Leitura sem ódio no coração…

Salve, salve cambada de Enxutos e Enxutetes. Provocado pelo colega Super aqui do BdE, eis que saio do meu autoexílio para trazer as impressões sobre a continuação de Watchmen, sob os auspícios de Geoff Johns e Gary Frank: Doomsday Clock #1.

Resumão: Passados 7 anos após os eventos da série original, descobrimos que o Presidente Redford (provavelmente o ator, até mesmo pela semelhança física na vida real com Trump), após investigações, tornou público o plano de Adrian Veidt. Nestes anos, Veidt fora uma eminência parda no mundo, levando a um grau de desenvolvimento jamais visto anteriormente. Entretanto, com a verdade vindo à tona, Veidt se torna procurado como inimigo público responsabilizado pelo “massacre de Nova Iorque”. Tudo o que construíra pela paz mundial vira pó: a Guerra Nuclear volta a ser iminente, quando a Rússia invade a Polônia e os EUA decidem entrar na festa. O autoritarismo marcial entra em cena na Terra do Tio Sam, com suspensão, inclusive, dos diversos canais de mídia de notícias, surgindo apenas único canal oficial do governo.

Recomendação do Sorg

Neste contexto, somos apresentados a um novo “Roxaxá” (muito difícil escrever o nome certo!) que, em meio ao caos de uma eminente guerra nuclear a atingir NY, liberta dois presos especiais: Mimico (The Mimic) e Marionette. Sem muitas explicações, apenas que Roxaxá não é o mesmo (afinal agora é afro, sem revelar seu rosto), o trio vai ao esconderijo do Coruja.

Ao chegar lá o plano é revelado: Veidt convocara o novo Roxaxá para trazer de volta o Dr. Manhattan. O Homem mais Inteligente do Mundo, agora com câncer, admite seu erro e a necessidade de se trazer o “Deus” para retornar ao equilíbrio anterior. A HQ termina no Universo DC com o Superman / Clark Kent tendo um pesadelo com a morte suspeita de seus pais.

Comecemos a la Jack, por partes. Os rabiscos ficaram por conta de Gary Frank e cores com Brad Anderson. Como sou fã de Frank, a análise acaba sendo enviesada. Gostei do conjunto da obra, emulando um traço oitentista, especialmente nos tons de cores de Anderson, mas com a tecnologia do Séc. XXI. Agradável visualmente, rico em detalhes, a arte não faz feio. Acredito que até mesmo Moore, senão fosse um BdE (velho e ranzinza), teria curtido.

E vamos a Geoff Johns. Tirando a visão #pombasDCnãomexacomosclássicos, a premissa parte de um gancho que o próprio Moore deixou na obra original. Não fica explícito se foi o diário do Roxaxá original que desencadeou estes acontecimentos, mas é bem evidente e lógico (e é estranho, pois tudo hoje em dia precisa ser esfregado na cara do espectador). Ao respeitar a ideia original, apenas a desenvolvendo, Johns tenta cativar o leitor com um estilo narrativo “emulando” a obra original, incluindo informações “soltas” ao longo das páginas para que se tenha o contexto geral do que acontece naquele 1992 fictício. Obviamente, sem conseguir ter a mesma desenvoltura do Velho Barbudo em seu auge, Joões pode soar um tanto “exaustivo” com alguns textos mais longos. Não creio no sucesso com a molecada dos tempos atuais.

Voltando ao enredo. Não é de todo ruim e faz sentido dentro da sua própria realidade. O grande problema, novamente, é a referência icônica na qual se inspira. O grande impacto da obra original foi estar enquadrando o mundo de heróis na realidade e aquela “realidade” ser o cotidiano dos leitores da década de 80. Guerra Fria, Vietnã, etc. eram assuntos “frescos” e do momento. Apesar dos esforços de Johns de pincelar críticas aos momentos atuais, vide as referências à Trump com críticas indiretas (e até mesmo usar Redford pode ser irônico, afinal o ator é crítico ferrenho dos trumpistas), esta “realidade” está longe no tempo do que vivemos hoje, reduzindo o impacto que teria, por exemplo, se fosse lançada na década de 90. As referências passam a ser históricas, onde muito dos leitores nem haviam nascido, reduzindo e muito o impacto da leitura.

Sob outra ótica, tentando ser neutro no que tange a confluência dos mundos DC e Watchmen, a entrada do Superman na história ainda não está clara na forma que se dará, salvo aquilo que os leitores de Superman e Action Comics sabem sobre o Jor El estar vivo e, de alguma forma, isto estar relacionado ao Dr. Manhattan. Talvez aí seja o maior ponto fraco do arco que se desenvolverá, tendo em vista que o “mundo Watchmen” tem uma premissa até interessante, mas que, a princípio, poderia ficar contido lá mesmo.

Enfim, não há como avaliar uma obra de 12 edições somente pela primeira, o que pode gerar conclusões precipitadas para o bem ou para o mal. Analisando tecnicamente o que foi apresentado, foi uma boa introdução, respeitosa, dentro do possível, a uma das obras mais icônicas dos quadrinhos. Resta agora torcer para que as 11 seguintes não façam miséria e quebrem esta primeira impressão.

Nota 7

Comentários Facebook (O DISQUS ESTÁ ATR... LOGO ABAIXO)

Comentários Disqus

BDE1