É Çim amiguinhos, BdE também é esporte!

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Salva, salve, caros Enxutos e Enxutetes Olímpicos! Além das belas imagens da tv e dos apupos virtuais contra o falastrão Galvão (sempre o mais visto, apesar de tudo), existe a vida real. Como fica a cidade, o ir e vir para assistir os Jogos. A emoção da disputa ‘in loco’. As virtudes e mazelas. As alegrias e dificuldades que este vosso escriba passou para assistir a uma partida de Handebol na Rio 2016 serão descritas nas próximas e mal redigidas linhas. Sigam-me os bons.

Pois bem, apesar de não ter sido uma decisão pensada, afinal diante do horário, disponibilidade financeira e trabalhista, restou-me assistir uma rodada dupla de Handebol masculino no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, na Arena do Futuro, Handebol Masculino, Egito x Suécia & Argentina x Croácia, com início as 19:50h do dia 09/08/16. Preço relativamente alto, mesmo para ingresso mais barato: R$ 70 (com direito a meia entrada).

Recomendação do Sorg

O percurso. Seguindo orientação explícita e recorrente da prefeitura, a família King tomou caminho pelo BRT, um sistema expresso de ônibus criado para as Olimpíadas e um de seus legados. Morador da Zona Oeste da cidade, não tive problemas em chegar a uma estação e carregar o Riocard (um cartão de recarga para uso nos transportes públicos). Veio a primeira dúvida: como chegar lá estação Rio 2, a tal que fica em frente ao Parque. Como existia a possibilidade de uma baldeação em estação anterior ao invés de ir até a Alvorada (terminal central dos BRTs na Barra), perguntei a jovem atendente e esta, sem muita convicção, disse que não poderia, pois o outro corredor seria ‘exclusivo’ para quem houvesse comprado o tal ‘riocard olímpico’, um cartão igual a um comum, mas com uma diferença básica: paga-se uma quantia de R$ 25 por um dia (escalonado para semana ou o período todo dos Jogos) para andar livremente pelos modais. Como não tinha (a passagem comum é R$ 3,80), obviamente não o comprei e fiz o percurso mais longo.

Enfim, chegando ao terminal Alvorada o susto: a fila para a estação Rio 2 estava grande. Entretanto, para minha surpresa, vinham BRTs de 5 em 5 minutos e em menos de 15, estava acomodado e a caminho dos local. Ok, busão lotado, gente saindo pelo ladrão, mas é de se esperar em eventos desta magnitude.

Em menos de 20 minutos saltamos na bendita estação. E a percepção da fila do Alvorada se dissipou… a fila do retorno, Gsuz amado, esta sim parecia ter quilômetro. Literalmente falando. E veio um dos principais pontos negativos da experiência. A distância da estão Rio 2 para acesso ao Parque Olímpico. Pode até ser que jovens, ou pessoas sem crianças, não tenham sentido, entretanto é uma longa caminhada. Demoramos pelo menos uns 20 minutos andando até chegar ao portão de entrada. Aí você pode pensar: ah, King, para de frescura. É festa, vai se divertir que a distância não é tão longa. Olha, por um lado, sim é verdade. No entanto, como tudo na vida há um outro lado: com duas crianças de 6 e 9 anos, na volta já quase meia noite, realmente você iria perceber o quanto é longe. E o pior. Como você pode pesquisar aí no Google Maps, há uma estação EM FRENTE ao Portão de Entrada. Mas nossos Jênios pensaram em ampliar a bendita estação para comportar o público (e o investimento é pequeno)? Não, o povo não precisa disso… tudo é festa!

