crianca-lendo-gibi

Olha só enxutos, de vez em quando a gente ganha uns presentes bem bacanas. Claro que não precisa ser algo físico: uma palavra de carinho, um muito obrigado ou um elogio qualquer as vezes já são um grande estímulo. E alguns domingos atrás eu ganhei esse texto da minha querida irmã que agora eu compartilho com vocês:

Eu sempre gostei de livros. Meu irmão sempre gostou de quadrinhos. Eram e ainda são caixas e mais caixas, pilhas e pilhas nas prateleiras, no armário e sabe Deus onde pode-se achar um gibi na casa dele. Eu ficava curiosa. O que será que tem nesses gibis?  O que faz ele viver os quadrinhos? Não é possível que um Batman pode gerar tanto amor (nota do Sorg: pra alguns sim).
Né, JJ?
Durante a adolescência tentei descobrir esse mundo. Li Os Novos Titãs. Não gostei. Não podia ser… Não devia ser só aquilo! E não era. Não era por ser gibi. É porque era de super-herói. Já adulta, com a maturidade de me conhecer melhor, descobri que não gostava de super-heróis. “Mas tem outro tipo de estória?” “Claro”.
Foi assim que conheci John Constantine. Era interessante, empolgante, inteligente. “Tem mais? Tem mais? Me dá mais!” “Não tem, só tem essas.” “Não é possível! Como assim? Acabou? Não tem mais? Eu quero mais!” “Olha… você pode ler O Monstro do…” “Monstro? Que mané monstro! Eu não quero estória de monstro!” “Calma!!! O Monstro do Pântano.” “Do pântano??? Ainda é do pântano? Um monstro que sai do pântano pra aterrorizar as pessoas e… ” “Cala a boca e lê!”
AAAAAAAAAHHHH… hã?
Eu li… E calei a boca. Até hoje estou calada. O Monstro do Pântano era perfeito. Bonito, poético, filosófico… Filosófico.
“É do Alan Moore. Ele que criou o Constantine. É o cara!”
Ele era mesmo o cara. Foi assim que meu irmão mais velho me levou pra um mundo infinito que cabe dentro de quadradinhos. Só pode ser mágico. Passei por Lugar Nenhum, Livros da Magia, Sandman (claro, maravilhoso), Jonah Hex, Vampiro Americano… conheci mangás (em especial Vagabond, que é lindo)…
Mas eu ainda sou completamente dependente do meu irmão para conhecer novos quadrinhos. Fui morar em uma cidade diferente da dele e fiquei um pouco desamparada. Neste período meu socorro cultural (a mesma amiga que viaja longas distâncias carregando um livro pra me ver feliz) me salvou com artistas brasileiros. O Angeli e o Lourenço Mutarelli. Nunca havia imaginado. Digo, quadrinhos de artistas nacionais tão fodas!
Obrigado, eu sei.
No último natal fui visitar meu irmão. Fiz a limpa na prateleira dele. “Me passa tudo de legal que você tem aí”! Foi uma pequena pilha de Constantine e mais alguns quadrinhos de artistas brasileiros que são maravilhosos. Tinha Daytripper dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá (quero ler mais obras deles) que é realmente encantador. Tinha Quadrinhos A2 escrito por um casal e que realmente eu até me confundi com as personagens. E Inspiração de Camilo Solano que é muito legal, muito real e muito sonho ao mesmo tempo.
Este texto é para o meu irmão mais velho, e único. Foi isso que aprendi com ele. A gostar de quadrinhos. Acho que é mais do que o suficiente.

Comentários Facebook (O DISQUS ESTÁ ATR... LOGO ABAIXO)

Comentários Disqus

BDE1