
Mimimi do Sorg de volta nesta bagaça. Se você achou que o primeiro foi one time only ou que eu tinha morrido, abandonado o blog ou arrumado trampo, sifú.
No primeiro mimimi, eu disse que iria falar um pouco sobre a curta vida da primeira revista Vertigo aqui no Brasil, publicada na época pela Editora Abril. Mas como me mudei de casa e minha coleção sumiu no meio de tantas caixas, vamos mudar o rumo da prosa e mimimizar um pouco sobre nova revista Vertigo, hoje publicada pela Editora Panini e que completou no mês de outubro dois anos de existência (a revista, não a editora sua mula).

Apesar de um mix meio estranho, a Vertigo da Panini veio salvar a vida dos leitores orfãos quando a Editora Pixel perdeu o direito de publicação do selo. A revista nos trouxe um mix que era composto de:
HellBlazer: depois da polêmica fase do americano Brian Azzarello (execrada por muitos leitores e fãs do personagem) o título voltou as mãos de um ingréis. Mike Carey trouxe Constantine de volta a terra da rainha. Depois de uma roadtrip digna de Jesse Custer e compania pelas estradas vicinais da vai embora do america, Carey traz John de volta a Liverpool, procurando por sua família para esclarecer sua suposta morte nos EUA. Desenhos de Steve Felipe Dillon
Vikings: a péssima série do péssimo escritor Brian Wood, Northlanders (no original) foi uma das piores séries que já li do selo. Personagens sem carisma nenhum (você torce para que todos, todos TODOS se fodam) arcos sem graça que começam do nada e terminam em lugar nenhum, roteiros fracos, enfim um saco. De todos os arcos publicados, teve dois que foram menos pior. Um chamado A Cruz + O Martelo que conta a história de um irlandês e sua filha fugindo da invasão viking e outro chamado Irmãs de Escudo, mostrando a resistência de esposas de vikings mortos contra o ataque saxão. Desenhos de vários artistas.

Lugar Nenhum: adaptação quadrinhística do romance de Neil Gaiman (que comprei, já emprestei para umas 5 pessoas que leram, disseram ser ótimo e eu até hoje não li), o roteiro também é do britânico Mike Carey e os desenhos são do sensacional Glenn Fabry, parceiro habitual de Garth Ennis. Lugar Nenhum é muito bacana. Divertido, intrigante, com ótimos desenhos e um bom roteiro, foi uma boa surpresa.

A Tessalíada: uma cria da série Sandman, conta com os roteiros do aclamado Bill Willingham (Fábulas) e desenhos de Shawn McManus e nos apresenta a história de Thessaly, a última bruxa da Tessália que é envolta em uma conspiração de vingança. Mini série legalzinha e só. Você esquece algum tempo depois que leu e fica por isso mesmo.

Por fim, Escalpo: a melhor série desta revista. Escalpo nos apresenta as desventuras de Dashiell Bad Horse (não consigo chamá-lo de Cavalo Ruim. Fico imaginando um pangaré), um agente do FBI infiltrado na reserva indígena Rosa da Pradaria. A reserva é dominado por uma rede de tráfico de doRgas manolo, armas, sexo e prostituição, tudo a mando do chefão Lincoln Red Crow. Dashiell é designado para tentar desmascarar o chefe Red Crow enquanto investigações paralelas seguem tentando esclarecer o assassinato de dois agentes federais na reserva anos antes. Roteiro de Jason Aaron e desenhos de R.M. Guéra.

