Enxutos, depois de terminar a passagem de Greg Rucka pelo personagem, a Panini investe agora seus encadernados na fase do Justiceiro escrito pelo desconhecido Nathan Edmondson. E aí, saporra presta?

Bão, antes do mimimi, uma breve sinopse.

Depois de anos tocando o terror na grande maçã (Nova York, porra), o punisheiro agora desfruta o sol e as belas mulheres da cidade dos anjos (Los Angeles, cazzo). Seguindo a trilha da misteriosa gangue Dos Soles, Frank Castle faz as malas e monta base na cidade ensolarada que se prepara para uma chuva de balas (modo narrador da sessão da tarde off).525c00a371dee

Mas, antes de mimimizarmos a história, vamos passar os zóios pela arte de Mitch Gerads e a mesma se apresenta um tanto quanto irregular apesar de pesar (opa) para o lado bom da força na balança. O traço de Gerads funciona relativamente bem. Suas cenas são bem dinâmicas e a narrativa é fluída, não deixando os personagens estáticos. Apesar de alguns erros bobos de continuidade, a arte funciona porém sem maiores destaques. Proporções corporais ok, cenário idem.Gerads 004

O que peca um pouco é quando ele desenha os coadjuvantes. Frank Castle é bem representado visualmente. O artista segue o modelo adotado pelos desenhistas que acompanharam Garth Ennis em sua passagem pelo selo Max do personagem, mostrando o Justiceiro como um homem mais velho, chegando ao fim da casa dos quarenta. Mas Gerards derrapa quando desenha o elenco de apoio. As expressões são confusas e alguns personagens aparentam ter o poder de mudar de rosto ao longo da história. Um coadjuvante feminino em questão eu só fui entender que era mulher ao segundo ou terceiro número do encadernado.the-punisher-2014-017-000

Mas, mesmo assim, a arte visual do encadernado não ofende e fluí até que bem. As cores casam com a proposta da narrativa, apresentando tons mais “áridos” durante as cenas diárias, com cores chapadas e sóbrias. O destaque fica para as capas do mesmo artista que são lindas.the-punisher-001-mitch-gerads-cover

Recomendação do Sorg

E a narrativa? Bom, Nathan Edmondson é um ilustre desconhecido que vem de títulos menores como bandoleiro (DC Comics), Popgun, Olympus e Who Is Jake Ellis? pela Image e Viúva Negra na Marvel e, logo de cara ele parte para uma personalidade do protagonista bem diferente do apresentando por Greg Rucka. Sai o Frank Castle lacônico e carrancudo e entra (ai) um Justiceiro mais bem humorado, que socializa e até sorri, quase de bem com a vida. E sim, isso fica bem estranho.tumblr_n8p0ceDlWw1rl14rno1_1280

Justiceiro nunca foi um dos meus personagens preferidos mas, durante toda a minha vida nerd, eu sempre acompanhei com um pouco mais de afinco suas aventuras. Presenciei ele se infiltrar na máfia, lutar ao lado do Capitão América, sair na porrada com super heróis, virar negão (sério), anjo (meu deus, apaga isso da minha mente), enfrentar traficantes, mafiosos, homens, mulheres, animais, o Russo e enfim (não, não li ele como Frankenstein). Mas ele sempre foi sisudo, sério, frio, calculista, mal humorado, irritado, objetivo e etc. Ver Frank Castle sentado em um café como um cara comum e sorrindo simplesmente não ornou. Soa tão estranho quanto você ver aquele parente ou amigo de longa data que nunca ingeriu uma gota sequer de álcool com uma lata de cerveja nas mãos.3818243-punisher_09_cover

À parte disso, a historia esse primeiro arco não foge do lugar comum: Frank investigando uma organização criminosa e se envolvendo com terceiros que tem algum interesse na porra toda. Como coadjuvante de luxo, tamos a IMA e o Electro.

No geral, é um encadernado morno / razoável. É uma leitura completamente casual e passa muito longe de ser algo memorável para o personagem. Mas, de forma geral não ofende e tem potencial para melhorar, nível Mike Carey que demora pelo menos uns seis números para engrenar suas séries.

Nota 6,5

Justiceiro – Preto e Branco compila as 6 edições da serie Punisher de 2014, 132 páginas, R$19,90

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