Antes de mais nada: “Sr, Geoff Johns, por favor, retire-se do meu set! Obrigado e até nunca mais!”

Bom, depois de mostrar como organizaria a coisa, é hora de falar da história.

Cena de abertura: close no rosto MUITO machucado e MUITO assustado do Coringa. Ele balbucia “Você… está fora de si!”

Uma rápida cena de escaramuça entre bandidos nas ruas. Corte para uma reportagem de TV, explicando que aquele foi mais um dos atos de violência ocorridos nas últimas semanas que trouxeram de volta à memória dos gothamitas os “maus tempos”. Abre para prefeitura, com imagens de um muito assediado, mas calado, James Gordon subindo as escadarias. Reunião com Marion Grange e Crispus Allen, onde é pedido a Gordon que retorne ao cargo de comissário. Enquanto a reunião se desenrola, flashbacks explicam como ele perdeu a função. Gordon não esconde uma dose de satisfação: “Vocês nunca pegaram o Batman! Ele sumiu quando quis… Quando confiou que nós conseguiríamos manter a cidade tão limpa quanto ele a deixou!”

Meryl Streep como a prefeita Marion Grange. Foi quem demitiu Gordon e pediu a prisão do Batman, alegando estar atendendo a um apelo popular. É muito inteligente e popular, acima de qualquer suspeita. Ver a Meryl num filme do Batman é um daqueles sonhos que, creio, dificilmente veremos realizados.

Na Mansão Wayne, Bruce bebe e assiste tv. O noticiário informa o retorno de Gordon, que se recusou a confirmar se iria suspender o mandado de prisão contra o Batman. Wayne fica mudando os canais rapidamente, todos eles mostrando atrocidades ocorridas em Gotham, perturbando o bilionário. Ele desce à Batcaverna e, diante do uniforme do Robin, lembra – flashback – de quando o encontrou morto e do ataque que desencadeou ao submundo, até encontrar o Coringa. Corte.

Cidade, noite de tempestade. Vários ataques a cidadãos são interrompidos pela violenta intervenção da sombra do Batman. Na Torre do Relógio, Bárbara Gordon monitora as primeiras notícias dando conta destes ataques: “Bruce?”

Rose Leslie como Bárbara Gordon, a Oráculo. Uma das maiores mancadas que a DC cometeu nas suas reformulações foi fazer a Oráculo voltar a andar e se tornar novamente a Batgirl (e, espantosamente, também a transformar numa versão adolescente e precoce de si mesma). Oráculo, além de personagem essencial dentro da mitologia do Batman (tendo uma importância que a Batgirl sequer sonhou), ainda representava uma sensível parcela da população mundial de forma digna, sem apelação. Rose – a Ygritte de Game of Thrones – é bonita, simpática, tem um ar inteligente e… é ruiva natural, com sardas e tudo! Todo filme deveria ter sua cota de ruivas!

Manhã seguinte. Gordon satisfeito ao ver as notícias em que as pessoas salvas descrevem, com grande exagero, a criatura que os ajudou. Na mansão, Wayne sente os efeitos físicos de agir fora de forma, enquanto discute com Alfred: “Por favor, Patrão Bruce, se for suicídio, tenho fé na sua capacidade de encontrar formas menos dolorosas para alcançar seu objetivo!”

Denzel Washington como Crispus Allen. Ele é um bom policial, com grande dificuldade para aceitar a ideia de um vigilante. Substituiu Gordon quando este foi afastado. Se destaca pela sua grande capacidade investigativa. A ideia é de que ele seja um personagem que gere desconfiança no público civil, que pode vê-lo como um elemento corrupto dentro da corporação. Denzel não apenas é muito parecido fisicamente com Allen como também tem capacidade interpretativa de sobra para passar uma certa dubiedade.

Passagem de tempo. Batman atacando bandidos. Disfarçado como Fósforos Malone ao volante do carro de Thorne. Gordon recolhendo criminosos amarrados nas ruas enquanto olha para o alto dos prédios, procurando pelo Morcego. Batman invadindo escritórios de Rupert. O Comissário comandando uma batida na residência de Thorne. O mafioso saindo da sede da polícia, onde foi levado a prestar esclarecimentos, se recusando a falar com a imprensa. Crispus cumprindo outros mandados de prisão. Rupert, descontrolado, espancando capangas, exigindo que descubram a origem dos vazamentos. Bárbara tentando contato com o Batman ou com Bruce, sem sucesso. Pessoas dão entrevistas na televisão, contra e a favor do Vigilante. Bruce Wayne se diverte em festas beneficentes promovidas pela prefeita, com quem flerta.

