Genesis

Mais um poste retirado das entranhas do UOL (porque das entranhas do Dadá, somente Edu Aurrai conseguiu voltar. Entendedores entenderão) e dessa vez de um livro. Sim, aquelas coisas sem desenhos que vocês passam longe. Bão, sem mais mimimis, cliquem logo aí:

Mundo pós apocalíptico é um tema inesgotável para qualquer tipo de mídia. A gama de opções que podem ser criadas com essa premissa é praticamente interminável. O grande x que marca essa afirmação é a qualidade dos conteúdos produzidos. Porém, o acaso as vezes nos prega peças e algo de qualidade acaba aparecendo na nossa frente. E foi mais ou menos assim que Gênesis acabou em minhas mãos (ui).

Emprestado pela dona da banca que costumo gastar meu suado dinheirinho, esse livro chama a atenção pela premissa deveras interessante.

Idealizada por um milionário, uma nova sociedade se forma em um arquipélago após o restante do mundo ter sido dizimado por peste / guerras. Radicalmente xenófobos, a República é cercada por uma das mais impressionantes obras de engenharia já realizada pelo homem: a cerca marítima, um complexo sistema de segurança que impede que qualquer tipo de embarcações se aproxime do conjunto de ilhas. Além disso, todos os pontos de acesso são vigiados constantemente por soldados treinados que abatem aviões e similares que se aproximam.

Recomendação do Sorg

Desta feita, a sociedade cresce e prospera alheia aos acontecimentos do resto do mundo, sendo regidos por um governo fascista.

A história começa de fato com a personagem Anaximandra (Anax) tentando uma vaga na Academia, a instituição responsável por essa nova ordem. O processo de inclusão na Academia se dá por meio de uma entrevista e dissertação sobre um determinado tema previamente escolhido pelo candidato. E Anax escolhe discorrer sobre Adam Forde, um soldado há muito morto que foi responsável por uma série de mudanças que abalaram a sociedade utópica da República.

De forma não linear, Beckett vai e volta no tempo, intercalando a entrevista de Anax e os tais fatos ocorridos com Adam.

Esse pano de fundo é muito bem utilizado pelo autor para abordar temas filosóficos e religiosos como consciência, alma, percepção e tecnologia (!). Em forma de diálogos entre Adam e Art, o último da trinca principal de protagonistas, Beckett discute as implicações da tecnologia e das máquinas auto consciente frente às doutrinas da religião. Durante as 176 páginas, o autor levanta pontos interessantes de forma dinâmica e ele consegue esmiuçar questões filosóficas sem soar didático ou forçado.

Além disso, durante todas a leitura, é perceptível a quantidade de referências que Beckett usa para construir a realidade de Gênesis: V de Vingança, Exterminador do Futuro, Isaac Asimov, Planeta dos Macacos, etc. E todas essas referências são usadas de forma inteligente para se criar uma ótima narrativa.

Mas, inquestionavelmente, o grande trunfo do autor é o final de Gênesis. Em momento algum ele te dá pistas que aquele determinado evento irá ocorrer e, quando o faz, é um verdadeiro soco na cara. As últimas páginas são embasbacantes e o final é de deixar sem fôlego. Simplesmente fantástico.

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