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Retomando uma ‘tradição’ Enxuta, hoje falaremos sobre algo do Eixo do Mal Marvel/DC. Clica aê e confira o Morcego Negro de Brian Buccelatto pela Dynamite na Resenha Enxuta: The Black Bat #1-9…

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Salve, salve caros Enxutos. Atendendo a pedidos do Super e de alguns enxutos, a Quarta-Feira Sem Mainstream de hoje apresenta a nova versão de um personagem da Era de Ouro dos quadrinhos, The Black Bat, O Morcego Negro. Antes de irmos direto ao que interessa, um breve histórico sobre o personagem. Para quem não sabe, ou não se importa, a primeira aparição do Morcego foi em 1933, na Black Bat Detective Mysteries #1, escrito por William Jenkins (sob o pseudônimo de Murray Leinster). Curiosamente, a série durou apenas 6 edições e o protagonista jamais teve seu nome revelado. Como ‘moda’ na época, Bat era apenas um investigador particular que ajudava a polícia.

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A segunda versão do herói, esta sim a qual serviu como referência para este nova visão da Dynamite, surgiu em julho de 1939 no título Black Book Detective. Escrito por Norman Daniels (sob a alcunha de G. Wayman Jones), a história acompanhava as desventuras do ex-promotor Anthony Quinn. O referido cidadão acabou perdendo a visão por ácido jogado por um bandido a mando de Oliver Snate, um chefão do crime. Com a ajuda de uma misteriosa mulher chamada Carol Baldwin, acaba aceitando uma cirurgia de córneas onde acaba, além de recuperar a visão, ter a capacidade de enxergar no escuro. Com o tempo, desenvolveu habilidades naturais a um cego, como audição, olfato e tato mais sensíveis. Segundo relatos, obviamente, o Demolidor teria sido inspirado neste personagem. Já em relação ao Batman, apesar das controvérsias, aparentemente ambos surgiram no mesmo período, sem existir uma ‘inspiração’ entre ambos. O fato é que O Morcego Negro ‘inspirou’ as manoplas com ‘barbatanas’ do Batman, dado que o primeiro fora quem usara algo desta natureza bem antes do ‘nosso’ Bruce Wayne…

Recomendação do Sorg

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E o atual? Pois bem, ao longo das nove edições a história sobre o passado de Anthony Quinn vai se descortinando aos poucos. Assim sendo, o que sabemos até agora: Tony (mas não o Pinga) é filho de um honesto promotor de justiça. Apesar de seguir a carreira de adEvogado, Quinn decide fazer dinheiro e assume casos onde precisa defender a marginalia, a despeito das súplicas de seu pai para seguir um caminho mais ‘reto’. O fato é que seu pai fica doente, em estado terminal, e Quinn finalmente se arrepende dos rumos que tomara na vida. Com o pai no leito de morte, Tony decide não entregar uma testemunha chave de um julgamento contra o chefão do crime Oliver Snate. O vilão fica fulo da vida e, mesmo com Quinn pedindo para que pudesse se despedir de seu pai moribundo, ordena para seus capangas darem um ‘sossega leão’ no advogado. Por fim, com a recusa de Quinn em dizer quem é a testemunha, Slate decide puni-lo. E, dizendo que como a justiça é cega, o próprio Snate faz isso:

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Por fim, o jogam em frente ao hospital onde seu pai está internado. Recebe os primeiros atendimentos, mas já é tarde demais para poder se despedir de seu progenitor. Papis Quinn não resistiu e morreu. Atordoado e cego, Tony decide se suicidar pouco depois, jogando-se de uma ponte. Entretanto, pouco antes da queda, uma misteriosa mulher surge lhe oferecendo uma oportunidade para se vingar e recuperar a visão. Inicialmente, o advogado rejeita e realmente tenta se matar. Entretanto, uma equipe de mergulhadores está a postos e o salva. A mulher, chamada Carol, trabalha para uma misteriosa agência e estes têm planos para usar o Tony Quinn em seus propósitos.

