Depois de todo mundo e de todo o hype….

Sala, salve cambada de Enxutos e Enxutetes! Antes de chegar aos ‘finalmentes’, vamos introduzir (ui) um breve contexto histórico para situar o leitor destas mal digitadas linhas sob o meu ponto de vista e as opiniões daí advindas.

Bem, assim como a maioria dos redatores desta pocilga chamada BdE, sou oriundo da área de comentários do ‘mundialmente reconhecido’ MdM, aquele site que todos amam odiar. E mesmo lá, coisa de década atrás, ouvíamos sobre a possibilidade de um dia termos o filme da Liga da Justiça. De tantas idas e vindas com o projeto, o filme da Liga virou uma espécie de ‘lenda’, quase um meme da internet. O jargão que foi utilizado até bem pouco tempo, quando algo era pouco provável de acontecer, era brincar dizendo que só viria ‘depois do filme da Liga’. Obviamente, tratava-se de uma implicância com os fãs mais ardorosos da DC e não por não gostarmos da editora, muito pelo contrário. Havia nesta brincadeira um certo ‘alívio’ cômico para uma situação que lá no fundo (eita) nos deixava decepcionados com o rumo que Superman, Batman e sua turma estavam trilhando no cinema.

Esse é o Batman que queremos nos cinemas

A história virou lenda, a lenda virou mito, até que a Warner lançou mão do Snyderverso no cinema, iniciando pelo Homem de Aço. Polêmicas a parte (e talvez por causa delas), a trancos e barrancos, saíram BvS (credo), Mulher Maravilha, Esquadrão Suicida… pronto! O caminho estava livre para que o momento esperado há anos pudesse acontecer. Envolto em polêmicas por conta dos filmes que o antecederam e com o ‘padrão Snyder de qualidade’ sob suspeita de alguns e alegria de muitos, o filme chegou. E é neste contexto que um fã da DC, no geral, e do Superman, no particular, irá tecer seus comentários (por sinal, ouça aqui as opiniões de alguns Enxutos sobre o que deveria ser o Superman…).

Direto ao ponto. O filme da Liga da Justiça teria sido um sucesso… se o lançamento tivesse ocorrido 10 anos atrás. Explico: justamente neste período, mesmo com uma fórmula batida e dando sinais claros de saturação, a Marvel pôs seu Universo Estendido nos cinemas começando no que agora parece ser o longínquo 2008, quando foi lançado o Downey Jr de Ferro. Quatro anos depois, chegava com estrondoso sucesso o filme dos Vingadores e, partindo daí você leitor, conhece toda a história. Gostando ou não, é impossível não imaginar que o público do cinema não teria o fator ‘replay’ na cabeça e as comparações acabassem sendo inevitáveis. E a própria Warner parece ter assimilado o golpe ao incorporar cenas de pós-créditos em suas películas.

Este ponto acabou me levando a uma reflexão: até que limite os filmes do Batman / Nolan ‘atrapalharam’ a criação de um universo estendido da DC nos cinemas? Obviamente estamos entrando no campo da pura especulação, entretanto considerando o grande sucesso que o Morcego ‘realista’ fez, ficou muito difícil a empresa conseguir fazer o mesmo de forma crível com o restante dos heróis da DC. E mais: o tom mais ‘centrado’ dificultava ainda mais a entrada de superseres, pois, afinal, sem algumas liberdades poéticas, no nolanverse não seria factível, por exemplo, o Bátemã sair no braço com o Superman. Advindo daí, mas sem dados ou fatos para comprovar, mesmo considerando um filme ‘dark’ e sério para uma LJ Nolanficada , até que ponto o sucesso poderia ser replicado? O foco para uma mega produção, cara pra dedéu, não deveria ser um público maior, incluindo os infantes por volta dos seus 10-12 anos, aumentando a possibilidade de outros ganhos além da própria bilheteria?

Christopher Nolan conversa com Zack Snyder nos bastidores de Mano of Estilo
Recomendação do Sorg

Enfim, sob esta ótica e devaneios a parte, LJ notadamente é um esforço da Warner / DC em se aproximar mais do padrão Disney de fazer filmes de heróis.  Funciona? Em partes, sim. Há cenas que o moleque perdido há anos dentro de mim conseguiu surgir e esboçar um sorriso de infância. Momentos impagáveis, como por exemplo, (spoiler) quando o Flash, logo após Superman ser ressuscitado, descobre abismado que o último filho de Krypton consegue vê-lo em alta velocidade. O chamado ‘fator cagaço’ foi de fato hilário. E o principal: sei que muitos dos leitores novatos não curtem, mas o Superman FINALMENTE LEMBRA O SUPERMAN. Ele sorriu. Não ficou com cara fechada o filme todo. Ajuda as pessoas. ISSO É O SUPERMAN, POMBAS! (apesar do lamentável retoque no bigode) Interessante que Whedon (DUVIDO QUE FOI O SNYDER), logo de cara na primeira cena do filme, mostra o Superman como jamais deveria ter deixado de ser. Algo como: aqui pessoal, este é O cara. Esqueçam o mal humorado de BvS e o ‘matador’ de MoS…. (ok, o matador foi só para polemizar mesmo).

