Chuchus, eu não achei Coringa essa coca cola toda no verão não. E segue lendo aí que eu explico porquê.

Eu ia fazer uma resenha bonitinha como manda o figurino mas o King chegou primeiro, me adiantou o serviço então vou apenas acentuar os principais pontos, positivos ou não.

Joaquin Phoenix carrega o piano nas costas. Fato. O roteiro se apoia 99,9% na atuação dele e meus amigos, nussa senhora. Não foi só emagrecer (como se essa merda fosse fácil), os trejeitos, a postura, os maneirismos de Arthur Fleck, o tom de voz, o ombro mais alto que o outro (que coisa mais bizarra) a forma de andar e a completa transformação quando ele “se liberta das amarras sociais” e se torna o Coringa é um trabalho magistral e quero muito ver ele indicado ao Surfista Prateado Dourado sem prancha. Tá certo que uma parte considerável do que ele apresenta aqui é meio tirado de Você Nunca Esteve Realmente Aqui (até o contexto do personagem é tem várias semelhanças) mas isso não desmerece o trampo do cavaleiro do zodíaco.

Algo errado não está certo

Dito isso, o roteiro é OK, mas me incomodou em alguns pontos e o principal dele é a repetição de desgraça na vida do protagonista para mostrar que ele, bem, leva uma vida desgraçada. O negócio é meio:

– Olha, esse cara é um fudido.

– Ok, blz.

– Tá mais olha só como ele é fudido. A vida maltrata ele que nem cachorro de rua.

– Aham, eu entendi da primeira vez.

– MAS OLHA SÓ, AS PESSOAS SÃO RUINS COM ELE…

– Tá cara, já saquei.

– MAS VOCÊ NÃO ESPERAVA… ESSA!!

– E OLHA MAIS ISSO! TÁ VENDO COMO ELE É FUDIDO POR TUDO E TODOS?

– ERR… Segue o filme aí, mano.

– Tá, tá bom… SUPRISE, MOTHERFUCKER. ELE É FUDIDO ATÉ PELA MÃE. (Tá, isso pegou mal mas você entendeu).

Ok…

Sacaram? No primeiro ato e quiçá em quase o segundo todo o filme recorre vezes e vezes seguidas em mostrar como o sistema é ruim, como a sociedade é ruim, como os privilegiados são ruins e vitimiza o protagonista criando “uma desculpa” para ele ser quem ele é, inclusive com um discurso que pisou na linha da pieguice se não fosse o Ikke de  Phoenix voando baixo na atuação. Isso deixa o filme ruim? Não, mas sinceramente eu não achei essa perfeição toda que muita gente anda pregando. Aproveitando o gancho, o filme também trata as diferenças de classe de uma forma maniqueísta pobrinha toda vida. Os ricos são babacas, esnobes e fodasi os pobres porque ei, nós somos ricos e passamos as férias em Miami e os pobres são pobres porque o sistema é foda, parceiro e isso obviamente vai transformar TODOS em arruaceiros, assaltantes e assassinos na primeira oportunidade. RIGHT?

Claro que não, porém como o roteiro trata isso de forma superficial, a ideia se torna rasa, justifica os atos do Coringa e, como não há contraponto para um vilão injustiçado pela vida, o papel cai no colo dos afortunados na figura de Thomas Wayne (Brett Cullen), um “vilão” unidimensional (obrigado, King) com comportamento social e político muito parecido com uma pessoa bem próxima a nós.

Para passar a régua na parte mimimizenta do texto, tem uma única cena engraçada dentro de um contexto gore e violento que é estranhamente inserida no filme. Mas Todd Phillips é conhecido por seus filmes de comédia, né? Então TACA AÍ UMA PIADA COM ANÃO. WHY NOT?

Piadas, minha filha? Tenho algo melhor que isso.

Pontuando isso, a trilha sonora não ajuda nem um pouco. As músicas instrumentais passam sensações que não condizem com a cena em tela, criam expectativas que também não se concretizam e quando temos músicas compostas por bandas ou cantores, são pequenas inserções de poucos segundos que me soaram muito fora de contexto.

Ain Sorg, como você é chato marvete mala que lambe as frieiras da Marvel.

Não meu filho mas se segura no arreio que Coringa é um bom filme mas tá longe de ser essa Lista de Schindler aí.

O clima do filme é sensacional e passa muito bem a depressão, a opressão, a tristeza e completa falta de esperança que ele se propõe. Minha esposa e eu saímos meio incomodados com a sensação que Coringa te entrega, como aqueles episódios mais perturbadores de Black Mirror, sacam?

A fotografia meio amarelada, os ambientes escuros, as cores apagadas e / ou desbotadas contrastando com a maquiagem do protagonista e as máscaras dos palhaços são realmente admiráveis e a Gotham suja, entupida de sacos de lixo por todos os lados acrescentam ainda mais o clima derrotista do filme.

O elenco não fede nem cheira e nem o De Niro faz nada digno de nota. Aliás, se fosse para citar alguém do elenco fora o Ikke, tinha que ser a Zazie Beetz. PUTA QUE ME PARIU, SUA LINDA.

S2S2S2S2

Fechando a comanda, gente, sejIm menAs. Coringa é um bom filme e só. Tem prós e contras (que quase pesam iguais na balança), é bom, vale uma promoção de segunda pagando 10 taokeys mas se for em sessão de domingo com preço cheio, eu sinceramente acho caro.

E… errrr… Tchau.