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Marvel se mexe e Distribuidoras se arrepiam (ui!)

Então, queridos e amados leitores – drogas lícitas, não se preocupe – parece que a Marvel está mesmo inclinada a mudar a relação dela com o mercado de distribuição de suas revistas físicas.

Não sei se vocês sabem mas foi lançada essa semana a Marvel Global Comics, um aplicativo para tablets e celulares que é uma loja de venda de seu acervo. Sim, eu sei, existem vários aplicativos de compra de revistas digitais, o principal eles é o ComiXology, mas a Global Comics vem com algumas vantagens sobre a concorrência: além de poder ter disponíveis títulos que seriam exclusivos da lojinha, além de poder vender edições novas e antigas, além de tudo isso, ela também virá com suas revistas traduzidas em várias línguas.

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Recomendação do Sorg

Siiimmmmm, regozijem-se, amiguinhos, no pacote de línguas aparece ela, a inculta a bela, a última flor do Lácio, o idioma de Camões.

o.O

To falando da Língua Portuguesa, sua mula, aquela que você acha que conhece….  ¬¬

 Legal, né? Então, essa é a notícia boa, agora vamos às não tão boas:

Primeiro, o acervo ainda é pequeno, eles por enquanto têm Guerra Civil, Invasão Secreta, Desafio Infinito, Dinastia M, Amazing Spider-Man, Hulk  Vermelho e outras tranqueiras.

Segundo, por enquanto só pra iOS, ou seja, iphones e ipads. O que, você tem um tablet android DX de 7″? Desculpe, seu pobre, você não é o público alvo. Mas fiquem tranquilos, a intenção é ter a lojinha em diversas plataformas, só não me perguntem quando.

Mas mesmo pra quem tem produtos Apple por enquanto o aplicativo só está disponível na iTunes americana, deve demorar algumas semanas até aparecer na loja brasileira.

Essas iniciativas são todas da Marvel, a DC não fez nada ainda, é que ela tá muito ocupada com o filme da Liga.

HUEHUEHUEBR

Ah, antes que eu me esqueça, tem uma dica legal para desenvolvedores de aplicativos: a Marvel lançou uma API gratuita que dá acesso ao seu banco de dados, ou seja, ou seja, todo o acervo dela, o que não é pouca coisa. A intenção é incentivar a criação de aplicativos que possam se utilizar desse acervo (buscadores, jogos, etc). A condição é que o aplicativo desenvolvido seja gratuito e não venha com propagandas (tava bom demais até essa parte, né…). Para os DEVELOPERS, DEVELOPERS, DEVELOPERS!!!!! de plantão o link é esse aqui.

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E já que estamos no fantástico universo da tecnologia, saiba também que a Microsoft está desenvolvendo um app nativo para Windows 8 que conseguirá ler, sem gambiarras, arquivos com extensão .cbr e .cbz, aqueles que hoje só podem ser lidos através de programas como o CDisplay e CDisplayEx. Não se sabe ainda se esse app vai conseguir ler todo e qualquer arquivo ou só os adquiridos em sua lojinha virtual, mas só o fato de ter um app nativo que vai rodar numa boa e sem precisar instalar nada já é uma vantagem.

E agora um pitaco de seu redator dos Infernos, se quiser pode parar de ler aqui.

Era só questão de tempo, e bem que estava demorando, não dá para se manter intacto o sistema atual de distribuição de quadrinhos, com revistas feitas em gráficas, distribuidoras e pontos de venda, esse sistema está obsoleto, tanto quanto lojas de discos e mercearias de bairro. Uma vez eu li um post feito pelo Hell do MDM, no qual ele descrevia um sistema criado pela Marvel nos EUA em que o leitor comprava a revista na comic shop, ela vinha com um código e esse código digitado no site da Marvel dava acesso a um conteúdo digital qualquer, e o Hell achou isso uma boa ideia.

Desculpa, primo, mas não, não é, é uma ideia estúpida.

Estúpida porque só o fato de ir à banca ou a comic shops por si já é obsoleto e desnecessário. Claro, se o leitor faz questão de ter o objeto físico, assim como alguns aficcionados ainda compram discos de vinil, ótimo, mas será comportamento de  nicho, será um segmento pequeno do mercado,  e o que importa mesmo é o comportamento majoritário, e a tendência cada vez mais é se adotar tablets e smartphones para leitura diária, não dá para majors como Marvel e DC ficarem tão atrasadas nesse mercado, mesmo com todo o choro e ranger de dentes das gráficas e distribuidoras. Se a Marvel tem um produto e pode vendê-lo diretamente ao seu público consumidor a R$1,00, por exemplo, por que diabos ela vai se contentar em vendê-lo a um intermediário por R$0,75 para o intermediário botar seu lucro nele e vendê-lo a R$1,00 ao consumidor final?

Claro que não vamos ver uma guerra declarada das Majors contra as distribuidoras, no caso brasileiro eu não creio que as revistas vendidas via Global Comics sejam mais baratas ou com histórias mais recentes do que as vendidas em banca pela Panini, pelo simples fato de que não precisa, o sistema atual já está fadado ao cemitério, ele caminhará para o túmulo com suas próprias pernas e minha sábia mamãe já me ensinava na tenra infância que não se chuta cachorro morto.

Mas que, daqui a poucos anos, para ter acesso a uma revista em quadrinhos você vai precisar de um tablet, isso é fato e favas contadas.

Acostume-se.

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