Leiam tranquilos, livre de spoilers.

Salve, salve, cambada de Enxutos, Enxutetes, Trutas e mutuninhas em geral! Saindo de um período de hibernação digital, eis que retorno ao vosso convívio virtual com as minhas impressões acerca do último filme de Hugh Jackman no papel do Carcaju canadense mais famoso dos quadrinhos: Logan.

Simbora. Trocávamos umas ideias no zapzap do BdE e um dos consensos foi que escrever sua opinião logo após assistir uma película é algo um tanto difícil. Explico: as ‘emoções’ ainda estão ‘a flor da pele’ e há de se ter um tempo para refletir melhor sobre o assunto, com o objetivo de não ser traído pela ‘empolgação’ inicial. Seja para o bem ou para o mal. Neste caso em específico, e não chega ser novidade a quem lê por aí meus textos, sou um fã dos X-Men e, em especial, do Wolverine. Não o atualmente morto, mas sim sua versão ali do final dos anos 80 até meados dos 90 (é, pois é, sou um Old Machine King…). Além disso, confesso que sempre gostei do Jackman como o Carcaju, independente da qualidade do filme.

Feito o ‘disclaimer’, vamos ao que interessa. Logo de cara aviso aos fãs xiitas (ou sunitas, ou judeus ortodoxos, ou cristãos heterodoxos ou quaisquer outro tipo de radicais) que não vá esperando assistir Old Man Logan dos quadrinhos no cinema. A história ‘resvala’ no original e não necessariamente isso é ruim. Pelo lado positivo: você pode curtir o enredo sem já saber de antemão o que vai acontecer na cena seguinte. O lado ruim é frustar alguma expectativa sua de querer ver o quadrinho em tela. Como não tenho esta última pretensão, em linhas gerais, o enredo me agradou. Se você está lendo estas mal digitadas palavras, provavelmente já sabe , mas vai lá: em um futuro não tão distante, os mutantes pararam de nascer e são poucos que restam. Logan agora trabalha como uma espécie de Uber de limusine e cuida de um Xavier velhaco e doente, cujas convulsões podem matar quem estiver ao redor. O canadense também já viu melhores dias: pinguço, seu fator de cura não funciona mais como outrora. Tenta a todo custo não se envolver em confusão, entretanto a coisa muda de figura quando uma misteriosa menina com poderes semelhantes aos seus cruza seu caminho, sendo perseguida pelos Carniceiros. E chega de enredo, para não entregar spoilers.

Recomendação do Sorg

As atuações. A atuação de Jean Luc Picard é irrepreensível. Seu Xavier convence e comove com sua doença degenerativa. A química entre Jackman e Patrick de longe é o ponto alto do filme. Os caras fazem a coisa parecer natural e não há como não acreditar no que está assistindo. A jovem Dafne Keen também defende muito bem sua Laura, em especial na primeira metade de sua participação. (spoiler pequeno) Há uma queda quando começa a falar no decorrer do filme, entretanto não tira os méritos da menina. O mais fraco sem dúvidas é o Donald Pierce de Boy Holbrook (Narcos). Não compromete, passa raspando, com seu vilão unidimensional e no limite do caricato de novelão da Globo. Os demais, ou tem pouco tempo em tela, ou são bons coadjuvantes como foi o caso do Caliban e do cientista (que não posso revelar mais nada para não ter spoilers).

E por fim, Hugh Jackman. Como escrevi antes, o ator sempre defendeu bem o papel, independente da qualidade do filme. Sei que muitos criticam até mesmo pelo fato das características físicas ou comportamentais do Wolverine não serem as mesmas do quadrinho. Ok, entendo. Agora saindo desta perspectiva e entrando no mundo criado pela Fox nos cinemas, de longe, mas muito longe mesmo, Jackman foi o cara que melhor comprou a briga por seu papel. Não podemos esquecer de McKellen e Stewart, óbvio, mas estes já eram consagrados atores e de reconhecimento. Até se fizerem um filme como Dadá e Moe sobre o BdE, os caras iriam convencer. Hugh não. Ele era desconhecido no primeiro X-Men. E foi evoluindo com o personagem ao longo do tempo, ‘sofrendo’ com X-Men Origens. Tentanto melhorar com Imortal. Passando pelos 6 filmes da franquia, nem que seja de ‘raspão’ na Primeira Classe. E finalmente tem a sua chance de fazer o filme que gostaria. Um filme que os fãs estavam esperando, com violência, sem meias palavras, seco e com palavrões. Ele trouxe alma ao Wolverine dos cinemas e nesta última participação, se supera. O mutante bruto e raivoso, no fim de seus dias, consegue transmitir a mensagem, parecendo mesmo que o próprio ator está sentindo em relação ao personagem. Como esta máquina de matar, que vê todos os seus mais queridos próximos morrerem ou sofrerem por sua causa, após dezenas de anos, consegue lidar com este fardo? E agora, mesmo calejado e determinado com a proximidade do fim, surge uma garotinha tão parecida com ele e isso afetará sua visão de mundo? Ok, pessoal, isso não parece um filme dos mutantes… ou parece? Nos bons tempos, apesar dos poderes e fantasias, os mutantes não falavam de sentimentos comuns, como discriminação e preconceito? Como a amizade e o senso de responsabilidade e justiça norteiam suas ações, assim como o amor ao próximo?

Chegando aos finalmente. O filme não é perfeito e há algumas (poucas) lacunas. O final e o enredo podem não agradar aos fãs mais radicais, em especial por não ser ‘quadrinístico’ em demasia o desenvolver da história. Entretanto, para mim, está entre os melhores filmes dos X-Men já feitos, senão o melhor (e aqui vale o ‘disclaimer’ lá do início). E, independente disso, registro meus aplausos de pé para Jackman por ter dado vida ao longo de um punhado de anos ao Logan. Xará, você conseguiu. Parabéns e, mesmo que você leitor não goste, o Homem Jaca será lembrado como Connery é Bond, Max é Gibson e tantos outros. Vale o seu ingresso.

E com todo o respeito à Disney/Marvel e suas decisões editoriais/comerciais e ao trabalho que vem desenvolvendo com os demais personagens no cinema. Para mim, não há dúvidas: Vingadores são legais, mas os X-Men são muito melhores. Está vendo Fox, não é tão difícil.

Nota 9 de 10.

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