Stanley Tucci como o Ventríloquo. Eu estou meio cansado de ver sempre os mesmo vilões no cinema: Coringa, Duas-Caras… Pior, estou cansado de ver “versões do Coringa” como vilões dos filmes baseados em hqs (e não estou falando apenas dos filmes do Batman). Além disso, a Warner deveria topar o desafio da Marvel, que resolveu arriscar e levar um dos vilões mais ridículos do Homem-Aranha – o Abutre – para o filme do Cabeça de Teia. Pois bem, usemos o Ventríloquo. Quem leu Cidade Castigada, do Brian Azzarello e do Eduardo Risso, sabe que ele pode ser muito mais do que um velhote boboca que fala através de um boneco. Tucci é talentoso o bastante para segurar a peteca sem deixar que a coisa caia no ridículo.

Corte. Anoitecer. Clube Iceberg. Pinguim recebe Rupert Thorne e Arnold Wesker. O primeiro propõe uma trégua até resolverem o problema Batman. Cobblepot desdenha: “Ora, Rupert, eu sei que o Gordon vai te prender amanhã. por que eu faria um acordo com o sujeito no qual o Batman pintou um alvo?” Thorne parte, furioso. Pinguim diz que precisa falar com Scarface e Wesker gagueja que tentará marcar um encontro. Sozinho, Cobblepot fala com uma pessoa que se mantém nas trevas (o Exterminador):  “Aquele acerto ainda está pendente. Acho que pensa que Thorne ainda pode virar o jogo. Mostre que isto é um erro!”

Joe Manganiello como o Exterminador. O vilão é um mercenário, com habilidades ampliadas, mas ainda assim, como diria o Arquiteto de Matrix, é “irrevogavelmente humano, com os defeitos inerentes ” sua espécie”, como a soberba. Ele não é um ninja ou um samurai, alguém com código de honra ou uma concentração estupenda. Física e tecnicamente superior ao Batman. O ator – que fez uma ponta como Flash Thompson no primeiro filme do Homem-Aranha (Spider-Man, 2002) – já foi cotado para ser o Cavaleiro de Gotham.

Thorne é atacado por tiros disparados de um prédio, mas Fósforos Malone consegue manobrar o carro e estacionar, deitando sobre a direção como se estivesse morto, enquanto o mafioso foge para um beco. A sombra do Morcego se lança ao alto dos prédios, onde persegue o Exterminador. Quando parece que este será encurralado, ele – ainda envolto em sombras – dispara em Thorne, que passava abaixo deles. O tiro atravessa sua garganta. Batman desce e fica pressionando o ferimento. Gordon aparece e chama socorro, enquanto um policial toma o lugar do Batman, que fica olhando para o alto dos prédios, procurando. Gordon diz ao vigilante que é bom vê-lo na ativa novamente. O Morcego some: “Espero que, no fim disto, sua opinião não tenha mudado.” TV informa o atentado contra a vida de Thorne, mas que o porta-voz da polícia negou que o Batman fosse um suspeito.

A essência da “relação” Scarface – Ventríloquo.

Batman investiga Scarface, estranhando não encontrar absolutamente nada. Crispus está na mesma situação. Bruce passa a investigar Wesker, descobrindo que o mesmo foi paciente no Arkham, de onde recebeu alta, mas que todos os registros sumiram em um dos ataques do Coringa ao Asilo. Sua médica foi a Doutora Harlen Quinzel.

Margot Robbie como Arlequina. Nem dez mil Framboesas de Ouro me farão desistir dela!

Cenas correndo em paralelo: o Exterminador (ainda sem ser mostrado por inteiro) invadindo o escritório do Scarface, com Arnold como refém, e o Morcego, disfarçado de médico, visitando a Arlequina no Arkham. Harlen o saúda “Oi, Bats!”, mas parece se divertir em dividir este segredo com o herói. Ela conta que Wesker foi internado após matar a família alegando ser controlado por uma voz. Para auxiliar na terapia, deu a ele um objeto para que personificasse esta voz. “Você não sabia, Bats? O Arnold tinha um talento especial: ele era ventríloquo! Por isso, arrumei um boneco pra ele! O cara até deu um nome pra coisa!” “Qual nome?” “Scarface!”.

O Exterminador encontra o boneco sentado à escrivaninha e se descuida, tempo que Wesker pega o fantoche e se transforma, como se fosse o Scarface quem controlasse as cordas. O Exterminador é alvejado, mas se recupera e sai em perseguição aos dois oponentes. Wesker quase entra no carro, mas o boneco o  faz recuar para um armazém. O Exterminador ativa bombas. Explosão e desmoronamento. Wilson caminha até encontrar o boneco, despedaçado. Horas depois, Batman acha Wesker escondido em outro armazém próximo, ferido, mas vivo.

