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Enxutos, graças a Odin nós conseguimos sair da maldição do UOL e temos um novo servidor lindo, cheiroso e arrumadinho excRusivamente para nós. Porém, tudo nessa vida tem um preço e acabamos perdendo nosso acervo de mais de dois anos de postagens. Tá, 70% era coisa bem idiota mas, nesse bolo todo, nós tínhamos alguns textos realmente muito legais. E um particularmente que me deu muito orgulho de elaborar foi sobre o nascimento do meu filho que eu republico agora. Sei que tem uma galera nova nos visitando há algum tempo que não chegaram a ler esse texto. Para quem já leu, curta ele de novo ou espere a próxima resenha do King.

Enxutos viados bichas e cornos mansus, quem acompanha essa meleca que o King faz questão de manter atualizada e bonitinha sabe que eu, até um tempo atrás, era apenas o feliz padrasto de dois lindos lobinhos. Porém, tudo mudou ano passado quando eu e Sra Sorg fomos surpreendidos pela notícia que meu legítimo herdeiro de porra nenhuma estaria entre nós depois de nove meses. Pois bem, 5 meses depois do nascimento do meu filho, venho partilhar com vocês as alegrias e mazelas de um pai de “primeira” viagem em um post totalmente fora dos padrões do BdE.

Tudo começou quando, em meados  do fim de fevereiro e começo de março de 2012 a Sra Sorg começou a sentir fortes cólicas, mais severas do que as habituais mensais.  Como a situação não mudou após tomar alguns paliativos para as dores, ela se dirigiu à sua ginecologista de costume. Alguns exames, algumas consultas e ela foi diagnosticada com infecção no canal urinário. A contra gosto, a cabeça dura da minha gentil esposa aceitou começar o tratamento, mesmo jurando de pé junto que não era aquilo que a médica concluíra..

Pois bem, em um domingo do começo de março, a Sra Sorg acordou com um ligeiro mal estar que foi se agravando até que, no fim da tarde nos dirigimos ao hospital.  Blá blá blá de sempre, preenche a ficha, responde um ordinário questionamento que não serve pra porra nenhuma e aguarda…. aguarda… espera mais um pouco…. aguarda mais…. Nesse ponto, as dores da minha esposa já tinham passado mas, como estávamos lá mesmo, agora vamos esperar a porcaria do médico. Um pouco mais de uma hora depois, fomos atendidos por um “médico” com cara de ator da malhação recém saído das fraldas e com um mau humor maior que eu jamais tive.

Recomendação do Sorg

Minha esposa relatou as dores que vinha sentindo, o diagnóstico de sua ginecologista, relatou a medicação que estava tomando e, antes que ela pudesse terminar, o tal médico disse na lata você não está com infecção de nada, está grávida. Pega essa guia e suba no segundo andar para um exame de sangue apenas para confirmação.

Nesse ponto, nossa preocupação não era com o fato de um possível bebê que estava programado para nossas vidas quase dois anos a frente mas sim se o medicamento que minha esposa estava tomando nos últimos 3 dias faria algum mal na formação do bebê que a péssima ginecologista identificou como uma infecção.  Adiante, subimos para a obstetrícia, sangue foi colhido para os exames e esperamos por 40 longos minutos na sala de espera (nenhum dos dois queria arredar o pé de lá antes de termos a confirmação). Agoniantes momentos depois, chega o obstetra com cara de sono confirmando a notícia que The Sorg furou a última semana da cartela de pílulas anticoncepcionais e que, 9 meses depois, ele estaria tocando o terror entre nós.

Os noves meses de gestação da minha esposa foram tranqüilos. Ela engordou apenas o necessário para seu bem estar e do bebê, o guri cresceu saudável e conforme o esperado e a notícia foi bem vista por ambas as famílias e o círculo de amigos próximos (entre eles, os pulhas do BdE). The Sorg mexia bastante principalmente a noite porém parava no momento que eu colocava a mão na barriga de minha esposa. Incrusivis, meteu uma voadora na costela da minha esposa no caminho de um casamento de um casal de amigos que arrancou lágrimas da minha paciente companheira.

Entonces, na madruga de 10 de dezembro de 2012, por volta das 02:00 da manhã, Sra. Sorg me acorda com as seguintes palavras: não se assuste mas a minha bolsa estourou. Fiquei de pé e trocado num pulo, carregamos os outros dois pimpolhos para dentro do carro, colocamos as malas que já estavam previamente arrumadas no Sorgomóvel, deixamos as crianças na casa da avó e, às 03:00 da manhã, nós demos entrada no hospital. Por volta das 04:30, o médico responsável pelo pré natal da minha esposa apareceu no quarto, mediu a dilatação, pressão e outras coisas para avaliar em qual grau se encontrava o trabalho de parto e, desta feita, ficamos no aguardo. Às exatas 06:00 da manhã, as contrações da minha esposa chegaram num estágio avançado (e sim, a mulher tem um força impensável. Minha esposa apertou meu pulso com tamanha força que eu nunca poderia imaginar que ela possuía) e por volta das 06:30 ela finalmente foi encaminhada para a sala de parto.

