E depois de todo mundo, a la Rubinho…

Salve, salve, cambada de Enxutos e Enxutetes! Eis que, após quase um mês em exibição nas salas da Terra-Média Brasilis, finalmente este vosso escriba foi ao escurinho do cinema assistir ao tão esperado “retorno” do Cabeça de Teia à Casa das Ideias de jerico. Senão vejamos as nossas impressões, acerca de Homem-Aranha: De Volta ao Lar.

Sigam-me os bons… Uma das vantagens de escrever, após todo mundo, é não ter mais receio sobre os spoilers, afinal, caso ainda não tenha assistido a película, até este momento, não será informações vasadas que irão estragar (ou não) a sua experiência. Assim sendo, vou comentando por aqui sem esta preocupação, ok? Comecemos a análise pelo roteiro em si.

Recomendação do Sorg

Lado positivo: De fato e de direito, o herói Homem-Aranha jamais esteve tão bem representado como um falastrão, moleque de várzea e zoeiro como nos quadrinhos. Usando o Downey Stark, para fazer o elo que liga o mundo aracnídeo ao dos Vingadores, Jon Watts não reconta pela enésima vez a origem do personagem (o que não faz falta) e bebe na fonte do finado Universo Ultimate. Ousou de forma satisfatória, ao trazer o apoio do “japonês de Pequim”, como o amigo nerd, e brincou bastante com o conceito do “herói novato, que ainda aprende como deve se comportar, para chegar ao nível dos Vingadores“. O fato do uniforme tecnológico fez sentido dentro da história e não me incomodou. O ponto alto também foi a forma de se desenvolver o vilão Abutre, fato este que te faz cativar pelo “drama” vivido pelo personagem. Há de se louvar o Batman, mas deixemos para falar dos atores mais a frente.

Lado negativo: O background de Peter Parker/Homem-Aranha foi profundamente alterado, de forma a não conseguir identificar de forma clara as motivações do personagem. Sem o apelo do “erro”, resultante na morte do Tio Ben, Pedro Prado ficou superficial, sem uma “causa raiz” para usa atuação. Para um personagem qualquer, ser herói “porque sim” não seria um problema. Entretanto, para um dos mais famosos por seu bordão “Com grandes poderes…” ficou a sensação de que é o personagem por sua caracterização humorística e não é o personagem por não ter a parte dramática, que compõe a sua personalidade. Outro fato que me incomodou foi a mudança abrupta dos personagens de apoio na high school. Digo com todas as letras: a mudança de etnia não me incomodou. O que incomodou foi a total descaracterização do Flash e da “MJ” Michele, outrora conhecida como Mary Jane. Em nada lembram os personagens originais e seus papéis que compõem o histórico que forma a personalidade do personagem título. O bullying do Flash perde com a mudança de etnia, soando forçado e apenas uma “encheção de saco”, sem uma contribuição de fato para a formação do herói. A MJ é só mais uma menina descolada, uma adaptação “atualizada” da personalidade forte da outrora ruiva. Tia May, como adaptação da versão ultimate, está bem obrigado. Fica o mistério sobre o Tio Ben para as continuações que virão…

Sobre os atores, focarei apenas nos dois protagonistas. Tom Holland É o Peter Parker/Homem-Aranha que há anos esperávamos. Confortável e se divertindo no papel. Sem mais. Quem rouba as expectativas foi o Birdman. O Besouro Suco traz o impensável: o bucha do Abutre, auxiliado por uma vestimenta que impõe respeito, consegue ser um vilão relevante que causa empatia. O Bruce Wayne é mau que nem o Pica-Pau, mas ainda sim tem suas motivações críveis, atuando no limbo que os Vingadores não estão nem aí. Com boas falas e um plano razoavelmente crível, além de usar argumentos que deixam os fanboys do Tony Pinga sem palavras. De fato o Abutre é um vilão à altura de Loki e poderá ser uma das figurinhas fáceis, daqui por diante, nesta nova cronologia do Aranha. Em relação aos demais personagens, o gordinho amigo vale menção e a Tia May não compromete.

Conclusões? Não é um filme voltado aos fãs velhacos e rancorosos (Oooooh, conta uma novidade!), apesar de muito divertido e de não se sentir o horário passar, ao longo de suas mais de duas horas de duração. Temia o papel do Stark Jr, mas este tem um destaque dentro das medidas, sendo o fio condutor da história, sem ser O protagonista de todo o arco. As mudanças de uniforme e as adaptações, para entrar no “mundo dos Vingadores no cinema”, em geral, não me incomodaram. O maior problema, no meu ponto de vista, é perder um pouco o “core business” do personagem, na ânsia de atualização de sua personalidade ao mundo atual.

No fim, fico com a percepção do meu moleque de 10 anos, de fato o público alvo: “Me diverti, pai!”.

Nota: 7,5 de 10.

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