Resenha atrasada. Problem?

We shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender!”

Em maio de 1940, aproximadamente 400 mil soldados aliados foram cercados por tropas alemãs nas praias de Dunkirk ao norte da França. Winston Churchill, Primeiro Ministro britânico, categorizou o ocorrido como um desastre militar colossal. O cenário era catastrófico e a previsão inicial era de resgatar apenas 45 mil soldados, porém, entre 26 de maio e 04 de junho, mais de 300 mil soldados foram salvos do cerco alemão contrariando a desgraça aparente do cenário e dando origem, setenta e sete anos depois, a Dunkirk, escrito e dirigido por Christopher Nolan.

Aula de história dada, logo de cara Dunkirk se destaca por ir completamente na contramão do estilo de Nolan. Não há um protagonista cativante e muito menos os extensos diálogos for dummies que a todo momento explicam o que está acontecendo na trama (oi Jonathan Nolan. Também estou falando de você e Westworld). A narrativa é quase toda visual (nada mais óbvio para um filme de / sobre guerra) e os poucos diálogos em cena são certeiros: extremamente precisos, concisos e afiados. Sobre um protagonista que carrega o fio da meada nos ombros, não há um específico. Mesmo contando com um elenco de peso (Mark Rylance, Cillian Murphy, Tom Hardy, James D’arcy e Kenneth Branagh) o ponto central de Dunkirk fica por conta da frenética história e transforma o excepcional elenco em uma sólida base para a trama.

Esq – Dir: Cillian Murphy, Barry Keoghan, Harry Styles, Kenneth Branagh, Fionn Whitehead, Emma Thomas (produtora), Christopher Nolan, Jack Lowden, Aneurin Barnard, Mark Rylance e James D’Arcy

Falando sobre a trama, ela se divide em três focos: Molhe, Mar e Ar. Passados em momentos cronológicos distintos, em algum ponto essas três histórias se encontram de maneira sutil e formam o quebra cabeça narrativo do filme. Em Molhe a atenção é voltada para Tommy (Fionn Whitehead), soldado britânico tentando de qualquer forma um lugar na desesperada evasão da praia francesa. Mar foca na pequena embarcação civil do Sr. Dawson (Mark Rylance) e seu filho Peter (Tom Glynn-Carney), convocados pela marinha para auxiliar a retirada das tropas encurraladas. E por fim, Ar nos mostra Farrier (Tom Hardy) um piloto de Spitfire provendo cobertura para os soldados em terra. Nos três focos a narrativa impressiona e os momentos de alívio são escassos mas há dois momentos de “tranquilidade” quase poética que são tão emocionantes que enchem os olhos de lágrimas.

Pontuando tudo isso, temos a trilha sonora de Hans Zimmer, parceiro de longa data de Nolan que mais uma vez apresenta um trabalho simplesmente incrível, marcante e bastante agressivo.

Dunkirk é um filmão. Simples assim. Muito bem dirigido, excelente atores, trilha sonora fantástica e um acerto na mira de Christopher Nolan que foi contra seu way of make movies e criou um novo clássico da Segunda Guerra que, ao contrário do que dizem os “especialistas de plantão”, ainda tem excelentes (e tristes) histórias a serem contadas.

Recomendação do Sorg

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