bsnnrt fim dos dias

Somente sei que foi assim…

Prólogo. 2099. Fim de tarde e uma chuva torrencial atinge a cidade. Apesar das tentativas de controle das emissões iniciadas no milênio anterior, a poluição tornou a chuva um perigo para transeuntes desprotegidos dada a sua toxidade. Mas isto não impede uma figura singrar o ar com velocidade estonteante, pulando e balançando entre os enormes arranha-céus futuristas. Seu nome? Miguel O’Hara, também conhecido como Homem Aranha 2099.

Ao chegar em seu apartamento, Miguel retira suas vestimentas com cuidado, apesar de estar com sua mente em outro lugar e tempo. Logo verifica o embrulho que fora buscar nos destroços da antiga cidade de Nova Iorque. Fica satisfeito ao folhear um antigo contrato do Clarim Diário e perceber que o conteúdo está intacto. Ao fim das poucas páginas, uma assinatura preciosa, com a caligrafia que tanto procurara. Peter Benjamin Parker estava escrito, logo após o campo indicado para a adesão a um contrato de trabalho. O’Hara sempre soube que a viagem temporal, quando encontrou Parker e descobriu mais detalhes sobre sua vida, poderia ser útil. Esta foi uma das vezes.

Recomendação do Sorg

“Lyla”, ordena O’Hara, “favor confira se a caligrafia da assinatura é a mesma do diário que recebemos”. O belo holograma, uma loura de almanaque, atende o pedido como habitual, sem não antes perguntar “Miguel, realmente não quer que eu digitalize o conteúdo e faça a leitura para você? Ler em papel é algo tão antiquado…”. “Lyla, por favor, faça o que lhe peço pelo menos uma vez sem questionar! Estou cansado por descer ao submundo, vasculhar meia cidade e ter que enfrentar o Abutre para conseguir este contrato. Pau! Preciso ter certeza que o manuscrito é verdadeiro!”. Neste momento, Miguel relembra brevemente o que acontecera no dia anterior: um pacote recebido proveniente de uma caixa postal da parte baixa da cidade. Estranhando receber algo, O’Hara pesquisou (na verdade Lyla) sobre quem seria o remetente. Pouco descobriu, apenas um nome (um tal de Guilherme Martins) e nenhum histórico conhecido, quase um João Ninguém. Mas tudo isso perdeu importância, quando finalmente decidiu abrir o pacote.

Dentro, um livro. Melhor, um diário. Nas primeiras páginas, Miguel ficou deslumbrado. Escrito a mão, datado com cerca de 70 anos, aparentemente tratava-se dos últimos dias de Peter Parker relatado pelo próprio! Finalmente, um período obscuro da Era Heroica poderia ser esclarecido: como o Espetacular Homem Aranha desaparecera subitamente. Muitos especularam sobre sua morte, mas poucos tiveram argumentos sustentáveis ou provas disto. No entanto, esta era a ‘verdade’ aceita por todos.

Enquanto estava perdido em pensamentos, O’Hara fora tomar uma ducha para se livrar da sujeira da chuva. Mal entrara no banheiro e Lyla, com sua voz sexy e enrolada em uma toalha, atesta que, com 99,9 % de certeza, a assinatura corresponde ao material que trouxera do submundo. A caligrafia é mesmo de Peter. Rapidamente, toma seu banho e volta para a sala. Ordena a Lyla que não repasse ligações, mesmo de seu irmão ou de sua namorada. Com sua discografia dos anos 80 do século anterior tocando ao fundo, iniciando com Who Wants to Live Forever, Miguel começa a leitura…

10 anos do momento atual. Foi um dia normal. Cansado após derrotar pela centésima vez o Alpha, um antigo sidekick que se tornara um vilão anos antes, o Homem Aranha retorna para casa. Sua esposa, Mary Jane, estava fora em viagem a trabalho. O casamento não estava bem das pernas, mas ainda sim seu amor pela ruiva continuava intacto. Peter ligara mais cedo para sua já centenária tia, como sempre fizera, preocupado com sua saúde. May havia se recuperado, dissera a enfermeira que agora vivia com a viúva de Jay Jameson. Ainda sim, Parker não se acalmara. Mesmo após derrotar Alpha, seu Sentido Aranha tilintava, como se fosse uma dor de cabeça recorrente. Algo estava por acontecer. Fez contato com MJ e, apesar de certa frieza na voz, tudo estava bem. Novamente ligara e desta vez conversara com a própria May. A tia o reconfortara e dissera que estava realmente bem melhor. Despedira-se com um muito obrigado pela preocupação, sem não antes perguntar se já havia jantado…

Peter caíra na cama em sono profundo, exausto. Quando acordou de manhã, a ‘dor de cabeça’ passara. Mas o estridente som do telefone rompeu o silêncio da manhã. Do outro lado da linha, a enfermeira e a notícia. Com a voz trêmula, a mulher conta que Tia May morrera dormindo, sem sofrer, serena. Peter desaba no sofá em prantos e, sem dizer palavra, desliga o telefone. Os trâmites a partir de então foram rápidos, May fora uma mulher precavida e deixara tudo organizado, desde os preparativos para o enterro, até o testamento e a herança.

Apesar do abatimento inicial e do sofrimento inevitável, Peter estava calmo. Com Mary Jane ainda ao seu lado, descortinava-se uma nova etapa de sua vida. E este foi o início do fim para o Homem Aranha…

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Então, pessoal, há alguns anos tentei escrever um livro sobre aventuras medievais. Com o casamento e filhos, o plano desandou e hoje pouco resta das quarenta-cinquenta páginas que havia escrito. Pensei em retomá-las, no entanto preciso desenferrujar e tive uma ideia para um conto com o Batman. Como a ideia seria para o futuro do Morcego, foi devidamente descartada, dado o farto material que explora esta possibilidade e jamais cairia na asneira de mexer em um universo onde já existe o Reino do Amanhã e o Cavaleiro das Trevas. Desta feita, pensei no Aranha. Sem algo desta natureza para o seu futuro, deixei a história fluir e, como dizia o Professor Tolkien, deixá-la seguir seu caminho (logicamente não estou almejando fazer um arco memorável, apenas um exercício para matar saudade) . Assim chegamos a este primeiro capítulo. Há muito ainda a dizer, mas não quis sobrecarregá-los com um texto sem figurinhas. A depender da aceitação, continuarei com a história. Quem sabe uso o padrão Marvel/DC e estico ao máximo se for bem? Fiquem a vontade para críticas, elas são sempre bem vindas. UPDATE: A história continua aqui!

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