O Pinguim entra em seu escritório e, enquanto enquanto enche um copo de bebida, pede ao Batman, oculto, que se sirva também. Os dois debatem, com Cobblepot mostrando que, mesmo com tudo o que deduziu, o Vigilante não tem nada contra ele. “Por outro lado, você invadiu meu escritório! Isso torna tudo o que vai acontecer legítima defesa da propriedade.”, sinal para que o Morcego seja atacado pelo Exterminador, escondido até então, usando lâminas. Batman apanha muito, mas consegue escapar atravessando a janela e se jogando nos esgotos.

Torre do Relógio. Oráculo está nos computadores quando aparece um aviso de invasão na tela. Ela vai com os bastões olhar e encontra o Batman desacordado. Bárbara contata Alfred.

Gordon e Crispus Allen discutem por causa do Batman: “Ele não está colaborando conosco, Jim! Ele está nos tratando como lixeiros!”. Alfred lava as mãos com álcool, olhando para um Bruce costurado: “Agora, só podemos esperar, senhorita Gordon.” O mordomo sai e atende ao telefone: “Perdoe-me, Prefeita Grange, mas o Patrão Bruce teve que se ausentar da cidade repentinamente!” Bárbara olha para Bruce dormindo. Flashbacks: ela sendo baleada pelo Coringa e depois no hospital, onde o Batman lhe garante que o palhaço vai pagar por isso.

Cenas onde se vê o Pinguim organizando seu novo império, expandindo-o por toda a cidade, com o auxílio do Exterminador. Alfred e Bárbara conversam, enquanto olham para Bruce: “Eu o apoio no meio de toda esta loucura porque sei que muita coisa poderia ter sido diferente se eu estivesse à altura e tivesse sido um pai melhor para o jovem Patrão Bruce.” Gordon observa um organograma do crime e chama Allen, desafiando-o: “Sabe que está faltando alguma coisa… O quê ou… Quem?” Alfred e Bárbara conversam novamente, e ela pergunta porque Wayne se afastou dela e do seu pai: “O Patrão Bruce sabe o que é perder os pais por quase toda a sua vida. Mas ele não estava preparado para a sensação amarga de perder um filho!” A voz de Bruce completa: “Eu não consegui olhar para Gordon sem imaginar o quanto estive perto de falhar com ele ao permitir que sua única filha morresse nas mãos de um inimigo que eu fui incapaz de deter… de forma permanente.” Bárbara pergunta porque o Batman sumiu. Em flashback, é mostrado o Morcego espancando o Coringa, que pede que vá em frente: “Mostre pra todos, querido, que qualquer um, mesmo o Batman, pode passar do limite se sofrer a pressão certa!” O herói olha suas luvas ensanguentadas, percebe o que estava fazendo e sai, atordoado. “Eu precisava me livrar da tentação de me tornar um carrasco”, Bruce responde a Babs. “Você não nos colocou em risco, Bruce. Apenas nos deu esperança e os meios com o qual lutar…”, responde a ex-Batgirl, segurando a mão dele.

Passagem de tempo. Bruce se recuperando fisicamente, já na caverna, enquanto faz investigações, agora em contato permanente com Oráculo. Grange aparece chateada ao telefone, mas um criado lhe entrega um embrulho, onde está um belo cordão com pingente em forma de coração e um cartão de desculpas assinado por Bruce Wayne, o que a faz sorri envaidecida enquanto o coloca diante de um espelho. Pinguim, cercado de pessoas ricas no Iceberg, sorrindo e brindando.

Jared Leto como Coringa. Eu pediria que ele esquecesse as tatuagens, escurecesse um pouco o cabelo e parasse de agir como um don juan de hospício. Participação mínima, porém impactante. Claro, se a ideia de fazer os flashbacks em animação vingar, não precisaremos dele.

Gordon ao lado do bat-sinal, desligado. Batman surge. Eles conversam e o Gordon se queixa da falta de confiança. Batman tira o capuz, como uma forma de provar que confia no Comissário, mas este se recusa a olhar para o rosto dele: “Eu nunca precisei olhar quem está sob a máscara para confiar nele. Talvez eu até saiba que outro rosto você usa por aí, durante o dia, mas isto nunca importou realmente.” Batman recoloca o capuz e Gordon chama Allen que, ressabiado, não esconde o desconforto em trabalhar com um vigilante, mas diz que confia em Gordon.

Os três desferem uma nova ofensiva. Impossibilitados de pegar o Pinguim, fazem uma verdadeira devassa no submundo. Wesker acorda e aceita conversar com a polícia, depois que Gordon dá a entender que Batman mantém o Scarface como “refém”. Pela primeira vez demonstrando insatisfação, Cobblepot despacha o Exterminador para acabar com o Batman.

