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Olá, meninos e meninas! Sou eu, titio Hellbolha, de volta a este pardieiro totoso e cheio de amor no coração. Sim, eu estou meio sentimental hoje e vou lhes contar o porquê.

Quem acompanha as histórias do Homem-Aranha atualmente sabe que está uma quizumba só. Aliás, toda a indústria de quadrinhos está se forçando a viver de polêmicas, ao invés de boas histórias. Porém, houve tempos mais felizes, onde a criatividade não era tão rara, como nos dias atuais, e alguns autores nos brindavam com obras que não precisavam ser autorais pra ter sentimento. Eles escreviam como fãs, desenhavam como fãs e nos emocionavam como fãs. Esse é o caso de uma das melhores histórias do Homem-Aranha publicada no início dos anos 2000, Homem-Aranha: Azul.

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Criado pela dupla responsável por algumas das melhores minisséries dessa mesma época, Jeph Loeb e Tim Sale, Homem-Aranha: Azul é, como os próprios autores afirmaram, uma carta de amor à mulher da vida de Peter Parker: Gwen Stacy.

Recomendação do Sorg

Contada com uma sensibilidade que faz você não crer que Jeph Loeb é o responsável por algumas das maiores tragédias super heróicas da TV, como Smallville. A história começa com um melancólico Homem-Aranha visitando a ponte que acabou com as esperanças de toda uma vida ao lado de Gwen. Lá ele deposita uma rosa e se vai, silencioso. O ritual se repete todo ano no dia dos namorados, segundo a narração em off de um pesaroso Peter Parker.

Em seguida somos transportados para alguns dos momentos mais clássicos da história do Cabeça de Teia, começando com a descoberta da identidade secreta do herói pelo Duende Verde, evento que culminaria, mais tarde, na morte de Gwen. Depois de um embate violento, o saldo é um desmemoriado Norman Osborn e um aliviado Peter Parker. Depois disso passamos por tantos outros embates clássicos contra vilões consagrados como Rhino, Lagarto, Abutre e Kraven Mercury… digo… Kraven, o Caçador!

O legal aqui é que todas essas lutas clássicas são reproduzidas com fidelidade, mas esse não é o foco. O foco está justamente no que se passa entre cada momento de ação do Aranha, nas suas relações pessoais enquanto Peter Parker.

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Então vemos o desenrolar da amizade de Peter e Harry, ainda alheio ao fato de seu pai ser o Duende Verde, Peter saindo pela primeira vez da casa da tia May, o usual relacionamento amistoso e gentil com J. Jonah Jameson e, é claro, o início do romance com a Gwen e do conturbado triângulo com uma Mary Jane ligada no 220 V. Este último fator é o que torna a história tão gostosa de se acompanhar! Afinal, quem nunca fez besteira pra chamar a atenção daquela garota que parecia não te dar bola? Ou quem nunca foi cego demais e não entendeu que ela ESTAVA te dando bola, mas você ficou chafurdando em sua insegurança pra perceber até ser tarde demais? Ou quem nunca teve uma amiga caçadora de atenção compulsiva que já te colocou em situações bem desconfortáveis?

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Vale lembrar que o “azul” do título não se refere apenas a cor presente no uniforme do personagem ou fazendo referência a ele, como viriam a ser Demolidor: Amarelo e Hulk: Cinza. Aqui a cor azul toma sentido na expressão americana, pois se para nós “estar tudo azul” é sinônimo de tranquilidade, para eles “estar azul” é sinônimo de tristeza. E, apesar de ser uma história muito bonita, Homem-Aranha: Azul é, basicamente, uma história poeticamente triste.

A começar pela ideia da narração em off. Dessa vez não temos um Aranha pensando enquanto se balança pela cidade. Na verdade temos algo bem incomum, pois Peter resolve gravar sua história numa fita para… Gwen! Parece ilógico a princípio, mas percebemos, com o decorrer da história, que aquilo não é meramente uma gravação sem nexo, é uma tentativa  de resgate de uma relação sincera que Peter sente que não teve com Gwen. Uma confissão, por assim dizer. Uma maneira de tirar do peito a culpa por não ter falado tudo que devia àquela pessoa que merecia saber e ele sabe que não terá mais o tempo nem a chance de fazê-lo.

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Outro ponto tocado é o efeito que a morte de Gwen teve não só em Peter, mas em Mary Jane também. Durante toda a história, nos é mostrado a relação conflituosa entre os modos de ser de Gwen e Mary Jane. Enquanto uma é meiga e calma a outra é uma espoleta, cheia de energia… e até meio vadia às vezes. Mas, ao final da história, Peter revela que o impacto da morte de Gwen não foi pesado apenas pro herói, mas pra sua futura esposa, ao constatar que não se vive pra sempre e que um dia a festa acaba. Mary Jane mudou a partir dali.

Em suma, jovos e jovas, Homem-Aranha: Azul é uma bela história que serve de tributo a esta personagem que foi tão amada pelos fãs mais velhos, mas para qual a nova geração andava cagando, até ela pintar na nova franquia cinematográfica da Sony. Também é um ótimo material pra jogar na cara do Straczynski e mandar aquele filisteu filho da puta a merda, por ter maculado a memória do verdadeiro amor do senhor Parker!

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RATUMANUKU, STRACZYNSKI!!

E a maior sacada, para provar isso, não está numa recontagem gratuita da cena da ponte. Não. Na verdade, essa cena nem aparece na história, ela termina exatamente quando o relacionamento de Gwen e Peter começa pra valer. O que nos dá a certeza está em uma simples frase dita por Peter no começo da história:

Tem a ver com uma pessoa tão importante pra mim, que eu pretendia passar o resto da vida com ela. Nunca imaginei que o destino levaria só ela a passar o resto da vida comigo.

Outro momento está no fim da história, quando Mary Jane pega Peter gravando essa “conversa”, exatamente no ponto em que ele diz que Mary Jane jamais seria a mulher que ele viria a amar, se Gwen não tivesse partido. Mary Jane é consciente do fato, tanto que Peter tenta se desculpar e tudo que Mary Jane diz é: “Me faz um favor, Peter? Diz olá por mim e… avisa pra Gwen que eu também sinto falta dela.”. Uma prova de um amadurecimento que veio a duras penas.

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Então é isso, meus queriduxos, nessa fase “Superior” em que o Cabeça de Teia se encontra, nada como olhar pra trás pra encontrar coisa realmente boa. Homem-Aranha: Azul está na categoria de coisas realmente ÓTIMAS. Como foi lançado a mais de 10 anos, achá-lo pode não ser tarefa fácil e se encontrá-lo talvez o preço esteja salgado demais, mas se por milagre você encontrar fácil e acessível aos seus bolsos, leve sem pestanejar. Ou, melhor ainda, tenha um pouco de paciência que esta pérola estará na coleção da Salvat.  Além de ser uma ótima história com todo o clima clássico, desde as lutas até o traço fantástico de Tim Sale, a edição trás de brinde um ninja que lança shurikens de cebola. E isso não se encontra em qualquer lugar hoje em dia. A não ser quando se olha pro trabalho da dupla Dan Slot e Humberto Ramos. Aí as lágrimas sempre vem como cachoeiras caudalosas que desaguam em um rio de tristeza…

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