Os 10 mandamentos do Rei das ComicShops: Eunuco Edition ou “como vender quadrinhos”

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Olá enxutos!

Depois do digníssimo not post do Moe sobre as comicshops, eu pensei, pensei, pensei… e resolvi contribuir com minha visão de quais seriam as leis fundamentais do mundo dos quadrinhos…mas pela visão de quem também importa: os roteiristas!

Então se você deseja se aventurar no camarote das editoras, siga essas dicas e agregue valores ao seu roteiro!

10) Viagem no Tempo

Uma saída clássica, já usada desde a literatura do Século XIX, consagrada no livro de H.G. Wells, “A Maquina do Tempo”. Todos nós sempre sonhamos em mudar coisas erradas ou oportunidades perdidas em nossa história. Viajar no tempo seria útil para se pode aprender com os erros do passado e ainda por cima consertar esses erros antes que eles se tornem passados.

Menos nos quadrinhos…

Aqui a viagem no tempo só dá em merda. Você altera todo o continuum espaço-tempo, e no fim causa uma grande confusão. E não se preocupe, pois se você reparar todas as merdas que provavelmente você mesmo fez, outra pessoa vai vir e estragar a linha do tempo toda de novo….

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Se quiser fazer como o The Flash e viajar no tempo, pule da posição 10 direto para a primeira, porque hoje em dia, elas são praticamente a mesma coisa!

09) Herói Malvado

Nada mais cativa o público do que ver um herói sendo heróico. Mas em contra parte, nada mais excita um público do que ver esse herói se dar mal. Afinal, como diziam os gregos “aponta-me um herói, que lhe narrarei uma tragédia”.

A modinha do momento é transformar heróis em vilões. Ou pelo menos fazê-los cruzar a imaginária, porem necessária, linha entre o certo e o errado. É uma política de que os fins justificam os meios.

Então coloque ela em prática, e transforme aquele ícone da bondade em um assassino serial! Acredite, vai vender horrores!

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Simplesmente o maior VILÃO de todos os tempos ( os Super xóra)

08) Vilão Bonzinho

Se um herói passando dos limites é atraente para os  leitores, o que acha do inverso então?

Ah, a redenção! Todos nós a buscamos, mas a maioria de nós é muito arrogante ou preguiçoso para se corrigir e admitir os próprios erros. Logo, porque não colocar isso em uma historia, onde um vilão genocida, deposta, vil e maligno, pode mudar de ideia e se tornar…um diretor de acadêmia por exemplo?

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Já perdi as contas de quantas vezes o Magneto foi membro dos X-men…

07) Clones

A ideia é simples: Se um personagem fizer algo de muito errado, muito imoral…se o público o detestar, como você reverte isso? Simples. Você diz na cara de pau “Não era ele. Era um clone!”

Mas como assim? Como não era ele?  E quanto aos anos de sagas que eu comprei? E quanto ao valor afetivo que agreguei naquele personagem, projetando nele meus sonhos, anseios e desejos? E o amor que eu nutria por ele?

DANE-SE!  O AMOR NÃO CONSTRÓI NADA!  O AMOR NÃO VENDE NADA!

E se der errado, sempre se pode dizer depois que o clone na verdade era o original, e que o clone que achava que era o original era na verdade um clone de outro clone. No fim ou você acredita que não exitem mais clones, ou que todos são clones.

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Todo dia..tem um monte de merdas! Todas clonadas!

06) Magia

Simples e prático, jovem escriba. Quer mudar a realidade? Magia! Destruir linhas temporais? Magia! Acabar com matrimônios ou explicar fatos sem nexo? Magia!

A magia na verdade é uma grande “Não me perguntem sobre isso! Não sei explicar como aconteceu! É assim que vai ser e pronto!”

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Porque fazer um pacto com o capiroto para desfazer seu casamento é uma solução mais lógica e simples que…o divórcio?

