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Olá outra vez, jovens e jovas! Eis-me cá novamente. Sim, a seca não me derrotou! Ainda…

Pois bem, negadinha, desde que estrelou Matrix no longíncuo ano de 1999, Keanu Horrivis declarou ter se apaixonado pela filosofia das artes marciais chinesas orientais da china kung fulesca. E eis que, anos depois, o ator mais expressivo desde o cigano Igor finalmente resolve por essa paixão pra fora em forma de película. E assim nasce Man of Tai Chi (O Homem Da Tachinha, em inglês Leonórdico), onde o mestre da interpretação nível tijolo deixa o papel principal em segundo plano para atuar em outra área que não exija complexas expressões faciais de emoção: Na direção.

“Mas o filme é tão bom quanto as nuances interpretativas do oscarizável Keanu, titio Hellbolha?”, você pergunta, jovem mancebo (a)! Bem… comecemos com uma breve introdução ao longa…

Man of Tai Chi conta a história de Tiger Hu Chen, um jovem portador da maior testa de toda a Ásia e praticante de Tai Chi, a milenar arte de espantar pernilongos com elegância e leveza. Tiger vive uma vida tranquila, trabalhando como motoboy em uma empresa de entregas de comida chinesa e sendo esculhambado pelo seu chefe, pelo chefe dos outros e pelo universo. Em seu tempo livre vai até o velho templo para praticar seu Tai Chi com seu não menos velho mestre, além de participar de um campeonato regional de artes marciais e baixar o sarrafo em todo mundo. Mas Tiger está insatisfeito com o estilo calmo e suave do Tai Chi. Ele acredita que o Tai Chi pode oferecer mais além de movimentos cochilativos e é claro que seu mestre discorda.

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Olha… o tamanho… dessa testa…

Em paralelo a isto, temos Donaka Mark, “interpretado” pelo “Jenial” Keanu Reeves, um um introvertido homem de negócios que organiza violentas lutas clandestinas para encher seu rabo, já cheio de dinheiro, com mais dinheiro ainda! Após perder seu principal lutador num pequeno… ééé… “desentendimento”, Donaka procura um novo astro para seu campeonato do mal. E eis que, ao assistir a um dos combates de Tiger pela TV, ele encontra o que tanto procurava: Não só um lutador talentoso, mas uma alma para corromper! Para tanto ele irá usar de todos os artifícios a fim de integrar Tiger a seus planos malignos de empresário DU MAL, desde ameaçar o templo de interdição, por debaixo dos panos, para forçar Tiger a lutar pelo dinheiro e impedir que isso aconteça, até oferecer uma chance do testudo kung fu encontrar o tal “algo a mais” que tanto busca no Tai Chi.

Recomendação do Sorg

Na subtrama temos o velho clichê da policial que investiga a budega toda. Nesse caso, uma policial que parece o Donnie Yen de peruca… credo…

Entre muitas tapas, bolachas, chulipas e voadoras, o filme se desenrola e culmina no embate entre Tiger e Donaka. Um combate que irá provar que a atuação não é a unica coisa capenga que o senhor Reeves tem…

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A expressão de Keanu Reeves interpretando uma action figure. Fantástico!

Agora sim, analisemos o filme! O roteiro, obviamente, não é nenhuma pérola da originalidade. E isso nem importa tanto, já que o que o público quer ver é o tapa voando solto. Apesar disso, Keanu Reeves tenta adicionar uma pitada de filosofia à trama com até alguns momentos interessantes. Mas o foco mesmo é a derrocada de Tiger de um lutador “zen”, para uma verdadeira máquina de ódio com sede sertaneja de sangue. Nesse ponto as intenções do personagem de Keanu Reeves lembram a do Coringa em TDK.

A direção de Keanu não fede nem cheira. Não existem ângulos de câmeras inovadores e nem extravagantes. Mas pra uma coisa deve-se tirar o chapéu pro Neo, ele não fica com aquela frescuragem, muito comum hoje em dia, de ter 127 cortes em uma cena de luta, deixando a coisa toda uma confusão ensebada. As lutas são muito bem filmadas, com ângulos abertos que deixam toda a plasticidade das coreografias fluírem na tela.