Deste ponto perdi a noção do tempo. Fui levado por uma enfermeira para o backstage da sala e, após ter trocado minhas roupas por um uniforme do hospital devidamente esterelizado, aguardei por o que me pareceu séculos. Ninguém aparecia para me levar à sala de parto e, aflito, fui bater na porta de o que me parecia uma entrada de funcionários. Uma enfermeira me atendeu e, pacientemente, pediu para que eu aguardasse mais alguns minutos. Finalmente, fui gentilmente levado para a sala e daí acompanhei todo o trabalho de parto (normal) da minha esposa. E assim, as 08:00 da manhã de segunda feira, 10/12/2012, The Sorg finalmente chegou em pessoa na minha vida. A sensação é algo completamente indescritível, algo que apenas os poucos pais que estão lendo essas linhas porcamente escritas sabem. Chorei largado (como dizem por aqui) por uns 10 minutos sem parar. E relembrando esses momentos é impossível não ficar com os olhos marejados.

Acompanhei meu lobinho sendo limpo pela pediatra plantonista, seu primeiro chorinho, fui com ele até a maternidade e fiquei lambendo o vidro da sala até que ele finalmente foi liberado para ir para o quarto. Minha esposa se recuperou bem e rapidamente (no mesmo dia, ela se levantou, tomou banho de pé e sozinha e, ao fim da tarde, já andava normalmente) e tanto ela quanto o guri passaram bem o primeiro dia da vida do meu filho. Aqui, um pequeno adendo: vocês futuros pais, conversem com seus médicos e optem pela cesariana apenas em último caso. No dia do nascimento do meu filho, outras 5 mães deram a luz. Apenas a Sra Sorg teve parto normal, todas as outras foram cesária. Vi duas mães serem levadas de volta para o apartamento. Uma completamente chapada da anestesia e outra gemendo alto de dor, com uma cara de quem tinha acabado de ser atropelada. Minha esposa se recuperou muito rapidamente e muitíssimo bem. Na alta do hospital na manhã seguinte, andava normalmente, sem dores ou qualquer tipo de sequela. Mas, enfim…

No momento que digito essas linhas, The Sorg conta 5 meses de vida (4 meses e 26 dias para ser mais exato) E, a menos que você seja um filho da puta que colocou uma criança no mundo e pouco se importa com isso, a sua vida muda completamente. 100% por cento. Pelo menos a minha vida mudou. Seu tempo para qualquer outra coisa diminui consideravelmente (inclusive seu tempo de sono), a grande maioria dos seu orçamento é calculado ao extremo, suas prioridades mudam completamente, seu foco idem, seus gastos aumentam… Porém, entretanto, contudo e todavia, é a maior felicidade do mundo. Fato. Você deixa de lado muita coisa em prol de uma pessoinha que faz toda a diferença do mundo para ti. E você o faz sem reclamar e sem se importar por não poder comprar x ou y ou não poder ir em tal lugar. Tudo isso se torna irrelevante quando você o deixa de fazer / ir por causa de seu filho (a).

Óbvio que nem tudo são flores. A preocupação é constante, você se depara com problemas que nunca nem tinha imaginado passar, se torna um especialista em preços de fraldas, carrinho, roupinhas, cremes, loções e afins, visita escolas e conversa com pessoas que “normalmente” nunca fariam parte da sua vida, vira um expert em logística caseira (coordenar uma casa com 1 pré adolescente, 1 gurizinho hiper ativo, 1 bebê, 2 cachorros e 1 gata é um trabalho hercúleo), trabalha em casa mais que você trabalha no seu emprego… E isso porque nem comecei a falar que os meus gibis agora eu leio no caminho casa – trabalho – casa, postEs eu faço na hora do almoço, séquisso com a patroa? Não sei o que é isso hauiahuiahaiuhaiahiahaiahiauhia… não sei porque estou rindo. Sério, triste isso…

Enfim enxutos, mas tudo isso vale a pena (a não ser a parte do séquisso. É tenso…) quando você acorda ás 05:00 da matina com o ódio maior que a vida, se dirige ao berço do seu rebento e ele está acordado e abre um sorriso de orelha a orelha quando te vê. Seu mau humor some automaticamente. Acompanhar o desenvolvimento do pimpolho, acompanhar ele crescendo, desenvolvendo o tato, a visão, aprendendo a reconhecer as pessoas, perceber suas próprias características naquele que é a pesssoa mais importante da sua vida no momento que você descobre que sua esposa / amante / companheira / namorada está grávida não tem preço (e a mastercard não paga).

Mas reforço: é a maior responsabilidade do mundo e, caso você ainda não tenha a pretensão de vivenciar isso tudo, pratique o sexo seguro, use a porcaria da camisinha (que é distribuída gratuitamente em postos de saúde) e seja responsável pelo seus atos para com a pessoa que se dispôs a ir pra cama contigo caso dê merda.

E chega, acabou o podca.. OH WAIT.

Atualização:

Hoje meu filho está a beira de seu 11º mês de vida. O crescimento acontece a olhos vistos e eu me espanto como o tempo voa e o desenvolvimento do guri é veloz. Antes um pentelhinho que só mamava, dormia e arrotava, meu filho hoje almoça e janta papinhas com pedaços (os pais de plantão sabem o que é isso), fala o tempo todo (didi, dá, bula, mama, dada  -tentei ensinar ele a falar porra dadá mas ainda não rolou), frequenta escola em tempo integral, já ficou doente e me deixou desesperado, já me fez perder noites de sono por pura manhã de não querer dormir, já me fez esperar no plantão da pediatria com o coração na mão, se arrastava pela casa toda, morre de gargalhar brincando com os irmãos e continua a ser o meu maior orgulho e meu bem mais precioso.

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