Talvez seja esse o Superman que precisamos…

Obviamente, tem coisas que não funcionam e muito o amigo Sorg latiu aqui. O roteiro ser um fiapo e desculpa para juntar os heróis já está na conta e, sendo sincero, não fez muita diferença, afinal precisaria ser muito inovador para fazer algo diferente. Apostaram na segurança, evitando os problemas anteriores (BvS estou olhando para você e falando contigo ES). Vou ao ponto que deve ser o mais polêmico aos fãs do Snyderverso e Nolanverso: o Batman. Sim, meus caros Cuequinhas Verdes, o Bátema faz piada. E não foram poucas. Sendo para mim um dos vacilos do filme: seria bem mais interessante se fizessem como a saudosa Liga da Justiça da América, conhecida como Liga Cômica. Não entendi, tio King, pois estas coisas de velho não são do meu tempo. Explico, jovem gafanhoto. Se deixassem o Morcego sisudo e as cenas de humor justamente acontecerem por conta disso. Não infligiria ‘danos’ à imagem Dadárqui do Batemã e ainda sim seria impagável.

Saudades…

Muitas palavras e pouca ação deste escriba. Desculpem, mas era um filme há muito esperado e, por isso, minha empolgação na análise. Prometo que estou próximo ao fim. Continuem por aí. Mais uns três parágrafos e terminamos.

Sobre os efeitos, em geral foram um ok, bem médio mesmo. O pior momento foi o ‘bigodon’ do Super e o próprio Lobo da Estepe. Se fosse há alguns anos, estaria excelente, mas hoje em dia pareceu que faltou grana para algumas cenas do vilão. De resto, salvo uma cena ou outra , em linhas gerais o estilo visual ficou bem mais interessante e claro, sendo possível ver o que acontece na tela. As cores um pouco mais vibrantes e menos ‘darquis’ ajudaram a amenizar o clima, auxiliando o tom mais leve da proposta do enredo.

As atuações. Gadot novamente confortável no papel de MM e com carisma nota mil. Pode não ser atriz para ganhar o Norrin Rad dourado, mas ‘coube’ bem como amazona, mesmo com as considerações iniciais de ser ‘magra demais’. Cavill foi o mesmo de sempre, só que agora ajudado por um roteiro que mostra um Superman mais próximo do senso comum sobre o herói (considerando a média, afinal há uma minoria barulhenta que preferiria o Superman de Injustice nos tempos atuais). Momoa é o Khal Drogo de sempre, falando em inglês ao invés de dothraki. Entendi o conceito do personagem ser apresentado desta forma e foi uma solução razoável, com alguns deslizes de bad boy desnecessários. Considerando que o senso comum é o Aquaman da animação clássica da Liga, havia necessidade de trazê-lo em um status mais ‘realista’. Ezra Miller faz o alívio cômico e consegue, apesar da ‘concorrência’ com o Barry Allen da série. Meu filho, por exemplo, resistiu até o fim em se convencer de que Miller era o Flash e não Grant Gustin. Foi vencido pelo ‘cansaço’ e no fim acabou curtindo o personagem. Ray Fischer é mal explorado e poderia render mais. Bátemã merece parágrafo próprio.

S2

O Matt Murdock me faz pensar como seria um filme solo da Morcega. Percebo um esforço do ator para trazer um Batman mais fiel possível aos quadrinhos, mas agora transmitindo alguma ‘insegurança’ no tom a ser adotado, especialmente quando se lê/ouve suas entrevistas. Em geral e dentro do possível, faz um herói sóbrio e que eu gostaria de ver mais tempo em tela, em uma película dedicada a ele. Merece esta oportunidade.

AGORA SÓ FALTA UM POUCO DE VERDE, PARA A LIGA FICAR COMPLETA.

Um longo post para chegarmos aqui e aos finalmentes. Não é o filme dos sonhos. Não é o pior filme do mundo. Apresenta uma transição de uma visão que a Warner / DC parece ter se dado conta que estava equivocada. Só não sei se o problema é ser mais ‘sério’ ou ‘cômico’. Talvez o maior problema tenha sido a empresa ter apostado suas fichas no Snyder como diretor e fio condutor para um universo cinematográfico. Esta sim é a causa raiz. Como será resolvido isso? Não faço ideia, afinal já foi construído um ‘cânone’ em três filmes-base (MoS, BvS e JL) e alguns atores ainda tem ‘vida útil’ com os personagens. Entretanto, sempre há um flashpoint para resolver isso..

Enfim, vale uma visita ao cinema. Mesmo que seja para falar mal do todo e ter algumas cenas que façam a criança e fanboy da DC dentro de você sorrir… Meu filho curtiu e ele nem queria assistir. Que tempos estranhos este, onde um jovem de 10 anos prefere Thor (!) à Liga… está vendo, Warner, o que os senhores estão fazendo?

Nota 7 de 10.

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