Enfrentando a Mundial e o Molusco?!?

Salve, salve cambada de Enxutos e Enxutetes! Eis que o excelente run do Mark Waid termina e Charles Soule assume o manto… com um personagem radicalmente diferente. Será para aproximar a também excelente série da Netflix? Muitas perguntas e poucas respostas nas linhas abaixo…

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Então, como são 8 edições desta nova fase, mas um arco fecha na quinta edição, decidimos abordar apenas estas cinco primeiras. E também como são muitas edições, vamos fazer uma resenha mais enxuta que o habitual. Enfim, tudo já começa com Murdock no uniforme negro, salvando um meliante de ser morto por afogamento. O cidadão fora jogado no rio por seus comparsas, amarrado a um peso. O início em si apenas serve para situar o leitor: ninguém mais sabe a identidade do Demolidor, salvo Foggy Nelson que, por sinal, não está muito feliz com seu amigo. O Homem Sem Medo agora é um promotor de justiça e, em suas próprias palavras, mais alinhado entre sua vida de vigilante e ‘pessoa física’, onde ambos estão ‘atacando’ os problemas.

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Além disto, temos um novo ‘sidekick’: Blindspot (Ponto Cego). Sem muitas explicações dos comos e porquês, este é um chinês de Chinatown, um jovem que inventou um dispositivo que o deixa invisível. O china de tókio é uma espécie de Demolidor de Chinatown, só que sem poderes, chinês (ahn, ahn? Ok, foi fraco). Por algum motivo ainda não definido, Matt decide treiná-lo e este passa a ser um ajudante.

Recomendação do Sorg

Seguindo, Matt descobre que há uma seita crescente em Chinatown, liderada pelo misterioso Tenfingers. O bendito Dez Dedos se diz o escolhido e protetor daquela parte da cidade, usando a fé das pessoas em prol de ganhar um cascalho em suas custas. Em especial, os imigrantes ilegais, carentes de segurança que veem no líder espiritual uma redenção, um ponto seguro e, por isso, nada mais justo dar todas as seus pertences em retribuição.

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A coisa esquenta quando descobrimos que o tal Tenfingers possui poderes, mas estes foram roubados do Tentáculo. Os Ninjas, obviamente, requerem o que fora roubado de volta. Neste imbróglio todo, Matt que iria usar o bendito rapaz que salvou no início da história como delator da Lava-Jato acaba se dando mal, pois o mesmo é ‘convencido’ pelos membros da seita a não dedurar o seu líder, o que prejudica o início da carreira de Promotor do Homem Sem Medo.

O enredo ganha mais cores quando descobrimos que o ‘Ponto Cego’ faz parte da seita dos Dez Dedos. Pior: a sua mãe (a dele, não a sua) é amante do Lula vilão e acaba ficando contra o filho quando descobre quem este é de verdade.

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Fechando a resenha, convencido de que realmente é alguém poderoso, Tenfingers decide enfrentar o Tentáculo, mesmo após ter sido atacado e somente ter saído vivo pela interferência do Blindspot e do Demolidor. Os NinDjas decidem então enviar Fist (soco) um morto vivo ultra poderoso atrás da seita. Dez Dedos é desmoralizado em frente a seus fiéis e na confusão final, quando Ponto Cego e Demolidor acabam enfrentando Fist, manda seus jagunços (oito dedos, maneta e que tais… pois é, só nomes deste naipe) assassinarem todos os membros da seita. Pelo raciocínio, desmoralizado, eles não o mais seguiriam e precisaria recomeçar tudo em outro lugar.

Por fim, Demolidor ‘mata o morto’, Ponto Cego acaba ajudado por sua mãe, evitando que seus colegas sejam mortos pelos jagunços e Dez Dedos é assassinado de forma brutal por alguém misterioso. Apesar de não saber desta participação na seita, Matt dá um voto de confiança para seu novo parceiro, terminando assim a história.

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Comecemos a la Jack, com o lápis de Ron Garney e cores de Matt Milla. Um traço um tanto sujo, abusando de tons cinzas, com boa ‘movimentação’ e detalhes razoáveis. Um e outro enquadramento fora do padrão habitual, mas usando os tons de vermelho em momentos certos. É diferente ao padrão habitual do mainstream, apesar de não ter gostado do efeito ‘visual’ do radar do herói. A solução do Samnee é mais nobre. Passa de ano.

O enredo de Charles Soule é um caso a parte. Podemos dividir em dois tipos de análise. A primeira, considerando a mudança radical acontecida na história do Homem Sem Medo. Obviamente, ou não, ainda poderá existir espaço para explicações e detalhamentos do porquê o personagem na última edição da visão Waid ser um cara mais alegre, de bem com a vida e descontraído, passar a ser um cara soturno que optou por mudar de uniforme e renegar tudo aquilo que tinha valorizado no arco anterior. É um duro golpe, difícil de assimilar. Entendo perfeitamente que se aproxima mais do Demolidor da Netflix, como bem me lembrou o Ckreed em recente troca de zapzaps. Mas… é outro personagem. Outra personalidade. Outro caminho oposto ao que se viu antes e choca ao se defrontar com tamanha diferença de pontos de vista.

Sob o segundo ponto de vista, estritamente analisando a história e deixando de lado o passado recente, não chega a ser ruim. Toca em dois assuntos importantes, a imigração ilegal e os ‘invisíveis’ estrangeiros na Terra do Tio Obama, além é claro do uso da religião como mote para se ganhar poder, dinheiro e prestígio. A ideia é boa, apesar de não se aprofundar como eu gostaria, mas desconto nesta conta o fato de não ser uma hq ‘adulta’. Tangenciar e passar alguns detalhes sobre o assunto dá robustez a história, entretanto, diante do público alvo, entendo que não pode carregar demais nas ‘tintas’. A solução final foi simples, contudo deixou aquela sensação do perde-perde. Não houve ‘vencedores’ claros, o que de fato não é algo ruim.

E aí? Depende mesmo o quanto você ficará ‘chocado’ e com ‘raiva’ pela mudança brusca. Como sei que personagens notadamente mudam mesmo, hoje busco mais uma boa história, desde que não seja algo absurdamente improvável. Para este caso, curti. Não é clássico, é inferior ao arco anterior, mas acima da média mediana de hoje em dia…

Nota 7,0 de 10

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