Meus queridos analfabetos funcionais, bora para mais uma resenha literária oferecida pela Editora Aleph? Resenha sem spoiler.

Em meio a uma forte tensão política internacional, os Estados Unidos sofrem um grande ataque cibernético: todos os meios de comunicação começam a falhar. Ao mesmo tempo, uma forte tempestade de neve assola a cidade de Nova York, e uma possível epidemia de gripe aviária parece se aproximar. Presos na cidade e quase sem contato com o resto do mundo, os moradores de repente se veem imersos em um cenário verdadeiramente apocalíptico. Enquanto rumores e especulações correm sobre a origem desses ataques, Mike Mitchell se concentra em questões que para ele parecem mais urgentes. A crise o atingiu em um momento crítico de sua vida, complicando seus já confusos problemas pessoais e financeiros. Agora, sua prioridade é manter a família unida e viva no crescente caos que se que se forma a sua volta.

O que acontece com o ser humano quando tiramos todas suas necessidades básicas? E quando digo necessidade básica, eu me refiro quase que exclusivamente a internet. Falando desse jeito, parece até meio boboca. Nossa, é um livro que trata sobre a queda da internet. E, trocando em miúdos, essa frase não está muito longe da verdade. Mas vamos elaborar.11913245_10153433341441294_7488555409257494242_n

Cyberstorm se passa durante um dos piores invernos americanos que se tem registro: temperaturas abaixo de zero, ventos cortantes e neve intensa. Em meio a tudo isso, o país sofre um ataque virtual que paralisa os principais sistemas de sobrevivência do homem: eletricidade e água. No meio dessa quizumba toda, conhecemos Mike Mitchell e sua família que têm que se virar nos 30 para saírem desse inferno.

Sem meter spoilers, vamos à alguns fatos sobre Cyberstorm:

Matthew Mather é dono de uma narrativa extremamente dinâmica. Somos apresentados aos fatos pela voz de Mike Mitchell e o autor conseguiu criar um personagem muito crível que te leva pelas quase 400 páginas do livro em uma ótima cadência. E o mérito de Mitchell é ser um cara comum. Ele não é um super geek, um gênio de nada, um cara sarado, lutador de artes marciais e muito menos um policial bravo e destemido. Mitchell é um cara normal, casado, com problemas no matrimônio, acima do peso, dono de uma pequena empresa e que mora em um apartamento sem nada demais. Vive uma vida trivial, bebe cerveja aos fins de semana com seu vizinho e amigo, o paranóico e divertido Chuck Mumford e cria seu filho Luke da melhor forma possível. E porque ele é tão carismático?, você me pergunta. Porque ele pode ser muito bem eu, você, seu pai e sua mãe vestido para o Baile dos Enxutos, seu irmão ou qualquer conhecido seu: um cara normal enfrentando anormalidade da maneira que acha certo para ele e seus relativos. Esse já é um dos pontos que conquista o leitor logo nas primeiras páginas.Matthew

O segundo ponto e quiçá o essencial, é que a situação absurda criada por Mather é extremamente envolvente e, em muitos pontos, chocante. O autor elabora uma realidade pós apocalíptico na cidade de Nova York atual. Em pouco tempo, a degradação do ser humano, privado de seu conforto e comodidade atinge o leitor como um soco bem dado na cara. Mather consegue te fazer sentir asco, repulsa, raiva, alegria e alívio com passagens simples e sem firulas. Há pelo menos dois plot twists na narrativa que são muito bem colocados e, ainda que um seja até um pouco previsível, o segundo é completamente inesperado.9788576572183

Jogando contra, Cyberstorm peca pela camaradagem do autor para com seus personagens. Sabem a maior arma que o Batman tem que sempre citamos no BdE (seus roteiristas?). Pois bem, no caso do romance, Mike Mitchell e sua trupe são ajudados por Damon, moleque prodígio (e um tanto quanto mal construído) que cria aplicativos fantásticos que são bem WTF. Pode ser que as invenções de Damon sejam mais factíveis para alguém que conheça sobre programação e criação de aplicativos (recurso usado sem parcimônia nenhuma pelo autor e que chega ao ponto do absurdo) mas, para o leitor leigo, soa extramente exagerado.Ciberstorm

Por fim, o final per se com as explicações podem desagradar o leitor que não gosta de tudo mastigado (momento Nolan de Mather) mas, mesmo sendo absurdamente didático, não estraga o conjunto da obra.

No geral? Uma ótima aposta da Aleph que passaria batido por mim na livraria. Apesar dos contras, Matthew Mather consegue criar um cenário muito crível, com personagens tomando decisões que uma pessoa comum tomaria, pelo certo ou errado. Selo canino de aprovação.

Cyberstorm de Matthew Mather, 2015, 1º edição, brochura, 16X23cm, 368 páginas, R$39,90

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