As coreografias, aliás, são um show a parte! Idealizadas pelo veterano Yuen Wo-Ping, velho conhecido de Keanu desde Matrix, as coreografias deixam o “arame-fu” de lado na maior parte do tempo e o substitui pelo peso do MMA, deixando a coisa mais atual e trazendo um contraste forte com o Tai Chi de Tiger. Se bem que este meliante parte pro MMA também a maior parte do tempo…

O Tai Chi integrado ao peso do MMA e a leveza e graciosidade do Dirty Dance.
O Tai Chi integrado ao peso do MMA e a leveza e graciosidade de Dirty Dance.

A primeira luta na sala cinza é de encher os olhos dos amantes da porradaria arte, moleque, de várzea. Com golpes pesados e chaves muito bem executadas e, como já citado, com quase zero de “arame-fu”. E isso se segue nas lutas seguintes. Pelo menos até a metade do filme. Depois disso o “arame-fu” se intensifica, o que causa um contraste violento com o que o filme propôs até ali e causa uma quebra na estética da película que soa desconfortável demais. Outro ponto lamentável é o penúltimo combate do filme, onde temos a participação de um convidado muito especial (e uma surpresa e tanto pra mim). Trata-se de Iko Uwais, protagonista do “espetacularmodáfockabagarai” The Raid, vulgo “Operação Invasão” no Brasil. Quando a gente pensa que a porrada vai comer com violência… o filme te dá aquela broxada ferrada…

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Mas a tragédia grega começa mesmo na luta final!

Quando “interpretou” Neo em Matrix, Keanu Horrivis havia sofrido uma lesão no joelho e estava se recuperando de uma operação, o que o impossibilitou de usar muitos chutes nas cenas de luta. E quando vemos o duelo final entre Tiger Chen e Donaka Mark percebemos que esse fato só pode ter sido intervenção divina em prol dos irmãos Waxaxá. Por que, amikinhus… quando Keanu Reeves resolve dar um Roundhouse Kick… Chuck Norris só não chorou, porque… bem…, porque CHUCK NORRIS NÃO CHORA!!!

A cena aproveita o tamanho do Neo pós-aposentadoria em relação à Tiger para tentar mostrar um homem poderoso, assustador e quase indestrutível, tipo o Rugal em The King of Fighters (o jogo, não o filme onde ele se tornou um pigmeu kung fu). Mas essa ideia vai por água abaixo quando Keanu resolve começar a se mover com a suavidade de um tijolo e a leveza de um garrafão de 20 litros. Ele simplesmente NÃO CONVENCE como um adversário superior contra o china testudo que distribuiu porrada o filme inteiro. É, de longe, o momento mais constrangedor do filme e, quiçá, de toda carreira de Keanu Reeves! Saudades de Bill e Ted… o único papel bom que este cabide fez a vida toda…

Em suma, tirando essa luta final cagada, Man of Tai Chi não mata, mas também não engorda. Um filme mediano, daqueles pra assistir num dia chuvoso, ou simplesmente preguiçoso, e se entupir de pipoca Karintó e Dolly geladinha.

Nota: 7,5

Ah, vale citar aqui alguns pontos interessantes do filme, mas que não tem envolvimento direto com a trama (só com minha cabeça perturbada mesmo…):

1- Na cena de combate inicial do filme, o vencedor se recusa a matar seu adversário. É quando uma sinistra figura, trajando um paletó cinza e uma máscara negra, entra e quebra o pescoço do derrotado. Era para ser um cara misterioso, mas ninguém consegue ser misterioso quando se tem os pés pra dentro, os ombros pra trás e anda feito um adolescente retardado da Califórnia. Parabéns, senhor Reeves! O senho é quase um ninja!

2- O ator Tiger Hu Chen (sim, esse é o nome dele também na vida real) lembra, em muitos momentos, Keanu Reeves nos tempos de Bill e Ted, só que com uma testa que dá pra colocar um anúncio nela. Aliás, Tiger era dublê no filme Matrix (ele pode ser visto na cena da luta no hall em Matrix: Reloaded) e começou a estudar atuação desde então, já que os planos para realizar esse longa advinham desde dessa época.

3- Em uma das lutas no campeonato tradicional de artes marciais do filme, Tiger enfrenta um cosplay do Xororó!

4- Keanu Reeves interpreta um homem frio, calculista e que não demonstra nenhuma emoção. O primeiro papel onde ele se encaixa perfeitamente e, mesmo assim, ele ainda falha em alguns momentos…

E po… po… po… por hoje é… é… é… só pe… pe… pe… pessoal!

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