Bom, o começo da nova vida do selo no Brasil sob a batuta dos carcamanos não foi lá essas coisas. Do mix, o único destaque foi Escalpo que chegou chegando com pé na porta e soco na cara. A fase de HellBlazer (do qual sou muito fã) do Carey começou muito devagar e sem graça. Demorou pra engrenar mas depois que pegou no tranco, revelou-se uma grata surpresa (aguardem aí. Já já volto a falar sobre ela). Lugar nenhum era bacana mas sabia se tratar de uma mini que logo acabaria, Tessalíada ficou legal bem no fim mas, como disse, nada demais e Vikings… bom, esquece. Na quinta edição, Casa dos Mistérios substitui Tessalíada, encerrada no número anterior.
Para se falar de Casa dos Mistérios, é preciso contar um pouco da história dos quadrinhos e também da criação do selo Vertigo.
Casa dos Mistérios foi criada em em dezembro de 1951, trilhando o mesmo caminho aberto pela EC Comics com hqs voltadas aos gêneros fora dos clássicos cuecas por cima dos collants, dentre elas a clássica Tales from the Crypt. Focadas em histórias de terror, a hq teve que se adaptar com a criação do Comics Code Authority, gerada pelo livro A Sedução do Inocente por Fredric Wertham. A publicação basicamente culpava os quadrinhos, em especial os de horror, por uma série de problemas juvenis. Nos anos 50 e 60, a revista teve que adotar o gênero ficção científica como carro chefe de suas histórias e tornou o terror um gênero secundário, usando apenas o permitido no código. Um dos grandes destaques da época foi o Caçador de Marte.
No fim da década de 60, as editora resolveram levantar-se contra o código. Joe Orlando, ex-editor da EC Comics, assumiu o cargo de editor da Casa, a partir do número 174 e trouxe de volta o rumo perdido nos anos anteriores. Sob seus cuidados, a revista apresentou histórias de gente do calibre de Sergio Aragonês, Gil Kane, Jim Aparo, Neal Adams, Len Wein, Gerry Conway, Jack Kirby entre outros. A revista se tornou um sucesso estrondoso e, em 1981, na edição de número 292, Karen Berger assume o posto de editora do título. Karen deu a revista um caráter mais experimental que, infelizmente, durou apenas até o número 321, com o cancelamento da hq. Porém, foi com essa experiência que Karen teve contatos com nomes como Alan Moore e Neil Gaiman e foi por “culpa sua” que o selo Vertigo foi criado oficialmente em 1993.
Tá, mas e sobre a nova série da Casa? Bão, vamos lá: escrivinhada por Mathew Sturges e desenhada pelo ótimo Luca Rossi, Casa dos Mistérios se divide sempre em duas histórias por história. Como assim, me explica essa porra Batemá. A história principal, sempre passada no ambiente da Casa e arredores, de autoria desses dois manés descritos acima é o foco principal da parada. A segunda, dentro da primeira, se passa quando um dos visitantes e/ou moradores da Casa conta uma história sobre sua vida, sobre alguém relacionado a ele ou que ouviu falar. Essa história secundária, também de roteiro de Sturges, tem sempre um artista diferente. E aí é que está o tchan da parada.
O roteiro principal é uma viagem de ácido do cacete. Personagens vem e vão, são inseridos sem mais nem menos e a bel prazer do autor e o plot principal é algo tão confuso que parei de tentar entender. Resumão basicão: A casa dos mistérios, local que fica em todos os lugares e em lugar nenhum, habitado por almas perdidas e de propriedade de Caim (não leu a bíblia nem Sandman? Problema seu, googlea ai) recebe uma nova moradora, que não sabe o porque dela estar lá. Quem chega na casa paga sua refeição e/ou estadia com uma história (é ai que entra a parada secundária).
Em compensação a história principal, as secundárias são um show a parte. Desenhos pra lá de maneiros, contos que passam do terror pelo gore, ódio e amor, conspirações de assassinato e invasões de seres extradimensionais e o que mais der na telha, esses contos são o melhor da série. Em especial o publicado no número 20 da revista nacional – Os Cães de Titus Roan – digno de um conto de Edgar Allan Poe.
Na décima edição, com o encerramento da mini série Lugar Nenhum, a hq dá boa vinda a Vampiro Americano, criação de Scott Snyder.
Com desenhos do brazuca Rafael Albuquerque, o grande atrativo da série era o nome do consagrado escritor Stephen King. Enquanto Snyder cuidava do período passado em 1925, que narra o nascimento da segunda vampira americana – Pearl Jones, King escreve parte do primeiro arco de histórias, passado em 1880 contando a história da criação de Skinner Sweet, o primeiro vampiro nascido na terra do hot dog. Mas sobre o que é essa série Vinter você me pergunta. E eu respondo: vampiros porra.
Os famosos seres explorados em diversos tipos de mídia aportam nas hqs, misturando parte de história americana e parte fantasia. As noturnas criaturas fogem do velho mundo e começam a se estabelecer na América. Se misturando a classe elitista de Los Angeles, os vampiros acabam por criar (sem saber) uma nova espécie, mordendo e deixando para morrer Jones, uma aspirante a atriz. Paralelo a isso, King nos mostra a origem de Sweet, bandido do velho oeste americano, procurado por roubo e outros delitos que também acaba se tornando uma “criatura da noite”.
Como devem ter notado pelas aspas, os vampiros de Scott Snyder são diferentes. Mordidos por uma antiga raça milenar europeia, os vampiros americanos não são frágeis a luz do sol. Mas não confundam com os emopiros de Crepúsculo. Enquanto Jones luta para se manter em paz com sua natureza monstruosa tentando levar uma vida normal (muitas vezes sem sucesso), Sweet é sanguinário e usa seus poderes para enriquecer e prosperar as custas de suas vítimas. Snyder mistura a história americana do fim do século 19 com a de suas criações, tecendo um sólido pano de fundo para seus arcos.
Por fim, a insossa Vikings finalmente foi substituída na edição 21 pelo mini série Joe O Bárbaro, de Grant Morrison e Sean Murphy.
Joe é um menino orfão de pai com uma imaginação hiperativa e diabetes tipo 01 levando uma vida triste até que acorda em um mundo fantástico, sem saber se é verdade ou delírios por consequência de sua diabete.
Saldo da revista até agora é positivo. Não é mas que revista barriga Sr. Supimpa mas agrada aos fãs do selo. Mas demorou para engrenar. Como disse acima, o paletó infernal (hã hã sacaram?) começou devagar quase parando. Depois que lia as hqs, passava para a minha irmã que também é fã do selo e a opinião era unânime: que histórias fracas do Constantine. Porém valeu a espera. Mike Carey foi largando ponta solta atrás de ponta solta e por fim amarrou tudo em um arco fantárdico com um final arrepiante. Realmente, quem teve saco de ler por dois anos foi surpreendido.
Escalpo é foda. Jason Aaron aos poucos revela o passado negro da Rosa da Pradaria juntamente com as histórias sórdidas de seus habitantes, suas atitudes e o que os levaram a ter a vida de merda que estão hoje. O misterioso assassinato dos agentes do FBI ocorridos anos atrás aos poucos vai sendo esclarecido ao mesmo tempo que o autor nos soterra com mais e mais perguntas.
Vampiro Americano alterna entre arcos interessante e outros sem graça. Apesar de inconstante, é perceptível a melhora nos roteiro de Scott Snyder. Casa dos Mistérios já foi muito bem dissecada parágrafos acima e Joe o Bárbaro ainda está no comecinho.
A iniciativa da Panini é boa, sem sombra de dúvidas. Desse mix, tiraria Casa e Vampiro Americano, deixando dois fixos (HellBlazer e Escalpo) e o espaço para as outras histórias manteria com mini séries do selo. Paralelo a isso, a editora vem acertando em outros campos. O material do bruxo inglês vem sendo publicado com constância em encadernados com preços atrativos (gol de placa com a publicação de Pecados Originais, republicação das seis primeiras edições de sua revista. Esperamos que continuem assim como tem feito com Jonah Hex) além de terem terminado de publicar, no mesmo formato, a fase do Brian Azzarello deixado pela metade pela Editora Pixel. Assim como em Hex, a Panini acertou lançando Loveless em encadernados fechados. O mesmo para a sem graça ZDM (do mesmo Brian Wood de Vikings) Y – The Last Man (ótima série de Brian K. Vaughan e Pia Guerra) e Transmetropolitan de Warren Ellis e Darick Robertson (esse último em encadernados de luxo com capa dura e tal).
Porém, como nem tudo são flores, a editora pisou na bola publicando apenas um encadernado (na época do lançamento do filme) com o primeiro arco de Os Perdedores (muito bacana por sinal), parou sem explicação de lançar a ótima série policial 100 Balas (para relançar os primeiros arcos que são facilmente encontrados em comics stores da vida. Invejinha porque foram publicados pela Pixel?) e me deixou na mão (ui) também parando sem explicação com uma das melhores série de todos os tempos: Ex Machina – essa pelo selo WildStorm (mimimi a gente está relançando os primeiros arcos. Sim Panini, só que esse é o mesmo caso de 100 Balas).

