Enxutos, enquanto o King e o Gruut sangram pelos olhos lendo as porcarias que Marvel e DC lançam e resenham pra manter esse blog xexelento ativo, eu vos lhes trago mais uma resenha literária oferecida pelo nosso parceiro S2 Editora Aleph.

Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra. Ele passa seus dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo (e são). Mas os infectados espreitam pelas sombras, observando até o menor de seus movimentos, à espera de qualquer passo em falso… Eu sou a lenda, é considerado um dos maiores clássicos do horror e da ficção científica, tendo sido adaptado para o cinema três vezes.

Saindo um pouco do estilo ficção propriamente dito, a Aleph nos presenteou com Eu Sou A Lenda, um dos maiores clássico do horror literário e livro que influenciou grandes autores como Stephen King. Escrito por Richard Matheson em 1954 (e aqui vale uma súplica: Aleph, publiquem mais livros do autor), I Am Legend nos mostra a vida de Robert Neville, um prosaico americano, trabalhador e pai de família (QUE DELÍCIA, CARA) que vive sozinho e isolado em sua casa após o surto de uma praga que destruiu o mundo que conhecemos.richard-matheson

O mundo ficou louco, pensou

Os mortos andam por ai e eu acho isso normal

Narrado em terceira pessoa, Matheson nos mostra a rotina da vida do possível último homem do mundo. Mas, ao contrário do que a maioria das pessoas conhece pelo filme de 2007 com Will Smith, o Robert Neville literário passa longe de ser o bom e simpático moço da película de Francis Lawrence. Neville de Matheson é extremamente paranoico, violento e quase um alcoólatra. Vivendo sozinho e sendo atormentado toda noite pelos pesadelos que se tornaram os outros seres humanos, Neville aos poucos se transforma em um monstro, ou mesmo a lenda que dá nome ao livro. Há o contexto do cão (que no filme era um presente para a filha) mas ele se desenvolve completamente diferente do que é apresentado no live action e o desfecho dessa situação é tão arrasadora e deprimente que faz o leitor se sentir mal. E assim como no filme, Neville busca entender e até mesmo uma cura para o mal que enfermou a humanidade mas, ao contrário de sua contraparte cinematográfica, o protagonista o faz para não enlouquecer, ter um foco e trabalhar sua mente, ao contrário da veia altruísta e salvadora da humanidade de Will Smith.sou-a-lenda-feat

A narrativa do autor é truncada e não fluí muito bem mas não por culpa do mesmo e sim pelo tema proposta. A história chega a ser tão densa e angustiante que, não fosse pelo fato de Matheson ter um estilo de escrita que te faz não querer largar a leitura, o livro deveria ser lido de forma bem homeopática para que o leitor não se deprima tanto e tão rápido pelo texto. Da metade para o fim, há um plot twist sensacional e a narrativa toma um rumo que leva a um desfecho completamente inesperado e incrível, ainda que também muito triste.LENDA5

A edição da Aleph é simplesmente maravilhosa. As cores escolhidas para a capa e contra capa, o formato, a capa dura e as ilustrações internas deram ao livro uma cara de pulp que casou muito bem com o romance. Vale mais uma vez ressaltar que a tradução e revisão da editora melhoraram absurdamente e, nos últimos livros lidos, não há nada que mereça ser destacado em detrimento das publicações. De extra há o excelente texto Apocalipse vampiro: uma crítica biocultural de Eu sou a lenda por Mathias Clasen e uma entrevista com o autor concedida em 2007 para a Tor/Forge (Macmillan Publishers). Vale citar que a edição veio acompanhada de um marcador de livro (que são mimos bobos mas que agradam todo apaixonado por livros) e uma sacola que fez a alegria da dona esposa.

Eu Sou a Lenda (I Am Legend) de Richard Matheson. 2015, 14X21 cm, capa dura, 384 páginas, R$46,90

Comentários Facebook (O DISQUS ESTÁ ATR... LOGO ABAIXO)

Comentários Disqus

BDE1