Segunda parte da resenha de Quarteto Fantástico Vol. 1, de #01 a #50.

#11 a #20 – CONTEXTOS POLÍTICOS.

“Ben, ninguém é forte o bastante para derrotar pessoas livres! Nunca se esqueça disso!”

Acompanhantes da realidade política, o Quarteto Fantástico demonstrava, de forma mais direta, os medos do americano comum. Fosse da ditadura comunista (personificado no Fantasma Vermelho – Ed. #13), ou o retorno da intolerância extrema ao estrangeiro, com cunho nazista (Monge do Ódio – Ed. #21). Pode parecer “reaça” a quem pegue para ler fora do contexto, porém, acrescido do fato de o grande campeão em vendas da Timely Comics ter sido o Capitão América, vinte anos antes, e os gibis essencialmente serem patrióticos, por refletirem um anseio de reconstrução de uma nação, que havia quebrado algumas décadas passadas, não causa nenhum estranhamento histórico… Como discuti com alguns colegas do blog Aquiles Grego, a Marvel nunca foi um partido político, mas uma editora antenada às tendências e divergências ideológicas, representando-as em seu Universo, assim como todas as formas de arte e entretenimento perspicazes executam.

Na #11, tudo vai – literalmente – de cabeça para baixo com a chegada do Homem-Impossível, a primeira vez, vale mencionar, que o Quarteto se depara com um oponente superior à combinação de habilidades que os precediam. Ele mostrar-se-ia “como mais uma” situação, onde o inescapável consegue ser burlado pela perspicácia anormal do Sr. Fantástico. O mesmo que dá uma aula, no fim da edição, sobre a importância vital de cada membro dos quatro, o que não ocorre muito em quadrinhos de supergrupos, por sempre haver os “buchas”, enquanto aqui, até mesmo a Mulher-Invisível, a princípio sendo, de forma exagerada, uma donzela em perigo, sendo sequestrada sempre que possível, era utilizada como o “fator surpresa”, muitas vezes salvando os três que a foram salvar! A rivalidade entre heróis, que tanto permeia a cabeça dos fãs, seria explorada na #12, onde finalmente os leitores da época poderiam descobrir quem seria, até o dado momento, o monstro mais barra pesada da editora: Coisa ou Hulk? (o monstro gama tinha estreado em maio de 1962, mesmo mês que a revista #4 do grupo…), ao mesmo tempo que o leitor vislumbrava que todos aqueles seres poderiam se cruzar a qualquer hora, por habitarem, em sua maioria, Nova York, um pesado contraponto a DC, que dividia com linhas bem claras as cidades fictícias de seus campeões. Esse primeiro embate ecoaria na megassaga “Hulk Contra o Mundo” de alguns anos atrás.

Recomendação do Sorg

Fugindo ainda mais do arquétipo de “cientista maluco de jaleco branco”, a dupla de criadores, inspirada na estátua francesa do Pensador, propôs um gênio do crime com poderosos cálculos para seus planos, a exemplo de um enxadrista potencializado, suas estratégias contemplariam tudo “o que poderia dar certo ou errado” ao se conduzir uma operação, tendo os 4 fantásticos como um mero empecilho aos planos dos gângsteres, e possuindo computadores de “última geração”. O feito mais marcante, entretanto, é a invasão bem-sucedida ao edifício Baxter e o uso maléfico para algumas das invenções ali feitas. Uma forma de mostrar que problemático é o homem que empunha a arma e não ela em si.

O “micromundo”, mencionado de relance no filme do Homem-Formiga, é criativamente explorado na #16. Embora a investida de Destino deixe a desejar, é difícil se livrar do deslumbramento com que Kirby desenhava novos mundos e reinos com tamanha facilidade, por menos crível que seja. Os traços de Kirby conseguem dar extremo conhecimento da breve nova realidade e, claro, a participação de Hank Pym, mesmo que breve, é outro ponto alto. Os retornos de Grimm a forma humana, apesar de desconexos, teriam grande utilidade algumas edições depois. A #17 exploraria a revanche contra o Doutor Destino, bem como pela primeira vez a real tentativa de dominação global. É digno de nota que uma das ameaças seria “jogar esporos”, que fariam a vegetação crescer sob a cidade, gerando o caos total, por coincidência ou não uma medida “ecoterrorista” que o Monstro do Pântano, escrito por Alan Moore, tomaria em Gotham para reaver sua amada… Bem como havia o atual presidente John F. Kennedy, de forma tímida, fazendo uma participação no enredo! Recurso que seria usado a exaustão no Universo Ultimate, para dar mais realismo às catástrofes.

E entre #18 e #20? Por mais poderoso que possa ser o “Super-Skrull”, ele se torna bem menos mortal, comparado aos antagonistas dos dois números seguintes, aderindo mais relevância só na dramática #32. Não é problema visto que na #19 teríamos “apenas” uma viagem no tempo ao antigo Egito e um confronto contra aquele que um dia seria “Kang – O Conquistador”. O motivo também era bem autocrítico: o viajante do espaço seria do ano 3000, onde assistiria, em sua TV 3D, filmes de ação e entediava-se por viver em uma utópica paz. Por uma “velharia do passado”, que era a máquina do tempo feita por Doom, ele atravessa eras e conquista reinos, por estar munido de centenas de anos de conhecimento e armas idem. Como um ciclo de a cada dez números, surgir algo imbatível, na #20 Uatu para suas atividades de vigilância para interferir (novamente quebrando seu sigilo profissional) em favor do bando, ao mostrar o surgimento de um dos seres mais poderosos dos quadrinhos (embora quase nunca bem explorado em sua grandeza): o Homem-Molecular. A figura antecede o estilo amoral, com poderes imensuráveis e remodeladores de universos, tendo em seu exemplo maior, no futuro do título, o próprio Galactus. A descrição do sujeito faz lembrar, ao leitor mais atual, o nível “overpower” do Dr. Manhattan. É válido notar o otimismo do grupo, ao falarem que, se um deles tivesse tal dádiva, poderia salvar toda a humanidade…

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