Enfim, chegando ao Portão, sem filas. Segurança reforçada, detectores de metal, voluntários a torto e direito, inclusive com identificação a ser preenchida para as crianças. Um padrão realmente que raramente vejo em eventos nesta terra de Temers. O Parque em si está muito bonito e sinalizado. Tudo novo e limpo, com telões em áreas comuns para a galera assistir eventos no lado de fora de cada Arena. Como funciona: você compra o ingresso para assistir determinada partida e tem o ‘direito’ de curtir o espaço fora das Arenas por todo o dia. Como não havia jogos do Brasil ocorrendo naquele horário, não percebi filas ou dificuldades para comprar alguma coisa. Os preços estratosféricos me inibiram até de ir na mega loja olímpica para comprar alguma bugiganga. Só a água custa ‘míseros’ OITO Temers. Água com Açúcar gaseificada com cola: DEZ Temers. Quando a esposa pediu para comprar pipoca, preferi nem ir com ela… até hoje não sei quantos Temers foram as duas que ela comprou.

Voltemos as Arenas. Na entrada, nova checagem de ingressos. Sem filas, mas isso muito por conta, talvez, de não ser um jogo badalado ou com Brasil envolvido. A tal Arena do Futuro, assim chamada por que irá virar escolas, é a mais ‘feia’ externamente de todas. Por dentro, simplicidade e eficiência, com todos os requisitos necessários para assistir o jogo. Chegando ao local marcado, primeira dificuldade: apesar de numerados os assentos, por dentro não há explicitamente a identificação dos corredores. No meu caso, estava marcado corredor 19, fila K, assento 20. Enfim, após perguntar a um dos prestativos voluntários, localizamos o lugar e…. alguém o ocupava. O cidadão, meio que com má vontade, ‘cedeu’ o lugar para mim e minha família.

O jogo. Realmente foi o melhor de tudo. Duas partidas eletrizantes, decididas nos últimos segundos. Não entrarei no mérito desportivo, mas o Handebol tem um misto entre basquete (pela pontuação em quase todo o ataque) e futebol com a mão. Enfim, a torcida brasileira ficou ao lado de Egito e Croácia. O primeiro por ser o mais fraco. O segundo por conta da babaquice galvaniana de se gerar um atrito de alto grau com os Hermanos. Independente disso, foi comovente como os egípcios se antenaram com o apoio da arquibancada e a alegria final pela vitória na partida. Os caras pareciam ter ganho uma medalha olímpica e não somente uma partida da fase de grupos.

Torcida. De fato parecia um estádio de futebol, fato este que no contexto do Handebol não atrapalha. No jogo contra a Argentina, brasileiros em minoria, faziam muito barulho e cantavam a famosa marcha ‘mil gols’. Mas o que me impressionou foram os argentinos e sua torcida. Nunca havia visto ao vivo e é de arrepiar os cânticos e como motivam os jogadores. Apesar da rivalidade, não vi clima hostil. Pode ser por conta do público em questão, no entanto a coisa fluiu bem, mesmo com a derrota no último minuto para a Croácia e a zoação dos brasileiros.

Retorno. Como previsto, o caminho foi looongo e cansativo. Não havia filas, apesar da estação cheia. Cansados, o retorno foi tranquilo e com o BRT lotado, mesmo no Alvorada. O lado positivo é que não dependíamos do Metrô. Para quem não sabe: a Zona Norte do RJ, notadamente uma das mais pobres, não tem Metrô aberto (Linha 2) após meia noite. As Linhas 1 (Centro) e 4 (Barra) vão até 1:30h e 1h, respectivamente. E como os jogos noturnos terminam em horários que vão até 1h, vocês imaginam o transtorno para os moradores da Zona Norte…

Resumo das impressões. Como disse Thomas Bach, presidente do COI, é um Jogos a la Brasil. Animado. Caótico no transporte. Colorido. Planejamento não tão cuidados. Bonito de se ver. Caro e sem um serviço a altura correspondente. Simples e com execução razoável. Segurança jamais vista, mas ainda sim com casos de violência em grotões nem tão longínquos assim. Como não tenho parâmetro de comparação com outros Jogos, fica a impressão que está acima da média Nacional, mas aquém de um evento deste porte. Nos esforçamos para entregar os melhores jogos possíveis dentro da nossa triste realidade. Sob este prisma, até que não está ruim. Alegre, divertido, ora informal demais, ora enrolado. Parece que não vai e, de alguma forma milagrosa, funciona. Pois é, isso é Brasil.

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