E não foi dessa vez que a Warner / DC acertou no universo cinematográfico mas também não foi seu pior erro (né BvS?).

Chuchus, sem muita churumela, vamos direto ao assunto?

Nessa segunda feira em uma sessão com pouco mais de cinco pessoas eu fui assistir Esquadrão Suicida, sem muita expectativa e já me preparando para outra bomba tal qual Batman Vs Superman: A Origem da Justiça e qual foi minha surpresa em sair da sessão com um sentimento de OK, não é ruim mas tá longe de ser bom. Mas vamos aos fatos.

O principal problema do filme para esse que vós escreve é a completa falta de identidade do mesmo. No decorrer das duas horas e três minutos de exibição, o filme não se decide se quer ser um filme de super heróis da DC Comics, um filme de super heróis da Marvel Studios ou um filme de super heróis Deadpool style. Todos esses três estilos estão presentes na película porém de forma aleatória e confusa, deixando o filme com uma “cara” genérica e indefinida. E grande parte dessa bagunça de estilos é a edição do filme.suicide-squad44

Não é segredo para ninguém que o marketing promocional de Esquadrão Suicida mudou drasticamente depois do sucesso estrondoso de Deadpool. Saiu todo o clima sério e carrancudo e entrou algo mais pop, divertido, com músicas estilosas e visual colorido. E é meio óbvio que essa mudança de paradigmas não foi só no marketing. O filme tenta, de forma vergonhosa, ser descolado a todo momento, empurrando para o telespectador uma trilha sonora que, ainda que seja de ótimas músicas, chega a ficar irritante logo no início da exibição. Se lembram da trilha sonora maravilhosa de Hans Zimmer em The Dark Knight de Christopher Nolan? Aquela trilha incidental que aumenta o suspense, drama e ação de cada cena não existem aqui. Em ES temos mini vídeos clipes editados de forma contínua e truncada, tentando dar ao filme um estilo cool e maneiro. Mas não funciona.

Visualmente o filme ainda tem muito do maldito visual estilizado do visionário Zack Snyder com suas toneladas de filtros. O filme todo é escuro mesmo nas cenas durante o dia ao ar livre. O céu parece ter uma camada de sépia por cima, o dia é todo cinzento e nas cenas noturnas, ainda que não seja tão esdrúxulo quanto às cenas de BvS (que eu não vi praticamente nada), é muito escuro e difícil de acompanhar. Ou talvez eu precise de óculos novos.

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O roteiro também é bem mediano e peca bastante em clichês bem meia boca a começar com o próprio esquadrão. A todo o momento a narrativa esfrega na cara do espectador que eles são os piores dos piores dos piores. São maus que nem o pica pau, blz? Mas aí no andamento do filme você acaba percebendo que eles não são tããããão malvados assim. Sabem o vilão de bom coração, injustiçado pela sociedade, yadda yadda yadda? Porém o filme tenta frisar que eles são maus sim, mas o que vemos em cena não condiz com o slogan worst of the worst. Quando algum deles vai agir de forma que seja coerente com o que o filme te vende, tem sempre algo que corrige “essa falha” principalmente no papel do Pistoleiro (Deadshot) de Will Smith, protagonista de uma cena que quase me fez levantar e sair da sessão. A ameaça catalisadora do filme também é bem nhé. Magia (Enchantress) é uma vilã óbvia que deixa claro suas intenções no primeiro momento em cena e não traz surpresa alguma. Sua relação com Rick Flag (aliás, todo o romance entre eles) é patético e completamente desnecessário.

<3 <3 <3 <3

Os personagens per se são a parte boa. Ainda que a maioria seja má escrita e até irrelevante, o grupo funciona. Volto a dizer que o filme falha miseravelmente em fazê-los vilões maus como era de se esperar mas, em todo caso, vê-los em cena é até bacana e como era de se esperar, o destaque absoluto fica por conta de Margot Robbie. A Arlequina é tudo aquilo que qualquer pessoa que tenha assistido Batman: The Animated Series esperava, ainda que sem o visual clássico. Mas enquanto a lindíssima australiana rouba a cena, Jared Leto é um dos piores personagens da história do cinema. Esqueçam o visual desse Coringa, é o menor dos problemas do personagem que é simplesmente pavoroso. É vergonhoso vê-lo em tela com seus trejeitos bisonhos, a boca sempre aberta como se ele precisasse respirar por ela, uns ruídos estranhos, uns olhares que não passam nada além de bitch, just stop. Todas as cenas desse Coringa são muito ruins assim como os flashbacks que mostram a origem da Arlequina.

Jenti...
Jenti…

Rick Flag de Joel Kinnaman funciona bem ainda que a parte sentimental do personagem seja péssima. Magia (da lindinha Cara Delevingne) é uma vilã genérica, Bumerangue (Jai Courtney) e Killer Croc (Adewale Akinnuoye-Agbaje) só cumprem tabela (Bumerangue tem uma ótima cena que é estragada minutos depois), Katana (Karen Fukuhara) só serve para fazer pose e falar em japonês e Adam Beach (Slipknot) ganhou o dinheiro mais fácil da vida dele. Aparece em cena, fala uma frase, morre. Jay Hernandez (Diablo) tem um pouco mais de destaque que não faz muito sentido (um coadjuvante de quinta categoria tem mais relevância na trama que outros personagens mais interessantes) mas também é carregado de clichê completamente entediante. Ah, não me esqueci do Deadshot. É o Will Smith interpretando o Will Smith. E Amanda Waller da Viola Davis é foda. Junto com a Arlequina, são os dois melhores personagens do filme.

Os dois da direita são irrelevantes
Os três da direita são irrelevantes

Slipknot que vale

A trama é rasa (vilão overpower que quer matar TUTO), o filme é quase todo mal escrito e a edição é muito ruim (quando você acha que já acabou as cenas de origens, BUM, toma outro flashback na cara) mas o elenco é bom mas se perdem num roteiro meia boca. De modo geral tudo isso é uma pena porque era um filme com potencial enorme jogado ralo abaixo.

Elenco bom não salva filme, Daniel-San
Elenco bom não salva filme, Daniel-San

Nota 5 de 10

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