Finalmente o TCC do Ozymandias_Realista, sobre o Quarteto Fantástico, chega ao fim!

#41 a #50 – ALÉM DAS ESTRELAS!

“O jogo terminou, humanos! Por fim, percebo um tênue brilho de glória em sua raça e me vejo obrigado a lhes dizer… Considerem seus ideais e façam jus ao enorme potencial em suas almas…, pois essa força será capaz de levá-los às estrelas ou afundá-los sob a ruína da guerra!”

A jornada entre quartetos tem sua conclusão no número #43. A capa com uma enorme frase “tudo deve ter um fim”, com o grupo “do bem” nocauteado, por mais sensacionalista que fosse, buscava acabar com as repetidas batalhas e fazer a trama voltar a andar com ampliação de elenco, fórmula que tanto os alçou até aqui. Madame Medusa serve como literal fio condutor aos Inumanos. A trama, prometida no seriado televisivo deles, é reproduzida com bem mais esmero aqui: fugitivos de seu reino, ao lado de seu líder Raio Negro, esses estranhos seres fogem, ao passo que planejam retomar a coroa a seu líder, tomada de forma ilegítima por seu irmão Maximus. A paixão a primeira vista de Johnny por Crystalis já ocorre na #45, bem como a participação do melhor inumano de todos: Dentinho. O silencioso Raio Negro só surgiria na #46, lutando sem usar seu famoso talento para destruição com a voz, em vez disso, se mostrando eficaz na luta corpórea, ao ponto de encarar sozinho o Coisa, com seu infame “golpe mestre”.

O ponto mais relevante, entretanto, é o Homem-Dragão ficando além da recuperação, mesmo soando destoante entre o enredo, a fábula silenciosa da besta consegue mostrar sem nenhuma palavra dela, um sofrimento ainda maior ao de Ben Grimm. No início da #47, o salvamento de Triton pelos Richards evidenciava uma futura aliança entre culturas tão diferentes. É outro mérito do velho Jack Kirby o quanto Raio Negro consegue expressar com seus olhares, ainda mais levando em conta do mesmo usar máscara. Com o diferencial de não ter nenhum balão de pensamento, Raio faz jus ao título mais que merecido dos gibis: arte sequencial. Há uma tristeza indescritível em seu olhar, até mesmo quando recupera sua coroa – grande e aparentemente pesada na amplitude da sentença – não há sorriso em seu rosto, no máximo uma lembrança distante de não ter tamanho peso sob os ombros. Madame Medusa assume como sua rainha e intérprete, com a continuação, o que conhecemos da mitologia moderna!

Recomendação do Sorg

Voltando para a Terra, com um que de inconcluso, entramos em um dos arcos – infelizmente curto – mais famosos de todos os tempos: A Chegada de Galactus. Os céus estão pegando fogo, um estranho ser prata anuncia que tudo chega ao fim e mesmo que duelado com deuses antes, os aventureiros estão frente a um titã, milênios a frente em conhecimento e poder, enxergando-os tais quais insetos em algum jardim, nem se dando ao trabalho de combatê-los de forma direta. O gélido Surfista Prateado, criação do Jack Kirby (essa admitida por Stan Lee…) realizava seu encargo de forma fatalista. Não mais se tratava de alguma vaidade humana em ser venerado, mas a comiseração do deus era uma própria necessidade irrevogável da galáxia. Não parecia haver resposta lógica ou mágica (mesmo em uma revista em quadrinhos!) para resolver tal enigma de poucas horas para o juízo final.

Se o Universo Marvel chegasse ao ponto final ali, não haveria como culpar, tudo indicava o término da linha para todos os envolvidos. Porém, em uma solução atípica, o Vigia resolve burlar as regras mais uma vez e mostrar “o caminho das pedras” ao jovem Tocha, fazendo esse uma “jornada inversa a do Surfista” e trazendo para os desolados companheiros uma arma capaz de os salvar. “Nós somos como formigas… simples formigas” volta dizendo quase catatônico o jovem, após ter contemplado as estrelas de perto. Em uma evolução, anos luz dos simples terráqueos, Galactus é altamente compreensível ao mais atento leitor, ainda mais quando profere “foi o mesmo que colocar uma bomba na mão de uma criança”, e é repreendido pelo também evoluído Vigia “Sim…, mas esse mundo pertence a essas ‘crianças’ e deve ser salvo!”. Os flertes do Rei dos quadrinhos, com a antimatéria, eram mais que explícitos aqui. Não fosse Stan sendo Stan, teríamos hoje todo um universo cósmico que acabou anos depois, com a DC Comics como um enriquecimento ainda maior na mitologia dos quatro…. Passada a tempestade, Johnny finalmente entra para a universidade, porém, como questionado por ele: O que pode oferecer uma simples vida de universitário a alguém que já viajou muito além da galáxia? De maneira natural, outra “minoria” é adicionada ao elenco: um índio americano.

Ora, onde está a sacada? Simples, tanto ele quanto o cabeça quente por suas diferenças chamarão atenção das demais pessoas, uma maneira sutil do gibi mostrar a alguns que ser diferente é normal, bem como a maior lição passada nessa metade: o normal não existe, o que existem são choques de culturas em todos os lugares do mundo e fora dele, excetuando-se idiossincrasias, a única constante são os derivados entre amor e guerra, escolhidos pelo coração de cada um, por razões conhecidas só em seu íntimo (quando conhecidas…). O espírito humano, quando fincado na força de vontade (não só aos Lanternas Verdes), consegue se mostrar indomável em qualquer um dos mais hostis terrenos e todo problema, por mais insolúvel que se mostre, pode ser resolvido, se analisado pela perspectiva certa. E a família? Bem, parece ser a base de tudo, até mesmo de uma totalidade compartilhada que perdura há exatos 56 anos e 7 meses, desde do lançamento da #01 desses exploradores.

Dedico estes posts, em primeiro lugar, ao Rei Kirby, que desenhou e criou em tempo recorde mais do que qualquer outro ser humano fará em vida e, um dia, espero que seja reconhecido entre o grande público tal qual Stan Lee, Neil Gaiman, Alan Moore ou Frank Miller. Os quatro citados chegaram nos ombros gigantes do Rei, por mais injustiçado que seja, REIS NUNCA MORREM OU PERDEM SUA MAJESTADE. Em segundo, ao meu “Tio Lito”, o cara que, de tanto eu fazer perguntas sobre esse universo quando criança, me fez bastante feliz, sem perceber, me trazendo todo mês “Geração-Marvel: Homem-Aranha” e posteriormente “Marvel Millenium: Homem-Aranha”. A leitura ainda é o maior bem que podemos passar adiante a uma criança e talvez ela veja os grandes poderes e responsabilidades da existência.

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