, como toda boa regra, há suas honrosas exceções, tanto em uma quanto em outra editora co-irmã que dominam o mercado de quadrinhos norte-americanos. Generalizar de forma irrestrita que a produção é voltada para o mercado de audio visual é algo compreensível, apesar de não defensável, ainda mais para alguém do meio. É preciso sempre frisar e defender a existência das poucas exceções a regra.

Ainda nesta linha, indo um pouco além da minha formação acadêmica e opinando como fã desta mídia sobre o momento ‘dadárqui’ dos quadrinhos, acredito que estejamos presenciando um reflexo cultural da atual realidade vivida, ainda mais pelos yankees. Gostando, ou não, os quadrinhos que tanto gostamos é proveniente dos USA e lá se vive hoje o pós-11 de setembro e todo o trauma e consequência que o ataque terrorista deixou na sociedade. É de se esperar realmente uma sociedade mais ‘bruta’ e com expectativas que seus ‘heróis’ resolvam mais as situações de forma efetiva, mesmo que isso fira alguns princípios éticos geralmente aceitos. Ou estou mentindo, Obama? Basta lembrar que este fenômeno não é algo recente, afinal o Frank Castle está aí para não nos deixar mentir sozinhos.

Recomendação do Sorg

Entretanto, mesmo que sob o ponto de vista comercial os resultados financeiros sejam para lá de satisfatórios, ainda mais se considerarmos uma visão consolidada de marca, ou seja, não só quadrinhos, mas todos os produtos daí originados, alguns poucos (dentre eles eu) reclamam da qualidade e do que se transformou a mídia em si. Particularmente, não me importo em ter 50 títulos massaveio para sustentar 5 ou 6 com qualidade, mesmo que com baixas vendas. Isso entendo e faz parte do negócio. O que realmente me deixa aborrecido é a nova forma como são representados os heróis que tanto aprendi a gostar ao longo de minha vida. Exemplos daquilo que deveria ser o melhor do ser humano, a inspiração para mostrar que mesmo em dificuldades o melhor é sempre fazer o bem e o correto estão se perdendo. Ainda que seja reflexo da sociedade americana, somos ‘macacaquinhos de imitação’ e seguimos pelo mesmo caminho, perdendo a referência do que é o bem. Não sou inocente ao ponto de acreditar que a vida real funciona assim, de forma idealizada. Claro que não e os chutes e perdas ao longo da minha jornada já me ensinaram. Entretanto, se mesmo na ficção, não temos o exemplo do que seria correto, o que sobra? Sem esperança, o que nos resta? Não entrarei no mérito se o Superman matou ou não no passado, mas o seu exemplo mais vívido que possuo é de um ser, quase um deus, que optou por servir ao invés de dominar pela força. O Aranha sempre será aquele cara que, mesmo contra todas as possibilidades permanece no caminho daquilo que é o correto, mesmo se prejudicando. Com grandes poderes vem grandes responsabilidades? hoje não mais, infelizmente.

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