E bora falar da nova empreitada da dupla de dois Mark Waid e Chris Samnee.

Salve enxutos. Depois de alguns bons meses sem ler nada atual de nenhuma editora (afinal, ainda prezo um pouco minha sanidade mental) eis que resolvo conferir qual é da nova fase do Capitão América por conta da dupla que tanto me agrada, Waid / Samnee. Pois bem, meu conhecimento pregresso do que aconteceu na Marvel (Império Secreto, Capitão Hydra, yadda yadda yadda) deve-se única e exclusivamente por conta do que meus amiguinhos de BdE contaram, ok?

Dito isso, nessa nova empreitada, Steve Rogers busca reencontrar o que é ser um ideal para as pessoas, o que o Capitão América significa para os EUA e seus comedores de hot dogs e, mais que isso, o que significa ser um super herói: o mais forte, rápido e poderoso que usa suas habilidades em prol daqueles incapazes de se protegerem. Como diz o roteirista no posfácio da edição:

é possível ser um cara bonzinho não porque ele tenha problemas pessoais para exorcizar ou porque ele espera algum tipo de recompensa mas sim porque a vida é melhor quando eu cuido da sua retaguarda e você da minha.

Ui.

Por conta disso a história tem um clima meio sessentista, meio puritano, com o Capitão lutando contra vilões e salvando os incautos civis. E basicamente essa é a trama da primeira edição da dupla Waid / Samnee. A historia começa 10 anos no passado (de algum momento temporal, já já eu explico melhor) com o capitão lutando contra os Rampart, um grupo que ao fim da edição descobrimos se tratar de neonazistas, na pequena cidade de Burlington, Nebraska. 10 anos depois ele volta à mesma cidade que mudou seu nome para Capitão América por conta do feito heroico da década passada. Ele chega justamente no período da Celebração anual do Capitão América e não por coincidência, na iminência de um novo ataque dos Rampart.

Falando sobre o período temporal da trama, a principio eu achei que ela se passava em 2017 o que colocava os dez anos atrás em 2007, o que não faria sentido na historia visto que, quando o capitão aparece para salvar Burlington, ninguém sabia quem era ele, o que situa essa década anterior próximo de quando ele é descoberto no gelo e os dez anos depois em algum lugar dos anos 80. Talvez seja a intenção do autor repassar o background de Steve Rogers (para novos leitores provavelmente) e, com o passar das edições Mark Waid traga a aventura ao tempo presente e faça a ponte com os eventos recém terminados de Império Secreto. Ou não, sei lá.

Recomendação do Sorg

A edição é bom, bem legal (entendedores entenderão) maaaaaaassss tem alguns pontos que eu tenho que ressaltar: em 2015 eu assisti um workshop do Waid da CCXP sobre roteiros, seu processo de criação, desenvolvimento de ideias, etc  e tal. Nessa aula ele apresentou a sua “fórmula” para desenvolver quadrinhos, coisa que ele segue a risca. Ok. Aí eu como escritor amador, comecei a estudar mais sobre o assunto (roteiro, escrita) e passei a ler e assistir vídeo aulas sobre o assunto. Resumo da ópera: eu passei a prestar mais atenção à estrutura da escrita de tudo que leio e Mark Waid não foge à sua fórmula, pelo menos para as edições mensais que escreve. Tipo, NUNCA. Em Demolidor, Viúva Negra e agora em Capitão América, é sempre o mesmo padrão.

É ruim? Não, até porque o autor é um roteirista acima da média mas você acaba a leitura com aquela sensação de mais do mesmo. Ainda mais com a parceria de Chris Samnee. O desenhista continua com a mesma qualidade de sempre: traços simples, limpos, delicados, extremamente funcionais, fluídos e prazerosos de se ver. Juntos das cores de Matthew Wilson então, sua arte é um deleite. Mas creio que a dupla já venceu e talvez fosse hora do Waid sair da zona de conforto e trabalhar com outro artista. A dobradinha com Samnee acentua a impressão de mais do mesmo que essa edição deixa para o leitor (pelo menos para mim) e a sensação final ao término da HQ é de tá, legal mas meio nhe.

Ao fim da conta é uma boa edição de um personagem que muito me agrada. O padrão roteiro / arte é (muito) acima da média do que vejo sendo publicada pela Marvel e DC Comics mas, reforço, é muito mais do mesmo do que a dupla vem fazendo pelos últimos, sei lá, 10 anos? Em time que está ganhando não se mexe? Talvez seja hora dessa máxima mudar. Ou não e eu só sou um cara chato (o que é mais provável).

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