Bão, caro mancebo que acompanhou meu mimimi até aqui, não conhece ou conhece muito pouco do selo e da revista Vertigo e quer se aprofundar nesse mundo sem cuecas por cima das calças; o que eu faço Vinter? Sei lá, problema seu. Quem tem filho barbado é gato porra hauahuahauhauahauhauhauhuhaha.
Sacanagem, seguinte: corre atrás dos primeiros encadernados de 100 Balas e Ex Machina que a Panini requentou nas bancas, e também é fácil de encontrar Loveless sobrando por ai (isso se você curte o gênero Western). Também não creio ser difícil achar os primeiros arcos de Y- The Last Man.
Não recomendo que compre a revista no pé que está agora (edição do Inferno 24). Você não vai entender porra nenhuma. E nem os especiais do HellBlazer (com exceção de Pandemônio, Pecados Originais e Passagens Sombrias. Esses você pode ler sussa que são minis fechadas. Os outros – Congelado, Cinza e Pó na Cidade dos Anjos e HighWater – fazem parte da fase do Azzarello começada na extinta Pixel Magazine) Agora, se você é ricaaaa que nem meu parceiro capetento, você acha fácil em qualquer livraria ou comic store: Sandman Edição Definitiva (os dois volumes lançados até hoje), DayTripper dos gêmeos Bá e Moon, Transmetropolitan (dois volumes) e Oceano (essa também da WildStorm).
E é isso aí amiguinhos. Espero tenham curtido esse mimimi e aguardem os próximos (ou não, muito pelo contrário).
Inté.
Atualização 29/11 – 22:40
Acabei de adquirir a edição 24 que demorou séculos para chegar aqui e a Panini anunciou o novo volume de 100 Balas. E uma coisa que esqueci de mimimizar: enquanto a Panini perde tempo republicando os primeiros volumes de Ex Machina e 100 Balas, relativamente recentes (só que publicados por outra editora), eles podiam começar a mandar ver nos primeiros volumes do clássico absoluto Preacher. Agora que eles fecharam a série com a publicação do último arco (Álamo), os carcamanos podiam acertar a maldita cronologia dessa fantástica série, republicando em ordem e no mesmo esquema de encadernados os primeiros arcos da revista, que saiu por aqui em uma verdadeira dança das cadeiras de editoras.
Sorg
Nerd, mezzo velho, chato e rancoroso. É? Que bom



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