O BdE não vai acabar. Pelo menos por enquanto. Por culpa de vocês, seus lindos! E segue o Baile.

Resenha originalmente publicada no Tio Urudi.

Vencedor de renomados prêmios da ficção científica, entre eles o Hugo e o Nebula, Encontro com Rama, conta a história de uma terrível colisão de um meteorito contra o continente europeu. Após o acontecimento, líderes mundiais e cientistas reuniram esforços para evitar que catástrofes dessa natureza voltassem a acontecer. Quase cinquenta anos depois, a humanidade atônita acompanha a chegada de um novo astro ao Sistema Solar. De proporções inimagináveis, Rama espanta e ameaça, pois avança firmemente na direção de nosso Sol. Uma expedição é enviada para explorar os mistérios do que se imagina ser um colossal meteoro. Mas, num misto de surpresa e apreensão, Rama se revela uma sofisticada construção, repleta de enigmas que desafiam a mente e os conceitos humanos. Inestimável fonte de pesquisa para a ciência ou ameaça para a segurança da humanidade, Rama torna-se palco de uma das mais fascinantes jornadas de descobrimento da ficção científica; um espelho da genialidade de um dos autores mais criativos do século 20.

Quando o BdE iniciou sua parceira com a Editora Aleph, o primeiro livro recebido foi Sombra do Paraiso, escrito por David S. Goyer e Michael Cassut. O livro trata de um astro desconhecido rumando em direção a Terra e todo o esforço mundial para impedir que o mesmo colida com nosso planeta. É um livro bacana com alguns problemas mas no geral é uma leitura divertida.

E porque diabos estou falando dele e não do livro que me propus a resenhar? Porque, ao fim do romance de Arthur C. Clarke, percebemos que o que Goyer e Cassut elaboraram foi nada mais nada menos que um remake de Encontro Com Rama. Publicado originalmente em 1973, Rendezvous With Rama também trata de um astro se aproximando do nosso sol. Por conta disso, uma expedição é organizada e enviada ao monumental meteoro, exatamente da mesma forma copiada pela dupla supracitada.encontro-com-rama-arte-conceitual-3

Quando a viagem importa mais que o destino

O romance cópia de Cassut e Goyer, assim como todo remake, aparenta ser feito para a nova geração. O ritmo é intenso, a leitura é frenética e há grandes momentos de ação. Já a narrativa de Clarke é detalhada, intimista e bem lenta. O autor descreve com riqueza de detalhes todo o passo a passo da exploração do gigantesco astro mas tudo isso com a maestria de não soar enfadonho ou tedioso. Desculpa Tolkien.

Os personagens são irrelevantes, talvez com exceção do comandante da missão, William Norton, o único mais elaborado e desenvolvido. Os outros são meros coadjuvantes que possuem suas funções para o andamento da narrativa mas não têm muito destaque. O protagonista do livro e quem rouba a cena é Rama e suas inúmeras surpresas e mistérios. Talvez por isso, a leitura é bem linear, sem grandes reviravoltas. Há uma que chama a atenção mas me soou desnecessária e totalmente editorial. O final pode soar um tanto quanto desanimador e abstrato e talvez cause frustração em alguns leitores mas essa é a essência de Encontro com Rama: o destino não importa. Curta a viagem e esqueça para onde está indo.

encontro-com-rama-arte-conceitual-1A edição da Aleph é correta (e não, esse também não foi enviado para nós e sim honestamente surrupiado da biblioteca de meu pai). Não há extras mas o texto está muito bem revisado e só um pequeno erro me chamou a atenção.rama_2014_capa_frente_final

Encerrando, esse é o quarto livro do autor que tenho o prazer de ler (os outro foram 2001, 2010 e Fim da Infância. Puta livro FODA e um dos meus top três ficção científica de todos os tempos) e, sem sombra de dúvidas, Arthur C. Clarke é tipo como um dos grandes gênios da ficção literária com motivo. Recomendadíssimo.

Encontro Com Rama (Rendezvous With Rama), 2011, 1ª Reimpressão, Brochura, 288 páginas, R$42,90

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