O confronto se dá na área pobre. O que parece ser um mero combate físico se revela uma série de armadilhas que o Morcego espalha pelo local, enfraquecendo o mercenário aos poucos. Mesmo assim, no fim ele quase domina o Batman, mas Crispus surge e atira no vilão pelas costas. Ainda de pé, o Exterminador termina sendo uma presa um pouco mais fácil.

Corte. O Pinguim toma uma bebida no seu escritório. Irritado, manda Batman falar de uma vez. O Morcego diz que o Exterminador foi capturado. O Pinguim desdenha e pergunta se o Batman vai bater nele também ou levá-lo para passar uma noite em uma das celas do Gordon. “Não”, Batman responde. “Nós dois sabemos que isso seria perda de tempo. Mas você disse que eu precisava entender a sua visão do crime como um grande negócio. Bom, todo grande empreendimento que passa por uma súbita expansão demanda tempo para ser organizado. Tempo que você não terá. Pretendo me dedicar noite após noite a diminuir severamente o seu… fluxo de caixa.” Cobblepot faz pouco caso, mas o Morcego arremata: “E eu tenho tempo de sobra: você me ajudou a eliminar a concorrência.” O Pinguim tenta uma última cartada, dizendo que o vigilante e seus aliados deixaram passar um dos chefões. “Quem disse que deixamos passar?”, Batman arremata, sorrindo.

Um restaurante chique. Bruce Wayne janta com Marion Grange. Ela fala em desistir da candidatura a reeleição para seguir Bruce “em uma dessas suas loucas viagens pelo mundo”. Quando estão de mãos dadas, Gordon e Crispus aparecem e lhe dão voz de prisão. A prefeita se faz de desentendida, mas Gordon diz que ela vem manipulando a situação na cidade desde que chegou ao poder para ter parte substancial dos lucros com operações ilegais em Gotham. “Rupert Thorne era o seu sócio. Quando ele se revelou um vilão de rua, incapaz de resolver o caos, você o deixou exposto.” Enquanto o Comissário fala e Bruce, aparentando desconforto, escuta tudo, vemos pequenos flashs: Gordon circulando um elemento em uma das anotações roubadas de Thorne, com repasses de dinheiro vultuosos para uma pessoa desconhecida; Batman, na caverna, investigando autoridades da cidade no computador, fixando-se em Marion; Allen investigando o patrimônio da prefeita, mas confessando estar difícil ligá-la a qualquer coisa desonesta; Bruce se levantando da cama da prefeita e colocando um pen drive no notebook dela; Oráculo cruzando informações roubadas; Wesker confirmando: “Eu nunca suspeitei de nada, mas o Sr. Scarface? Ele é brilhante!”. “Tudo isso é um mal entendido, querido! Logo será esclarecido! Me acompanha?” Bruce balança a cabeça e balbucia desculpas. Grange olha pra ele com um misto de nojo e decepção, e estende as mãos para as algemas, mas Wayne pede o cordão com o pingente de volta. Marion o joga sobre a mesa, enojada, e sai escoltada pela polícia, enfrentando fotógrafos e cinegrafistas com um sorriso confiante no rosto. Bruce abre o pingente e extrai um aparelho de lá. Liga para Oráculo e confirma que recuperou o espião eletrônico, que possibilitou o rastreio de contas da prefeita.

Corte. Um casal com o filho entra em um beco à noite. Um criminoso os acompanha e, antes de entrar no mesmo beco, saca uma arma. A câmera sobe rapidamente ao alto de um prédio, onde a sobra do Batman se destaca, com a capa voando. O herói se atira em direção ao chão. Corte.

Cena final. Slade Wilson algemado e amordaçado sai de um camburão de segurança máxima. Uma pessoa se aproxima e recebe a ficha dele. “Ora, Slade, eu sabia que era uma questão de tempo até você voltar para nós!” “Bom, e agora? De volta às missões suicidas?”. A câmera vira e vemos Amanda Waller. “Tenho grandes planos pra você. Talvez até te arranje uma equipe desta vez. Um… Esquadrão!”

Viola Davis continua como Amanda Waller.

Bom, é isso. Um roteiro sem firulas para fazer um filme simples, procurando ao máximo se encaixar dentro da visão snyderiana do Universo DC (embora, confesso, não consegui fazer o Batman assassino visto em BvS). O objetivo é, focando nos personagens, evitar um roteiro cheio de “intenções” que se perdem depois na edição final (e que nem uma edição estendida resolve à contento). Observem que, embora existam quatro vilões discerníveis, busquei organizar o tempo de tela e a função de cada um na história. Talvez o problema maior seja fazer com que o público compre a ideia de que Allen pode ser o elemento criminoso que falta no organograma, mas confio no talento de Denzel e de Meryl para fazer isto a contento. Bom, agora é só esperar tocar o telefone.

 

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