05) Use a palavra “Crise”

Uma crise pré supõe uma grande saga. Você imagina todos os seus heróis reunidos, enfrentando um deus louco, ou uma ameça cósmica que poderá extirpar o universo! Bom, pelo menos era para ser assim …agora é apenas um sub-título para um mega crossovers semestral.

A regra aqui também é simples: Use a palavra “Crise” seguida de algum adjetivo bem forte e pomposo, como final, sem fim, eterna, cósmica, etc…

Se não puder usar a palavra crise, use outras que também dê a entender de que as coisas estão pretas! Coisas como “cisma”, “guerra”, “Extermínio”. Funciona que é uma maravilha!

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É assim que eu me sinto ao ler qualquer “crise”…

04) Terras paralelas

Você está indo bem até agora jovem bardo. Já aprendeu grande parte dos mandamentos para se tornar o rei dos roteiros! E essa agora é uma barbada. Supondo que você já fez pelo menos metade de tudo acima, a vida do seu personagem está um inferno, e sua realidade um pandemônio. Mas você nota que as vendas caíram. Os executivos estão tristes, tristinhos com você. Sua cabeça está a prêmio. Hora de apelar para as Terras Paralelas! Uma série de realidade diferentes, mesmo sendo exatamente iguais! A melhor característica desse artifício é que ele agrega tudo que foi descrito anteriormente com a vantagem de se poder falar “Mas é um outro mundo. Não é o personagem real que vocês amam quem eu transformei em homossexual, afro-descendente, mulher…”

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As vezes uma realidade alternativa se torna melhor que a principal!

03)Matar alguém

Toda vez que uma história se torna enfadonha, ou um personagem fica muito “datado” é preciso mudar as coisas. E como o Doutor Gregory House dizia, “Viver não muda nada. Morrer sim, muda tudo”

Matar um personagem é uma saída arriscada. Pode ser uma faca de dois gumes. A coisa boa é que o impacto da morte pode causar grande comoção no público, que vai comprar a edição principalmente pela curiosidade. A coisa ruim é quando essa morte se torna muito relevante. No mundo dos quadrinhos, matar um personagem é como fechar uma torneira que poderia jorrar muito dinheiro. É preciso saber com certeza se o personagem vai ter mais valor morto do que vivo. E caso a conclusão que se chegue é que foi uma ideia idiota, sempre se pode…

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A única morte que realmente agregou algum valor aos quadrinhos…

02) Ressuscitar alguém

Nem preciso explicar muito essa! É uma tática que vende bastante também! Basta criar uma saga chamada “retorno”, “busca”, “regresso”, transforma-la em 20 tie ins, e deixar que algo que poderia ser mostrado em dois quadros, leve quase dois anos.

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Além de servir para multiplicar um personagem sem usar o termo “clone”…não, péra..

 

01) Reboot

O botão de “reset”. A caixa de Pandora. A grande Borracha. O CTRL+Z universal.

A utilização de reboots é muito arriscada, ainda mais se você for o grande arquiteto por trás da ideia.

Isso porque  não afeta apenas a sua história, mas a de toda a linha editorial. Além de estar querendo refazer as sua merdas, você vai estar mexendo na merda dos outros! Nem todos os seus colegas de trabalho vão gostar de jogar as suas ideias brilhantes no lixo. Logo se prepare para ser odiado. Mas esse ódio é irrelevante frente ao que você realmente deseja: inflar seu ego!

Sim, pois agora você é um Deus Nerd, alterando toda uma realidade ao seu bel prazer! E essa realidade vai vender como água no deserto, lhe rendendo o status de maioral e lhe dando a autoridade de mandar gênios e ícones da arte sequencial embora, ou os forçar a sair de fininho, dizendo que vão logo ali…

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Essa bomba…ta dando mijones! Então aposte nisso! Merda vende!

Seguindo esses conselhos, vocês se tornaram mestres editorais, galgando os níveis mais altos do roteiro, quem sabe chegando ao nível do grande senhor abaixo…

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Mas eu sinceramente espero que não…

E vou ali…

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