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Até que ponto podemos ir para sobreviver? Até que ponto chega a bestialidade humana? O que nos move na luta pela vida? Perguntas difícieis, mas você pode achar algumas respostas nessa HQ.

Estamos em 1935, Alemanha. O país ainda luta para superar o desastre que foi a derrota na Primeira Guerra Mundial, embobrecido e humilhado pelas nações vencedoras e com um povo que ainda guarda muitas das cicatrizes da guerra. Nesse cenário surge um discurso que procura restabelecer a grandeza do antigo Império Germânico, um discurso que enaltece a raça ‘pura’ ariana, apropriando-se de elementos da mitologia nórdica e dos feitos militares da civilização Romana. E como todo discurso de supremacia e grandeza, é necessário que haja inimigos para onde canalizar todo o ódio e rancor desse povo derrotado. O inimigo foi então escolhido, ele está no meio do povo alemão, dentro de suas fronteiras, vivendo em suas cidades. Max Eisenhardt é um inimigo. O problema é que ele não sabe disso. Ainda.

Quando se tem 14 anos é difícil identificar alguns aspectos sórdidos da condição humana, como a necessidade de se humilhar o semelhante para se sentir bem consigo mesmo, Max não entende isso, como toda criança, aliás, não deveria sequer saber que esse tipo de coisa existe. Mas ele acaba sabendo, e da pior maneira, sentindo na própria pele, na escola onde estuda, porque a ele, um judeu, não é dado o direito de ser melhor do que um ariano. Mas ele é. Inteligente, atlético, brilhante, virtudes que os alemães só podem atribuir aos da sua “raça”, virtudes inadmissíveis a um reles judeuzinho, mas Max sabe de seu valor e se recusa a fazer esse papel, recusa-se a abaixar a cabeça perante os que o perseguem. E como se não bastassem as habilidades atléticas e mentais, Max tem um dom, um dom relativo a metais. Ele é bom em achar coisas metálicas, é bom em atrair ou repelir objetos de metal, um dom ainda no início, mas que pode ser muito útil diante da tempestade que se aproxima.

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Recomendação do Sorg

E a tempestade chega, e chega avassaladora. Max, seu pai, seu tio, sua mãe e sua irmã têm que fugir de Berlim e procuram refúgio no interior da Polônia. Trágico erro, a fúria ariana tem justamente a Polônia como seu primeiro alvo, e as forças alemãs, com seus tanques de ferro e metralhadoras, destroem completamente os pobres soldados poloneses a cavalo e baionetas.  Aos Eisenhardt só lhes resta fugir novamente, dessa vez para a capital, Varsóvia, onde esperam ter a proteção de outros judeus e formar uma comunidade. Mas os alemães chegam a Varsóvia, levando de sua terra natal o já consolidado ódio contra os inimigos judeus. Eles são então confinados em um setor da cidade, um gueto, o Gueto de Varsóvia, onde Max luta para dar comida a sua família faminta, porque os alemães racionam comida e água na esperança que os milhares de judeus morram aos poucos de fome e sede. Com as suas habilidades especiais e contrabandeando o que pode ser contrabandeado Max consegue sustentar seus familiares, mas a situação fica tão desesperadora que eles fogem de novo. Só que dessa vez são descobertos e a punição para quem é pego fugindo é a morte.

Como vocês devem saber Max não morre, o único da família que sobrevive ao fuzilamento, porque suas habilidades com metais fazem desviar as balas. Seu dom só não o protege de ser capturado e parar em um campo de concentração na região de Auschwitz, onde ele terá que fazer coisas terríveis na luta diária pela vida, porque Auschwitz não é só um campo de concentração, é também um campo de extermínio. E nesse lugar macabro para não morrer ele busca ser útil para os alemães, e a forma de ser ‘útil’ nesse lugar é fazendo coisas como ajudar a conduzir os recém chegados judeus à câmara de gás sob pretexto de que vão lhe dar um banho para eliminar parasitas, ou retirar os cadáveres das mulheres e crianças mortas pelo “banho”, ou empilhar os corpos nas covas coletivas e, quando não há mais espaço na terra, jogá-los nos gigantescos fornos crematórios. Usando de suas habilidades ele extrai tudo de metal e de valor que os corpos de seus irmãos étnicos levavam consigo, e assim ele consegue itens de valor para contrabandear e se manter vivo nesse inferno.

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E quando a luta pela vida já se mostra absolutamente sem sentido e inglória, quando ele começa a desejar estar entre os corpos que carrega e saqueia diariamente, quando ele já deixa enterrado na terra seu testamento, eis que surge um motivo para ele continuar vivo, um motivo para ele continuar lutando.

E Max luta.

E sobrevive.

Embora as marcas obtidas nesses anos de brutal sofrimento moldem seu caráter para o resto de seus dias.

Magneto nunca os perdoará.

Nunca nos perdoará.

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Magneto – Testamento

Panini Books

132 páginas

Encadernado

Originalmente publicado em X-Men: Magneto Testament 1 (novembro de 2009)

Roteiro maravilhoso de Greg Pack

Desenhos lindos e terríveis de Carmine Di Giandomenico

Cores brutais de luto e sangue de Matt Hollingsworth

Acompanha também pequena história sobre a vida real de Dina Gottliebova, artista judia que foi confinada em Auschwitz e só não foi mais uma a ser assassinada porque tinha um talento especial, ela sabia desenhar e pintar muito bem, e os alemães aproveitaram o talento dela para obrigá-la a retratar alguns judeus que eram utilizados em experiências “científicas”, principalmente as vítimas do Dr. Joseph Mengele (morto no Brasil em 1979). Desde o fim da Guerra Dina tenta reaver os quadros pintados em Auschwitz mas o Museu do Holocausto na Polônia, que detém os quadros, recussa-se a devolvê-los a sua autora, o que provoca até hoje indignação dos desenhistas e artistas que exigem a devolução dessas pinturas a Dina. Que prossegue em sua luta.

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