capaEstranhamente Estranho

Salve, salve cambada de Enxutos e Enxutetes. Eis que após um início um tanto correto, mas não empolgante, eis que a eleição aqui no BdE me ‘obrigou’ novamente a voltar esta mensal e não é que tive uma agradável surpresa, arte a parte?

Vamos aos spoilers? Bem, como são muitas edições, irei focar no contexto geral, sem entrar em muitos detalhes como habitual. O Estranho é um cara…. estranho. Por intermédio do Olho de Ogamotto, o bom Doutor enxerga o mundo mágico/espiritual ao redor de ‘nossa’ realidade. Isto o permite ajudar os incautos e proteger o mundo físico dos males daquela realidade. Por conta disto, acaba ajudando uma bibliotecária com uma estranha doença: de sua cabeça abriram-se bocas. Com a ajuda do bom Doutor, descobre-se que isso na verdade é uma espécie de doença e, para poder salvar a jovem, o próprio Stephen se contamina com as criaturas que conseguira expulsar da mulher chamada Zelma Stanton , mantendo-a a salvo. Em troca, a jovem se compromete a ajudar a organizar a biblioteca do Sancto Sanctorum.

O bicho começa a pegar quando Stephen nota que alguma de suas magias misteriosamente passam a falhar, sem uma explicação razoável. Além disso, muitas mais criaturas começam a surgir em ‘nossa’ realidade, mais do que o esperado. No caso em específico, uma espécie de sanguessuga mágica surge e, após uma dura batalha, Stephen decide ir para Fandazar Foo, um lugar entre as dimensões, rica em magia e onde os Magos Supremos vão para ter um descanso. Ao chegar ao local, tudo está destruído e encontra corpos carbonizados de magos assassinados.

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A partir deste ponto, entram em ação o Império Empirikull. Após tentar convocar todos os Magos Supremos das diversas realidades e não obter resposta, Strange decide reunir os magos da Terra para alertá-los do mal que está vindo. Ao buscar informações em um reino submarino, Estranho nota que toda a magia fora drenada daquela localidade e ele mesmo acaba sendo atacado por lobos mezzo robôs. Ao tentar alertar os demais magos, já era tarde: a Terra estava sob ataque.

Recomendação do Sorg

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E o tal Empirikull? Eles são na verdade liderados por um cidadão cujos pais foram mortos em nome de Shuma-Gorath quando era apenas uma criança. Revoltado, cresceu e usou toda a ciência conhecida para eliminar a Magia de todos os mundos, assassinando os Magos Supremos, em uma verdadeira Inquisição. Para isso, usou clones, animais e armas que de alguma forma ainda não explicada não sofrem influencia da magia e acabam com ela.

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Enfim, em um confronto do tal líder que acabara de invadir a Terra e fora direto para Sancto Sanctorum atrás do lugar mais místico do planeta, Strange concentra toda a magia do planeta em um poderoso golpe para derrotar o bendito vilão. Sem sucesso. E pior: agora esgotara toda a reserva mágica do planeta.

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Como todos os principais magos capturados, o vilão estava prestes a queimá-los quando Monarko, um dos poucos que restara livre, usa o que resta de magia em sua varinha para salvá-los. No processo, é capturado e queimado vivo.

A despeito dos acontecimentos, os heróis não conseguem voltar (e nem tem poder para isso) e decidem se reorganizar. Sob a liderança de Strange, varrem o mundo atrás de alguns poucos objetos místicos restantes para que tenham alguma chance contra o Empirikull. O Dr. apela, inclusive, para os restos mortais do Ancient One, o líder que treinara Stephen anos atrás.

Por fim, todas as pessoas com algum resquício de poder mágico vão para o Himalaia, local onde Wong conseguira levar Zelma após salva-la do Santo Sanctorum quando os clones do Empirikull invadiram. Estas pessoas não sabem muito bem do porque estar ali, mas tem a noção de que algo importante irá acontecer.

Em paralelo, o líder do mau manu decide investigar uma misteriosa sala de onde seus asseclas não conseguiam sair. Pelo relato durante as edições anteriores, esta sala seria para onde Strange deveria ser levado sempre que estivesse ferido ou com algum ‘mal’ em si. De fato, Wong já não o levara para aquele local desde sempre, usando os monges do Himalaia como se fossem um ‘backup’ espiritual, algo na linha de que os efeitos físicos das doenças, maldições e ferimentos recaíam sobre eles ao invés do Dr. Estranho, justificando, enfim, o porquê de sua recuperação rápida.

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Então, enquanto o Empirikull abre a cela e descobre a criatura que lá estava, Stephen e sua trupe parte para o Himalaia com o resto dos equipamentos místicos encontrados. Por lá, debanda a rapaziada, pois não quer mais ninguém morrendo (por sinal, não sabia desta história toda do ‘backup’).

A edição acaba com a trupe de Strange chegando com tudo no Santo Sanctorum e detonando alguns clones. O bom doutor invade a cela onde o Imperador Empirikull se degladia com o monstro preso lá dentro, terminando assim a edição…

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Como habitual, as análises a la Jack. O lápis ficou por conta do Chris Bachallo e….. não consigo gostar do traço do cabra. Até que, como lida com cenários fantásticos e criaturas estranhas, a coisa não fica de todo ruim, pois esta proposta até, vá lá, ‘casa’ com o seu estilo. Tem uma ou outra abordagem interessante, em especial, a sacada de usar o preto e branco para o mundo ‘real’ em contraposição ‘ao místico’, deixando mesmo a impressão que ‘vivem’ em uma mesma realidade, apesar de ‘nós’ não percebermos isso. Entretanto, as expressões são ruins, há algumas falhas nas proporções, as mulheres são idênticas (salvo roupas e cores de cabelo e pele)… tem momentos com muitas informações e confusos, além de carregar demais nas sombras em alguns quadros, não deixando a sensação de ‘escuridão’ pretendida. É muito por gosto mesmo, entretanto não curto.

Por outro lado, Jason Aaron bebe na própria fonte que foi sua passagem com o Deus do Trovão nos arcos Godkiller e Godbomb. Usa a motivação básica da revolta com deuses (seja pela incredulidade no Thor ou por sua maldade em Strange) para iniciar uma cruzada. Neste caso em específico, usa a tecnologia e a fé cega na ciência para acabar de vez com a magia. As analogias a Inquisição ‘as avessas’ são mais do que óbvias, em um paradoxo interessante: o extremo da ‘fé’ na tecnologia faz os ‘crentes’ tomarem atitudes detestáveis em relação aos demais.

Além disso, aproveitando-se do fato que o personagem título ser famoso, mas ter poucos fanboys chatos que conhecem detalhes do quinto quadro da oitava página da edição de 1835, Aaron tem liberdade para ter a personalidade que quiser para Strange. Como seu nome diz, Estranho é estranho para caramba, tem um ‘q’ de humor involuntário, além de se alimentar e viver das formas mais esquisitas possíveis. E, ainda sim, mostra o sacrifício que faz em prol da Terra, sempre tendo que pagar um ‘preço’ alto pela magia, mesmo sendo ter que se afastar cada vez mais da humanidade que decidiu proteger.

Enfim, um longo texto para chegar a seguinte conclusão: um caso típico de que o enredo supera a arte, fazendo você querer acompanhar apesar dos pesares. Acima da média atual. Só não é mais do que é por conta da arte, na minha Umilde opinião… e tenho dito!

Nota 8,5 de 10

E a enquete, ainda há tempo!

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