Resenha Enxuta – Gideon Falls 01 ao 16

Resenha Enxuta – Gideon Falls 01 ao 16

Quando Twin Peaks encontra Fringe. Essa resenha tem spoiler, tá?

Chuchus, eu acho Jeff Lemire um cara bacana, bom, bem legal, coisa e tals. Dito isso eu sempre dou (ui) uma olhada nas coisas que ele lança e com Gideon Falls não foi diferente. Eu realmente tavO pensando em comprar os encadernados que a Editora Mino está lançando mais achei meio cara (50 taokeys por 160 páginas em média) aí recorri ao meio alternativo completamente legalizado e, em uma tarde de completo ócio laboral, li as 16 edições da série. Mas vamos por partes.

Gideon Falls é uma série de terror meio scifi meio calabresa escrita pelo Lemire e desenhada putaquepariumente pelo fodão Andrea Sorrentino publicado lá fora pela Image Comics. A história gira em torno do Celeiro Negro, um, errr, bem, celeiro todo preto que centraliza todo mistério e morte que permeia Gideon Falls, a cidade da série. Dito isso (parte dois a missão), a série nos apresenta duas linhas narrativas em paralelo: na zona rural acompanhamos o padre Quinn, transferido contra sua vontade para a cidade, a xerife Clara e seu pai, Dr. Sutton. Os dois vivem um relacionamento conturbado por conta do desaparecimento de Daniel, irmão e filho, respectivamente. Na área urbana, acompanhamos Norton Sinclair, um homem perturbado que coleciona pedaços de lixo para assim encontrar o tal celeiro sabe-se lá porque.

A série é meio complicada de se entender e Lemire nunca entrega nada de bandeja e, quando o faz, ainda assim é meio difícil de fazer algum sentido. Lido as 16 edições, dá pra sacar que o tal celeiro é uma espécie de máquina que abre portais por realidades paralelas criada por Norton Sinclair, não o Norton que coleciona lixo na zona urbana de Gideon Falls. Esse Norton é um recluso que herda uma fazenda na área rural e se isola de tudo e todos na década de 50. Não obstante, ele é acusado de uma série de assassinatos que ocorreram na época. Ainda não há explicação do porque ele cria a tal máquina mas, quando o faz, ele aparentemente é possuído por uma espécie de entidade que vive entre mundos (maravilhosamente desenhada na forma de uma barata).

Seguindo: as duas narrativas (do padre / xerife e a do Norton que na realidade é Daniel Sutton, o irmão / filho desaparecido da xerife Clara e do Dr. Sutton) são na realidade duas Gideon Falls de realidades distintas e quando Daniel passou de um mundo para outro (quando criança), ele perde a memória (o mesmo que acontece com o padre Quinn próximo do fim do terceiro arco). Quando o faz, Daniel meio que vira (foi o que eu entendi, me julguem) o portal de acesso da criatura barata para alguma realidade (lembrando que, aparentemente, essa criatura vive em uma espécie de limbo entre realidades).

Dito isso tudo (parte três, revista e ampliada) a trama segue por caminhos confusos e na maioria do tempo a sensação que se tem em ler Gideon Falls é venha comigo, não há tempo para explicações. Aliás, em uma determinada edição, a Dra Xu, psiquiatra de Daniel que acaba se envolvendo na conspiração do Celeiro manda exatamente um não há tempo para explicações. #PorraLemire. Voltando: tive a impressão que Lemire perdeu um pouco do objetivo conforme lia as edições e grande parte delas me soou como as famigeradas barrigas nas séries da Netflix: uma grande enrolação que perde completamente o propósito da trama. No primeiro arco (as seis primeiras edições) a coisa toda flui melhor, a trama aparenta ser um grande pastiche das melhores épocas de Arquivo X, Fringe, Twin Peaks, Millennium e por aí vai. Porém, do segundo arco em diante, o que me aparentou foi que Gideon Falls toma um escopo muito maior do que o próprio autor estava preparado para assumir. Nisso, tome edições psicodélicas viajandonas massavéio que acrescentam muito pouco ao contexto geral da trama. Ah, detalhe: a HQ vai virar série. Se for pela Netflix, toma 35 temporadas pra concluir um arco.

Fechando essa porcaria de texto: Gideon Falls é uma leitura rápida. Eu li as 16 edições em uma única tarde. Começa bem (muito bem por sinal) mas a partir do segundo arco a Netflix manda um Oh, Hi Jeff,  o autor embucha a HQ com barrigas tornando ela arrastada, patinando horrores sem sair do lugar. Mas ainda assim não te ofende e os desenhos do Sorrentino, Jesus Maria e a barata interespacial, que coisa maravilinda.

Mas eu não compraria os encadernados da Mino, a não ser que ache em algum encalhe por ai ou nas Book fuckers da Amazon por uns 10 taokeys.

Bjos me liguem.

Sorg

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