Mas o que? Uma resenha literária que não é de um livro da Aleph e nem escrita por mim? Onde está verdadeiro BdE?


Enxutos, o nosso menino Moe… Não, pera. O outro menino que um dia foi BdE mas ainda vive em nossos corações (NOT) Luc Luc, seguidor do Morrison (que já já vai anunciar a aposentadoria, seguindo seu histórico de copiar o PUUUAAAIIIII) nos enviou esse texto reciclado de um trabalho de faculdade onde o mesmo resenhou o excelente Os Homens Que Não Amavam As Mulheres. Se liga aí:

Pois é, eis um novo texto meu… Que na verdade era um trabalho pra faculdade… Enfim, foi meio difícil escrever a resenha, mas sabe o que é mais complicado do que uma resenha para a faculdade? Escrever um bom romance policial. Tal façanha não é uma tarefa fácil: Primeiramente, é preciso pensar se o livro vai seguir os clichês do gênero ( por exemplo, o protagonista principal solitário e misterioso, na qual a maioria são ex-policiais ou detetives, cujo fantasmas do passado não os deixa em paz), ou se vai fazer algo novo. Caso o autor queira fazer algo diferente, a tarefa vai ser bem mais trabalhosa, pois de tantos livros do gênero que usam e abusam desses clichês, não é de se admirar que surja uma imagem visual seguindo esses conceitos. A segunda e, a mais difícil, barreira a se passar é criar uma boa história, coisa que é o sonho de todo escritor(a).

O autor do livro, Stieg Larsson
Stieg Larsson

E por mais que seja quase impossível de se fazer isso ultimamente, o sueco Stieg Larsson conseguiu tal proeza.

No livro Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, o primeiro da trilogia Millennium, Stieg Larsson cria um mistério mais complicado do que os textos do Dada. Mas chega de enrolação e vamos aos fatos: O livro começa com Henrik Vanger, um senhor de oitenta e dois anos que, em todos aniversários, recebe uma flor emoldurada. Vanger não sabe quem está mandando esses presentes, mas suspeita que quem está por trás disso seja o responsável pelo assassinato de seu sobrinha, Harriet Vanger, desaparecida desde 1966.  Esse caso o leva a procurar Mikael Blomkvist, um jornalista econômico condenado por difamação de um grande empresário. Enquanto isso, somos apresentados a Lisbeth Salander, uma jovem hacker com diversos problemas sociais. Mikael é contratado por Henrik para descobrir o que aconteceu com a sua sobrinha; já Lisbeth tem como objetivo pesquisar todo o histórico de Blomkvist e ver em qual enrascada ele se meteu.

“A história da família Vanger que resultava das conversas com Henrik era uma versão muito diferente da que era dada no retrato oficial da família. Mikael sabia perfeitamente que todas as famílias têm esqueletos no armário. A família Vanger tinha um cemitério inteiro.”

(pag158)

Da esquerda adaptação sueca do filme Da direita versão americana do filme
Na esquerda a adaptação sueca do filme. À direita, versão americana do filme

Com um ritmo que não se preocupa em ser lento em alguns momentos, o texto de Larsson exige do leitor bastante atenção, o que não significa que a história seja um tédio. Com o desenrolar da história, os personagens vão cativando quem está lendo, até que ele se dê conta que já leu metade do livro em pouco tempo. Diferente de muitas personagens femininas de livros policias, Lisbeth Salander é de longe a personagem mais durona do livro, mesmo sendo retratada como anoréxica e portadora da síndrome de Asperger (condição psicológica do espectro autista, caracterizada por dificuldades significativas na interação social e comunicação não-verbal).

É através de Lisbeth que o autor trata do principal tema do livro: A violência contra as mulheres e a cultura do estupro. No começo de cada capítulo, Larsson mostra dados e índices de violência física e sexual na Suécia. É impossível ler o livro sem se lembrar do caso do estupro de uma jovem de 16 anos por 33 homens no Rio de Janeiro que aconteceu recentemente.

Capa da segunda edição
Capa da segunda edição

Esse lado mais crítico também é refletido em Mikael Blomkvist. Retratado como um jornalista de idealista e dono da revista Millennium, o autor da voz as suas opiniões sobre economia e a ética dentro do jornalismo. Quando mais é revelado sobre Mikael, mais fica claro que o personagem nada mais é do que a personificação do que todo jornalista deveria ser, segundo o autor. Antes de escreve o livro, Larsson foi jornalista, ativista político e co-autor de Extremhögern, livro que denuncia a extrema direita em seu país.  Mas para os leitores quem acham que o livro não passa de um enorme panfleto político, podem ficar tranquilos: O mistério que envolve a família de Henrik Vanger não vai fazer te largar o livro tão cedo.

O livro foi publicado pela editora Companhia das Letras, e seria injusto se essa resenha elogiasse o trabalho deles aqui. Além de do dragão em relevo na capa, a tradução feita pelo famoso Dorothée de Bruchard está impecável. Além de explicar termos difíceis, Bruchard deixou várias notas de rodapé no livro, contextualizando melhor o leitor.

Capa da primeira edição do Millennium - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres.
Capa da primeira edição do Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres.

Stieg Larsson nunca pode ver o sucesso que seus livros fizeram, pois foi vítima de um ataque cardíaco aos 55 anos, o que é uma pena. Além de conquistar a Suécia e o mundo inteiro, o livro foi adaptado para os cinemas pelo diretor dinamarquês Niels Arden Oplev e, e alguns anos mais tarde, pelo americano David Fincher.  Os Homens Que Não Amavam As Mulheres é uma história policial que vai fisgar o leitor de primeira, o obrigando a ler os outros livros da série e há pensar um pouco na sociedade em que vivemos, coisa da qual esse humilde resenhista acredita que era seu principal objetivo.

Título: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Autor: Stieg Larsson

Tradutor: Dorothée de Bruchard

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 528

ISBN: 9788535916263

Preço: R$ 34,90

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