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Um pouco fora do Eixo do Mal Marvel/DC. Clica aê e confira conosco a nova origem das Tartarugas Ninja da IDW…

Pois bem, caros Enxutos, a IDW vem se mostrando (ao lado da Image) uma editora alternativa ao tradicional mainstream Marvel/DC. Neste caso em específico, apesar de ser um daqueles títulos no estilo que é ruim, mas eu gosto, a mensal das Tartarugas Ninja conseguiu um relativo sucesso. Tanto é verdade que estamos com mais de 30 edições publicadas (até mar/14), fora os especiais e anuais. E um dos ‘segredos’ do sucesso foi manter pelo menos um de seus idealizadores originais escrevendo o título, Kevin Eastman. Assim sendo, as ‘inovações’ acabaram buscando manter algo do original, mas atualizando e dando uma lógica um pouco melhor para os acontecimentos.

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Sem mais delongas, comecemos do princípio, não estranhem. No período Muramachi, no Japão Feudal, o Clã Yuu, dominado pelo Daimyo Ashigawa Yuu, é um dos mais poderosos clãs nipônicos. Tanto que Ashigawa é um sério postulante a ser Shogun, ainda mais pelo apoio recebido dos Samurais. Entretanto, Yuu foi brutalmente assassinado e a lenda contada é que fora Takeshi Tatsuo, um guerreiro cuja reputação e habilidades com a espada fizeram com que até mesmo Ashigawa o temesse. Diante desta situação, Ashigawa ordenara a Takeshi para sair em uma missão para atacar ladrões, mas na verdade era uma armadilha. Surpreendido por inúmeros guerreiros, Takeshi fez jus a sua fama e os conseguiu derrotar. Entretanto, acabou perdendo sua perna na batalha…

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Recomendação do Sorg

Tatsuo acaba sendo salvo pela feiticeira Kitsune, uma bela mulher que, dentre seus poderes, transforma-se em raposa. Após se recuperar a consciência em um mosteiro perdido na montanha, Takeshi percebe que sua benfeitora fez o improvável: recuperou sua perna perdida. Assim, passam-se alguns anos e Tatsuo acaba formando o Clã do Pé, justamente com os remanescentes do Clã Yuu. O Clã do Pé passa a ‘funcionar’ como um exército sob as orientações de Takeshi, sendo que este atende as demandas da Feiticeira Kitsune, alegadamente atendendo ao pedido de um Deus de Ferro. Como recompensa, Takeshi recebe a imortalidade, conseguida através de uma poção desenvolvida por Kitsune com os ‘dons’ recebidos do Deus de Ferro.

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Esta situação, entretanto, começa a causar mal estar entre dois proeminentes membros do Clã do Pé: Oroku Maji e Masato. Os dois contestam os meios agora adotados pelo Clã do Pé e armam para derrotar Tatsuo ao descobrir que este trabalha para um ‘demônio’. Aproveitando-se que Takeshi precisa de tempos em tempos da poção, ficando velho quando o efeito está passando, atacam seu santuário. Oroku Maji, então, consegue mata-lo. Isto irrita Kitsune que lança uma maldição sobre Oroku Maji alertando-o de que Takeshi renasceria dentro de sua família e ainda o mataria.

Anos se passam e o Clã do Pé torna-se novamente honrado. Os filhos da dupla crescem e tornam-se grandes amigos (Oroku Saki e Hamato Yoshi). O primeiro é mais impetuoso e anseia se tornar líder do Clã. Yoshi é mais calmo e constitui família, ficando mais preocupado com ela. Dada a ansiedade e algumas atitudes intempestivas, Yoshi é posto como Chunin (alguém que será o líder no futuro) em detrimento de Saki. Saki fica furioso e esta é a brecha que Kitsune precisa. Usando seus poderes, consegue que Oroku Saki descubra um livro escondido por seu pai contando as proezas de Takeshi Tatsuo. Maji (pai de Saki) ordena a alguns jagunços que matem seu filho, temoroso por este ter descoberto o passado e seu comportamento agora muito mais radical. Saki consegue se safar da emboscada, mas acaba ferido no olho, ganhando uma cicatriz.

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Novamente Kitsune se aproveita da situação e, usando os poderes de sua poção, faz com que Oroku Saki lembre a verdade até então escondida de sua mente: ele na verdade é Takeshi Tatsuo reencarnado. Sabendo de seu ‘destino’, Saki mata Masato e seu pai, assumindo o comando do Clã do Pé, dado que ninguém mais soube que fora ele o assassino.

