SPOILER DO FINAL DA REVISTA!

E não é que fomos surpreendidos novamente?

Salve, salve, cambada de Enxutos e Enxutetes! Incrível como um caracterizado “marvete”, há tempos sem escrever resenhas, acaba voltando justamente para falar da DC. Estaria sendo um agente infiltrado só para falar mal? Ou apenas um exemplo que a rixa DC x Marvel é apenas fruto de “radicais livres” e sua dieta sem gorduras trans?

Enfim, filosofia de boteco a parte, estava sem muito o que fazer, quando me deparei com mais um crossover da DC vs. Looney Tunes. Já tradicional na Distinta Concorrência, vira e mexe a Casa do Bátima eventualmente faz algo “fora da caixa”, misturando personagens e levando uns aos universos dos outros. No caso em específico, a iniciativa tem one-shots diversos, trazendo os personagens da Turma do Pernalonga para a “realidade” dos quadrinhos da DC, e um título acabou me prendendo a atenção e optei por lê-lo, tornando-se uma grata surpresa: Batman Elmer Fudd #1 (em tradução livre, Bátima e Hortelino Troca-Letras).

Vamos a alguns spoilers? Pelo menos o contexto geral da história… Hortelino Troca-Letras é um matador aposentado, em busca de vingança. Descobrimos ao longo da história que sua amada fora assassinada por Bugs “The Bunny” (sinceramente não sei como irão traduzir para fazer sentido em português, mas é o Pernalonga) e, por isso, está aberta a temporada de caça ao Coelho. Em uma noite chuvosa, Troca-Letras vai ao bar do Gaguinho, onde encontra seu alvo. Da conversa cheia de referências da animação, quando Hortelino está pronto a atirar, Pernalonga propõe uma barganha por sua vida e diria o nome de quem o mandara matar a amada de Hortelino: Bruce Wayne. Troca-Letras poupa o Coelho e começa sua nova caçada… e chega de spoilers.

Recomendação do Sorg

Comecemos as análises pela arte de Lee Weeks e cores de Lovern Kindzierski. Como já de outros carnavais, curto o trabalho de Weeks e foi este o motivo inicial pela leitura. O estilo noir, implementado na narrativa, é refletido perfeitamente pela arte. Os tons mais sombrios e cores opacas, casado com um nível de detalhes interessante, faz o conjunto ser harmonioso. Entretanto, o que salta aos olhos são as caracterizações “humanas” dos personagens de Looney Tunes. Os detalhes “coelhíticos” do Pernalonga humano são apenas a evidência mais visível. A graça fica por conta dos demais personagens, que tem pouco “tempo de tela”, mas que você descobre aos poucos, seja por cores da roupa ou por frases típicas, soltas em momentos estratégicos.

Sobre o enredo do meu xará, Tom King, com a liberdade e sem compromisso de ter um arco mensal, o autor desenvolve um trabalho bem interessante. Dentro do possível, há um clima de mistério e reviravolta, que faz o leitor mergulhar naquele mundo, mesmo que por apenas 15 minutos. Além disso, o enredo estilo noir “brinca” com os conceitos da animação, trazendo-a para o “mundo real”. Por exemplo, a troca de frases entre Pernalonga e Hortelino no início da HQ é uma versão mais centrada da conversa tradicional das animações, com perguntas-respostas diretas e provocativas, em especial do Coelho, tentando tirar o Troca-Letras do seu lugar comum. Por fim, acaba até mesmo enganando-o e poupando sua vida. O interessante, neste caso, é o tom mais comedido e referencial aos desenhos, fazendo com que os fãs (ou pelo menos aqueles que viram na infância) se deleitem com frases e situações familiares, em um contexto totalmente diferente daquele que estava habituado. Para os fãs do Bátima, há um personagem central na história, há muito que não via e só os fanboys mais fervorosos irão saber de cara quem é, antes de ir àquele que tudo sabe para descobrir.

Enfim, vale a sua leitura. Mesmo que a história em si não lhe prenda, divirta-se tentando descobrir quem é quem no Bar do Gaguinho. Já valerá a pena.

E no fim tem uma história curtinha, invertendo os papéis, onde o Bátima vai ao mundo de Looney Tunes…

Nota: 08 de 10.

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