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Após o salvamento, Quinn aceita e passa por um processo cirúrgico (não é mostrado na hq, apenas citado). Assim, passa a ter globos oculares negros e a capacidade de enxergar na escuridão, além de ter de volta sua visão. Além deste ‘poder’, nada é mencionado sobre as habilidades de Quinn, apenas há uma passagem de tempo (cerca de 18 meses) e nada mais. Já nas primeiras aventuras, percebe-se que o herói luta em alto nível, algo não condizente com seu status anterior. E sim, usa um par de armas. Um detalhe adicional: como parte do ‘experimento’, a equipe da agência consegue ‘ver’ pelos olhos de Quinn, gravando e assistindo a todos os seus movimentos…

Por fim, a escolha do nome foi bem ‘casual’, dado seu novo poder. Quando questionado por um meliante qualquer qual seria seu nome, inicialmente solta um ‘Bat’, mas logo pensa melhor e solta o ‘The Black Bat’.

Em paralelo a estes acontecimentos do passado, são intercalados a história principal. Já como Morcego Negro, o herói começa sua vingança contra Oliver Snate. Por sinal, descobrimos que o pai de Carol fora assassinado pelo vilão, sendo esta uma de suas motivações em usar Quinn como este cobaia. Como pano de fundo, acompanhamos Snate e seu plano para tocar o terror na cidade. Sequestra pelo menos uma dezena de policiais, sem solicitar resgate ou alertar motivos. Em um segundo momento, captura um policial incorruptível e acima de qualquer suspeita. Chantageia-o para que este possa levar uma bomba para o tribunal de justiça, onde poderiam matar centenas de juízes e promotores públicos. Para mostrar que fala sério, degola um dos sequestrados em frente ao policial…

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Sem muita escolha, o policial decide realizar a missão suicida. Neste interim, o Morcego investiga os sequestros e acaba envolvido na trama. Ao descobrir a localização do cativeiro, é alertado pelos policiais sobre o plano de Snate. Parte para o Tribunal e, com disparos para o alto, consegue criar pânico e a evacuação que julgava necessária. Só que o ‘homem-bomba’ estava fora do prédio, levando todos para a morte certa. Resultado: 167 mortes e o Morcego, já não muito bem visto pela polícia, acaba caindo em desgraça de uma vez.

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Fechando a resenha. Quinn em acesso de fúria por causa dos fatos anteriores e estimulado por Carol, invade a fortaleza de Snate, o fere e entrega a polícia. Rola um clima entre Morcego e Carol. Logo após uma noite de rala e rola entre os dois, a loura é capturada pelos homens de Snate. A mulher que fora demitida da agência por estimular Quinn a caçar Snate, mesmo quando não orientada a fazer isso, ainda possui alguns amigos na agência e estes alertam Quinn sobre o ocorrido. Desta vez, no entanto, há uma exigência: Morcego deve salvar Snate da prisão. Sem opções, o herói cumpre sua parte do acordo e liberta o chefão. No entanto, Snate cumpre parcialmente o acordo, liberta Carol, mas esta está ferida mortalmente, terminando assim a edição…

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Como habitual, as análises a la Jack, começando pelos rabiscos de Ronan Cliquet. Com um traço correto, usando bem as sombras para realçar a realidade mais ‘dark’ do herói, a arte se sai razoavelmente bem. Não há um grande destaque, salvo a sacada já bem manjada de usar o preto e branco em contraste ao colorido quando estamos em um momento do passado. Ademais, a ação é fluida, cenários ok e nada mais. Simples e objetivo, sem muitas churumelas.

O enredo de Buccellato (este nome…) possui um ritmo bem interessante. Sem ir no caminho mais óbvio de contar toda a origem de uma vez, pincelando ao longo das 9 edições algumas cenas do passado, o autor prende sua atenção ao deixar aquela sensação de querer saber mais. A história principal é bem crível dentro da sua proposta, seguindo uma linha mais policial e menos heroica. Por sinal, o próprio ‘herói’ não se entende como sendo um, apesar de seguir uma linha bem ‘batman’ de não matar os bandidos.

Enfim, gostei. Buccelatto se mostra um autor que consegue conduzir satisfatoriamente uma historia policial, sempre deixando um gancho e uma dúvida para prender a atenção do leitor. Nunca li as histórias originais do personagem, mas destas novas versões pulp da Dynamite que li (pena que o UOL apagou as resenhas), o Morcego concorre palmo a palmo com O Sombra, deixando O Aranha (The Spider) para trás. Boa pedida, vale apena ler, caso queira sair do mais do mesmo de sempre.

Nota 7,5

E a última oportunidade para a votação da semana, não se esqueçam:

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