O Clã muda radicalmente. As ações passam a ser desonradas e isto culmina com a desistência de Hamato Yoshi em fazer parte do Clã. Mas Saki não deixa barato. Assim que Yoshi sai do encontro, ordena que os assassinos matem a sua família. Hamato chega a tempo de salvar os agora 4 filhos, mas não consegue evitar a morte de sua esposa. Em seu leito de morte, promete que não usará mais a força para cometer vingança e sim protegerá seus filhos. Durante algum tempo, a família Yoshi consegue fugir e escaper do Clã do Pé. Mas isso dura pouco. Saki descobre seu paradeiro e mata os quatro filhos na frente de Yoshi, pouco antes de ele próprio matar seu antigo amigo.

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Pouco tempo depois, Oroku Saki finalmente consegue ir ao encontro entre o Deus de Ferro e sua amada Feiticeira. O tal “Deus” na verdade é uma criatura que sai de um portal de outra dimensão, trazendo consigo um líquido ‘mágico’ em troca de mais e mais conquistas de terras. Saki arma uma emboscada e detona o portal, sem não antes conseguir o suprimento do líquido que tanto almejara.

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Kistune revela, então o plano e sua visão. Saki deveria cometer hara kiri e ser imerso no bendito líquido. Pela profecia, Saki seria acordado em um futuro distante, onde seria o governante de uma cidade feita de luz. Chegamos ao tempo presente. Karai, uma descendente de Saki, o acorda na cidade de Nova Iorque.

Em outro lugar, nos Laboratório Stockgen, April O’Neal trabalha como estagiária. Lá ocorrem experimentos com um misterioso ‘mutagen’ e um líquido ainda mais estranho, o Ooze. Quatro Tartarugas e um rato são cobaias para estes experimentos, sendo que no rato são utilizados produtos para amplificar a inteligência. O’Neal se apieda dos bichos e, apesar de certa repulsa ao rato, acaba dando-lhes seus nomes. Donatello, Michelangelo, Rafael e Leonardo, para as tartarugas. O roedor acabou recebendo o nome de Splinter, uma alusão ao soro que tomava que separava a natureza da criatura em duas.

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Chegando aos finalmentes, um grupo de ninjas do Clã do Pé acaba invadindo o laboratório para roubar o mutagen e as criaturas. Fora do prédio, Splinter consegue escapar e ferir um destes ninjas, fazendo com que deixe cair o saco onde levava as Tartarugas e o Mutagen. Splinter também acaba sendo ‘sujo’ pelo produto. O resultado é a transformação antropomórfica que todos conhecemos.

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Resumindo este final, logo após conseguir reunir os quatro novamente (no arco inicial, Rafael acaba ficando sozinho e perdido), Splinter conta toda a história sobre o passado entre ele e Saki, revelando assim que todos são reencarnações de vidas passadas. E assim foi o início do atual arco de histórias…

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Diferentemente do habitual, não é possível falar de todos os artistas, mas tenho que destacar o brazuca Matheus Santolouco. É dele a mini TMNT Secret Origin of Foot Clan #1-5 e o penúltimo arco City Fall (terminado na TMNT #28). Consegue harmonizar os cenários detalhados com boa ação, salvo certa infantilização das TMNT. Detalhe é o trabalho de fazê-las diferentes entre si, quase reproduzindo como eram na sua forma humana.

O enredo de Kevin Eastman e Tom Waltz, apesar de bastante exótico, tem uma linha interessante para amarrar bem a história. Peca um pouco na submissão do Splinter, mostrando que ele é inferior ao Destruidor em batalhas, tanto no passado quanto no presente. Ademais, o lance da reencarnação causa estranheza no início, mas acaba passando sem maiores problemas. Tanto é que o melhor da revista é quando perpassa pelo passado, calcando a história no Japão Antigo.

Enfim, quer sair do mais do mesmo? É uma pedida… tem problemas, principalmente em um arco com a Guerra de Krang, mas consegue cativar. Sim, eu sei, é absurdo… mas gosto. Se quiser dar uma chance e não ler todas as 31 edições, recomendo as 5 primeiras, a Secret Origin of Foot Clan e o arco City Fall. Estes já lhe darão um panorama bem amplo do que está acontecendo. No mais, só tenho uma certeza: é bem melhor do que as TMNT BaYanas do Espaço que virá nos cinemas…

Nota 7,5 (para estas edições em específico)

E a última chance para a escolha das resenhas da semana:

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