Ou “Aquela HQ suspeita do Batman que você gosta”.

Olá, chuchus, enxutos e camaradas! Como vocês estão? Se sentindo um monte de merda? Se sim, meus pêsames, mas não é sobre as suas vidas fracassadas que vou falar hoje e sim sobre a HQ “Batman e Drácula: Chuva Rubra” e o meu gosto peculiar por desenhistas estranhos.

Não é verdade, Mestre Liefeld?

Estava eu no centro de Santo André City e, como todo bom nerd com uma graninha extra no bolso, fui direto à Banca do Mikey, sebo especializado em HQs e em revistas pornôs. Durante a minha visita, recheada de pornografia barata e gibis caros pra caralho, vi a minissérie “Batman & Drácula: Chuva Rubra”, da dupla responsável por várias HQs do Morcegão, Doug Moench e Kelley Jones. Siiiiiiim, Kelley “fucking” Jones, o cara que desenhou um dos arcos mais fodas de “Sandman” e, sob a possessão do mestre Rob Liefeld, fez uma das capas mais anatomicamente erradas dos anos 90.

Com um preço bacana, comprei a HQ com um baita sorriso no rosto e não é que a história é boa? Publicado em 1992, pela Abril e em três partes, “Chuva Rubra” narra a chegada do Drácula e seus seguidores em Gotham, cidade que despertou o Príncipe das Trevas, devido ao alto índice de violência, ódio e negligência. Com diversas prostitutas e moradores de rua, sendo encontrados mortos com suas gargantas mutiladas, Batman, que vive tendo sonhos com uma mulher enigmática, parte em busca pelo responsável, sendo que ele próprio pode ser a próxima vítima.

Metade de Gotham está sendo atacada e o que o Bruce faz? Exato! Fica pensando sacanagens. É um herói de merda mesmo, viu…
Recomendação do Sorg

Histórias de terror sempre combinaram com o Batman, basta ver a extensa lista de HQs do herói desse gênero, (“Asilo Arkham”, “Sina Macabra”, “Morte da Família” e entre outros exemplos) e aqui não é diferente. Com um clima que lembra bastante o Bram StokerStephen King, “Chuva Rubra” é uma baita boa surpresa, principalmente pelo roteiro do Doug Moench, que soube como criar uma história de horror e, ao mesmo tempo, divertida. Apesar de algumas pontas soltas e forçadas de barra, o plot sobre o prefeito de Gotham, que por ser negro, tem medo que esses crimes macabros manchem sua carreira política, que, francamente, é uma ideia bem sem sentido, Moench construiu uma história bem interessante e curiosa, principalmente pela ideia de utilizar a violência de Gotham e o desprezo da sociedade para despertar o Príncipe das Trevas. É bom deixar claro que “Chuva Rubra” não é aquela HQ que vai te fazer se borrar todo, mas é um bom exemplo de como fazer um gibi de terror honesto.

Minissérie publicada pela Abril em 1992.

Já a arte… Caraaaa, o Kelley Jones é um cara engraçado. Em Sandman e “Desafiador: Amor Após a Morte”, Jones fez páginas lindas e detalhadas, com um ar clássico e gótico de dar gosto, mas o mesmo desenhista teve uma fase bizarra (da qual eu adoro) no Batman. Seu traço muda demais, indo do gótico ao cartunesco em poucos segundos, e podemos ver isso nessa HQ. Seu traço e, principalmente, seus personagens mudam demais ao longo da história, e, o pior de tudo, é que eu adoro a arte desse puto!  Quando está inspirado, Jones faz uma arte detalhista que lembra demais as melhores histórias do Bernie Wrightson, na revista Creepy, e aqui tem vários momentos assim – se bem que creio que o mérito seja da arte final do Malcon Jones III -, mas a quantidade de páginas “estranhas” também é algo bem marcante, sendo que a maior vítima disso é o pobre Alfred, que em um quadro parece o Kiko e, em outra, parece o Marlon Brando. A colorização ficou a cargo do Les Dorscheid, que mandou muito bem na palheta de cores, principalmente nos tons de roxo e azul.

A HQ fez tanto sucesso lá nos Estados Unidos, que garantiu duas continuações, “Tempestade de Sangue“, lançada em 1994, e “Bruma Escarlate“, lançada em 1999, e diversas aparições em megassagas ou edições especiais, como a série “52” e “Convergência: Monstro do Pântano”. Com uma história bacana e uma arte bem no estilo “ame ou odeie”, “Batman & Drácula: Chuva Rubra” é aquela HQ de terror que vai agradar demais os fãs do gênero e, se você for fã do Batman ou sofrer desse mal que é ser fã do Kelley Jones, essa é a HQ perfeita para matar algumas horinhas durante o trabalho.

NOTA: 7 de 10 Enxutinhos.

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