O melhor Coringa de todos os tempos da última semana… (sem spoilers. Ou quase)

Salve, salve, cambada de Enxutos e Enxutetes que riem sem motivo algum. Após mais um longo e tenebroso inverno, eis que retorno a este espaço fétido e mal arrumado para trocar umas ideias sobre o mais novo longa DCnauta: Coringa. Sigam-me os bons. 

Primeiro aos fatos, sem grandes spoilers e chupinhado de algum lugar da internet ao qual não faço questão de dar créditos: Arthur Fleck (Joaquin Phoenix Negra ) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante (ok, tem alguns spoilers aí, não me culpem).

Comecemos, a la Jack, por partes. O enredo do filme promete muito e entrega pouco. Este é um dos pontos fracos da película, sem sombra de dúvidas. O roteiro de Todd Phillips (que também é o diretor) e Scott Silver ao fim e ao cabo deixa uma sensação de vazio, faltando algo a mais. É difícil escrever a respeito e vou explicar quando falar do Cavaleiro de Fênix. Entretanto, fica explícito que os cabras tangenciaram um assunto mais polêmico, como o fato dos ‘ricos’ não ligarem para os ‘pobres’ ou como não existe um cuidado real com as pessoas com problemas psicológicos, e não foram além. Pode ter sido uma estratégia, deixando ‘subentendido’ o contexto geral, mas enfim….

Além destes fatos, para variar, mais uma história de origem do Batman para ‘reforçar’ o conceito. Por outro lado, o clima é tenso, intenso e bem ‘pesado’. De fato, um filme para maiores de 16 anos sem dúvidas. E aí um furo para lá de grotesco: em uma cena no limite de ser ‘gore’, cria-se um momento humorístico. Sendo sincero, foi engraçado e inesperado. Contudo, todavia, entretanto…. pareceu deslocada do contexto, uma cena ‘solta’ para uma película tão intensa. Fazendo coro com o nosso colega Sorg, o qual latiu isso em nosso grupo de zapzap do BdE, a trilha sonora não foi bem escolhida e é mal aplicada, com tons dissoantes do contexto da cena apresentada em tela. Fora que não há algo marcante ou tão presente quanto o protagonista requer.

Por falar no protagonista, não há palavras para descrever a atuação de Joaquin Ikki de Phoenix. Só os velhos entenderão: lembram-se de Náufrago, onde Tom Hanks domina a cena? Aqui é idêntico (mas sem o Wilson). A interpretação do Coringa é magistral de tal forma que você literalmente esquece todo o resto. Sua caracterização física, trejeitos e maneira de falar ao se transformar no personagem são muito acima da média recente de quaisquer gêneros no cinema. A loucura te convence. Há um misto de pena e medo. Você compadece do personagem ao mesmo tempo que entende o limite no qual ele foi posto, ainda mais com a doença mental ora apresentada. Sem sombra de dúvidas: o Manoel merece e deverá estar na lista dos indicados ao Norrin Rad dourado.

Então, qual o veredito? É um filme ‘ok’ com uma atuação magistral do protagonista. Não vale pagar um ingresso caro para uma sessão 3DXYZ, com som surráundi. Apesar disso, pagando um preço justo, é um filme que merece ser assistido pela atuação do Joaquin. O resto é polêmica vazia sobre ser de esquerda, direita ou meio…..

E já sabendo que teremos polêmica, qual o melhor Coringa de todos os tempos? Na minha Umilde opinião, são momentos diferentes em filmes com focos distintos. Nicholson revolucionou em um filme ‘sóbrio’ para sua época. Ledger trouxe ‘realidade’ e caos para um mundo ‘nolanzete’, mas ainda um filme do Bátemã. Phoenix teve a oportunidade de protagonizar sozinho, focado somente no personagem título. Entre estes, eu fico, claro, com esse daqui:

Nota 7,5 de 10