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Será que a animação faz jus a HQ?

Caros camaradas, quando o assunto é sobre as animações de super-heróis, a Warner Studios é citada com muito carinho e devoção, afinal de contas, o estúdio é responsável pela série animada do Batman, Superman, Liga da Justiça e entre vários outros desenhos e longas animados. O grande segredo das animações vinha do talento da dupla Paul Dini/Bruce Timm e, por um longo tempo, as coisas deram muito certo, até que um tsunami de más decisões e animações sem carisma veio, afogando a qualidade e a alegria de diversos fãs.

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Cancelar uma das melhores animações do estúdio, só por causa da grande base feminina de fãs não comprar os bonequinhos, é uma ótima ideia, amiguinho!

Muitos acreditam que a falta de qualidade nas animações se deve a saída da dupla Dini/Timm. Outros alegam que as histórias escolhidas, para serem adaptadas, é que eram ruins. A única coisa que era unânime é que os tempos das vacas gordas para a Warner/DC tinham acabado.

Mas como a esperança é a última que morre, a Warner/DC anunciou a adaptação de um dos maiores clássicos do Batman: A Piada Mortal, graphic novel escrita pelo Alan Moore e FODIDAMENTE desenhada pelo Brian Bolland. Para aumentar o hype, além dos dubladores Kevin Conroy e Mark Hamill, respectivamente o Batman e Coringa da série dos anos 90, reprisando os seus papeis, a produção contou com a volta do Bruce Timm, sendo que a direção ficou a cargo de Sam Liu (Planeta Hulk, Liga da Justiça: Crise em Duas Terras e Beware the Batman), e o roteiro pelo escritor Brian Azzarrello (100 Balas, Coringa, Batman: Cidade Castigada).

Recomendação do Sorg

Com todos esses elementos envolvidos, mais a censura Rated-R, era quase certo que os bons tempos do estúdio iram voltar.

Ou será que não?

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Vamos lá, DC, não me decepcione novamente, por favor!

Adaptar tal graphic novel é um puta trabalho difícil, pois, além do conteúdo forte, a HQ tem apenas 51 páginas, sendo que a duração das animações em média é de 78 min, ou seja: Azzarello teria que criar mais cenas para “encher linguiça”.

E é aí que as coisas começam a desandar…

Caso a HQ fosse adaptada literalmente, a animação teria uns 25 minutos, então Azzarello bolou uma história sobre a Batgirl, a grande vítima da HQ. A ideia em si não é ruim: Através de um jogo de gato e rato, com um mafioso, o telespectador veria toda a força e determinação de Bárbara, dando profundidade para a personagem. O problema é que o desenvolvimento é extremamente mal feito e de mau gosto, mostrando uma Batgirl despreparada psicologicamente, rasa e com uma paixonite idiota pelo Batman, gerando um grande clímax numa cena de sexo entre ela e o Bruce. Não me entendam mal, nada contra cenas de sexo ou os dois se pegarem, coisa que aconteceu na animação clássica dos anos 90; o problema é fazer os dois transarem para mostrar no final o Batman rindo que nem um louco com o Coringa, personagem que deixou a Bárbara paraplégica no meio da HQ (sem falar no possível estupro que a personagem sofreu pelo vilão, coisa que até hoje divide a opinião dos leitores).

Além do mafioso que a personagem persegue ser quase um Coringa da vida, só que mais tarado e idiota. O maior defeito do prólogo foi colocar uma “erotização” na história: O mafioso tinha um fetiche pela Batgirl, sendo que ele contratou três prostitutas para usarem a fantasia da heroína, fora o desastroso “Foi apenas sexo, pelo amor de Deus!” que Bárbara grita ao telefone, quando falava com Bruce. Eu não sei o que diabos o Azzarello fumou, para achar que é só falar sobre sexo ou dar um close na bunda das prostitutas e da Bárbara, para deixar a história mais adulta, sendo que ele é um dos maiores autores de quadrinhos adultos da atualidade. Porra, a fase dele no Hellblazer tem um arco inteiro, sobre fetiches e o submundo do sexo, que é extremamente bem feito! A impressão que passou é que o Azzarrelo imitou um adolescente que acha que já é adulto, porque assiste a filmes pornôs no Xvideos. O irônico é que Bárbara aparece depois só em mais duas cenas: Na tortura feita pelo Coringa e no hospital, onde o doutor afirma que ela virou paraplégica.  O site Collant Sem Decote falou desse assunto de uma forma bem legal aqui.

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“O que?! Como assim não colocar umas cenas de rala e rola não faz o desenho ser adulto?!”

Não era melhor usar esses 30 minutos, para mostrar como a Batgirl é fodona ou como ela começou a lutar contra o crime? Caralho, dava até para fazer uma pequena história mostrando a obsessão do Batman pelo Coringa e vice e versa!

Enfim, depois dos 30 minutos mais vergonhosos das animações da DC, a Piada Mortal realmente começa, mas sem a sutileza e força que a HQ tem. A adaptação em si não está ruim, só preguiçosa, explicando para o telespectador tim tim por tim tim o que está acontecendo. Sabe o que o Nolan fez com o Interestelar (filme da qual eu gosto pra caralho) e o Snyder fez com o Watchmen? Então, todas as nuances foram para a descarga.  O que me deixou mais puto é que a animação tem uma cena onde o Coringa e seus capangas fazem um julgamento contra o Gordon, na qual encontra-se um livro escrito “A Lei”; na hora eu pensei que ele iria abrir o livro e ver as fotos da Bárbara lá, meio que no clima do filme Se7en, mas essa oportunidade de ser inteligente e perturbador foi descartada num piscar de olhos.

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“A única piada aqui é os fãs terem achado que a animação ia ser bacana! HÁ!”

Se até eu tenho ideias melhores, do que o pessoal da Warner/DC, é porque a coisa está realmente feia.

Outra coisa que me incomodou foi a animação em si, que estava bem dura em alguns momentos. O Design dos personagens até que estava bacana, mas tinha hora que parecia que eu estava vendo um desenho do Adult Swim (porra, que saudade do AS). Agora, a única coisa boa desse amontoado de merda foram as dublagens do Kevin Conroy e Mark Hamill, principalmente do Hamill, que conseguiu fazer o Coringa mais assustador de todos os tempos (foi mal aí, Heath Ledger).

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Mark Hamill (o eterno Luke) e Kevin Conroy, em um momento de paz, amor e brodagem.

Minha nota? 3,5 revoluções comunistas (de 10), mas só por causa dos dubladores. É bem triste dizer isso, mas no campo de filmes e animações, a DC está pior do que eu em entrevista de emprego.

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