Banner Marvels

Uma análise um pouco diferente da habitual na Resenha Enxuta: Marvels ….

Pois bem, caros Enxutos, quando decide escrever sobre Marvels, fiquei com muitas dúvidas se valia a pena mesmo fazer algo ‘tradicional’ como habitualmente fazemos nas Resenhas. Como é uma história do século passado e recentemente recebeu uma republicação a preços acessíveis pela Salvat, deixarei um pouco de lado os spoilers e ficarei mais com as minhas impressões Resenha Enxuta: Marvels, hq escrita por Kurt Bursiek e desenhada/pintada por Alex Ross.

Para não dizer que não escrevi sobre o enredo, basicamente acompanhamos a vida do jornalista fotográfico Phil Sheldon desde a criação do Tocha Humana original até a morte da Gwen Stacy, em um período compreendido entre 1939 e 1974 (ou seja, antes dos ‘reboots’ ‘não admitidos’ da Casa das Ideias). Por sinal, Phil ‘escreve’ um livro reunindo suas fotos ao longo do período entre as edições 1 e 3, chamando-o de ‘Marvels’. Publicada em quatro edições em 1994, Marvels foi um sucesso tão grande que marcou definitivamente o nome de Bursiek e Ross no mercado, sendo que o segundo ainda conseguiu depois o que considero realmente a sua obra-prima: O Reino do Amanhã (por sinal, Phil Sheldon faz algumas ‘pontas’ na hq DCnauta). Mas voltando ao tema em questão, além da arte estupenda de Ross, a inovação de Marvels era mostrar a história da Marvel sob o ponto de vista de alguém comum. Assim, Phil seria ‘nós’ em um mundo de super-heróis, com informações limitadas, sem todo o conhecimento daquilo que estava acontecendo. ‘Apenas’ sofreria as consequencias das ações dos confrontos, além de presenciar mudanças de atitude ‘inexplicadas’, com vilões mudando de lado, o medo do desconhecido e a análise mais do que parcial da imprensa.

Phil Sheldon na juventude

A leitura em si é relativamente rápida, sem grande necessidade de conhecimento prévio do universo Marvel. No entanto, para aqueles que tem, ganha-se realmente um ponto de vista diferente do conhecido. E este realmente é o ponto alto do enredo. Ao apresentar esta forma diferente do habitual, o leitor é obrigado a reconhecer que nem sempre as atitudes heroicas realmente o parecem em um mundo real, com informações parciais. Com isso, gera a curiosidade naqueles que não leram as histórias originais em saber mais detalhes de como foi, dado as lacunas de informações existentes (propositais, é claro).

O Destemido Líder e seu grupo
Recomendação do Sorg

Por outro lado, fiquei na época com certa frustração por saber de antemão que as ações de Phil no último ato não trariam resultado, afinal ele não conseguiria limpar a barra do Aranha, ainda mais com a ajuda da Gwen Stacy. Nada que atrapalhe a história, mas não poderia deixar passar esta impressão. Apesar disto, este quarto livro é um dos melhores, talvez por ser fã do Aranha…

MARVELS4_SpiderMan

Antes de mencionar a parte que achei mais polêmica, ainda mais à luz da atualidade da Marvel, preciso dedicar algumas linhas ao trabalho de Alex Ross. As figuras são estupendas, sem dúvidas. Nos anexos da Salvat e em vasto material na internet, Ross explica seu processo de utilizar fotos de modelos vivos para ‘encarnar’ os personagens. E este é o seu grande mérito E demérito. Como mérito, o jogo de sombras e a forma de aplicação das cores, junto com seu traço, tornam os desenhos extremamente realistas. É o ponto alto da história, sem dúvidas. E justamente por ser extremamente uma FOTO realista é que a coisa não flui bem, literalmente falando. Parece mesmo um álbum de fotos, faltando um pouco de fluidez nas cenas, parecendo que a hq um tanto ‘parada’. Junta-se a um enredo que privilegia a investigação de um repórter fotográfico e pronto, realmente é bem mais ‘estático’ que uma hq habitual. Apesar disto, vale muito uma conferida, mesmo achando que na última das edições, Ross parecia já um pouco ‘cansado’ e ser a mais fraca em desenhos.

Parta fechar a resenha, Marvels mostra também uma das grandes falhas da Marvel: não conseguir unir de forma satisfatória os mutantes ao resto do seu universo. Explico: o segundo livro, ambientado já na década de 60, é dedicado aos mutunas. Com dois supergrupos já estabelecidos anteriormente (Vingadores e Quarteto), surge a questão mutante e em nenhum momento há alguma indicação sobre como estes heróis lidam com Ciclope e companhia. São apresentados como aberrações, uma ameaça a humanidade, e em nenhum momento Reed ou Capitão se apresentam para algum esclarecimento ou ação. Os X-Men ficam lançados a própria sorte, destacados. Logicamente que não é uma crítica ao enredo, mas sim a própria Marvel dado que até hoje, apesar da iniciativa com os Fabulosos Vingadores (equipe mista com Vingadores e mutantes), jamais conseguiu unir a contento estes universos, parecendo mesmo ser algo distinto, com poucas interseções. E com um detalhe a mais: com a ‘Inumanização’  (veja detalhes aqui) há uma tendência a isolar ainda mais os mutantes, pois tudo gira em torno dos Inumanos.

Enfim, uma boa hq. Não é excepcional como prometia, mas apresenta um enredo ok e uma arte acima da média, caso não seja exigente em relação ao movimento. Vale uma leitura e os 30 mangos na edição da Salvat..

Nota 8,0

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