Matinê dos Enxutos: Minha Vida em Marte

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Paradoxo brasileiro ou devaneios de um velho ranzinza? Perguntas sem resposta terás ao clicar aê…

Salve, salve, cambada de Enuxutos e Enxutetes marcianos! Sim, sou um dos mais de 3 milhões que assistiram a esta película nacional e venho por meio destas mal digitadas linhas trazer minhas impressões sobre Minha vida em Marte. Mas até tu, King? Perguntam os incautos… a resposta é simples: casamento. Se você ainda não é, um dia (ou não) saberá. E vale para ambos os sexos, ou todas as meninas são nerds que adoram Marvel e DC?

A tradicional chupinhação do resumo de algum recanto da internet: Fernanda (Mônica Martelli) está casada com Tom (Marcos Palmeira), com quem tem uma filha de cinco anos, Joana. O casal está em meio ao desgaste causado pelo convívio por muitos anos, o que gera atritos constantes. Quem a ajuda a superar a crise é seu sócio Aníbal (Paulo Gustavo), parceiro inseparável durante a árdua jornada entre salvar o casamento ou pôr fim a ele.

A la Jack, vamos por partes. Comecemos pelas atuações. Marcos Palmeira não cheira nem fede. Faz um papel correto, sem transmitir muitas emoções nos poucos momentos que o personagem requer. Apesar de bom tempo em tela, é um `apoio` e só. Quem realmente leva o filme nas costas é a dupla Martelli e Gustavo. A primeira faz um papel correto e serve de escada para o segundo com excelente química. Você acredita na amizade entre os personagens, talvez ajudado (ou com certeza) por trazer à ficção a relação entre os dois. Para quem assistiu Minha mãe é uma peça, conhece o estilo do Paulo Gustavo e as boas tiradas que fazem rir. Histrônico e uma verdadeira metralhadora de frases e situações, Gustavo é de fato o fio condutor e o que sustenta o filme. Não ouso dizer que é um excelente ator, pois parece repetir o mesmo papel com nuances diferentes naquilo que já assisti dele. Entretanto, mais uma vez, consegue dosar antes de começar a se tornar chato ou repetitivo.

Sobre o enredo, pouco a acrescentar ao resumo já escrito. É aquilo mesmo servindo de `desculpas` para as mais diversas situações que envolvem um casal há anos juntos, passando pelas redescobertas de solteirice. O grande mérito e ter um ritmo ágil, apostar no carisma da dupla protagonista e levando o humor ao limite da vulgaridade, sem ultrapassar muito. Além de utilizar situações rotineiras à tela, apresentando como podem ser risíveis aos olhos de outrem, especialmente se você as vê e pensa que já fizeste algo na `vida real`.

E finalmente chegamos à pergunta inicial. Por que paradoxo brasileiro? Oras, caros leitores, ao fim e ao cabo de tudo, a grande mensagem do filme não condiz com o mundo de meninos de azul ou meninas de rosa. Spoiler: ela não volta ao marido. E sim, para o roteiro, fica latente que é muito melhor ser feliz solteiro(a) do que lutar para um casamento que caira na rotina, apesar das tentativas frustradas e engraçadas de retomada. Apresenta um homem gay assumido flertando, tangencia a liberdade sexual e como o empoderamento feminino liberta a mulher, mesmo as mais velhas com família. Considerando o momento atual nacional, a entrada de uma vencedora política conservadora de costumes, como um filme destes consegue fazer tanto sucesso? Ah, King, só rico assiste filme neste país. Sim, é verdade… Por isso mesmo. Ou seria coisa de velho ranzinza procurando algo que não deveria em um filme popular?

Enfim, leve (ou seja levado por) seu conjuge para assistir e dar boas risadas. Esqueça o resto e seja feliz.

Nota 6 de 10.

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