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Um prequel de uma obra clássica? Xiii…

Olá, caros camaradas da Mãe Rússia, a Resenha Enxuta de hoje é sobre a HQ O Cavaleiro das Trevas: A Última Cruzada, escrito por Frank Miller e Brian Azzarello, sendo que a arte fica por conta do John Romita Jr., Peter Steigerwald (arte final) e Dean White (cores).

1.1
Capa oficial por John Romita Jr

“Mas Luc, não é você quem detesta o Cavaleiro das Trevas original?”

Sim, eu acho a HQ bem nhé, mas sabe como é, tenho que preencher a minha cota de posts, então vamos logo pra resenha, lembrando que o post está cheio de spoilers:

A trama se inicia no Asilo Arkham, onde o Coringa está sendo preso pela enésima vez. Todo machucado e sangrando, o palhaço do crime começa a provocar os guardas e os prisioneiros do lugar, esses das quais começam a gritar em conjunto, como se fosse a porra de um coral muito louco. A página seguinte mostra os apresentadores Candy Forgythe e Len Wright, do Bom dia Gotham comentando sobre a captura do Coringa pelo Robin e Batman.

Recomendação do Sorg

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 Sim, você não leu errado, o Robin (o Jason Rodd, para ser mais exato) foi o grande responsável por prender o vilão, mas segundo Len, tal façanha pode ter um enorme preço: A adolescência e inocência do jovem herói. Em uma determinada sequencia de closes no rosto do Menino Prodígio, os jornalistas insinuam os tipos de abusos Robin deve sofrer. Enquanto isso na mansão Wayne, Bruce acorda todo acabado, e para piorar a situação do tiozão, Jason o chama para treinar, sendo que o “grande herói” precisou da ajuda do bom e velho Alfred para ir ao banheiro e dar aquela mijada de sangue marota. Enquanto Bruce se entope de remédios no banheiro, Alfred manda um feliz aniversário para o patrão, mas como todos nós sabemos que o Wayne é um cuzão afobado, em vez de agradecer, ele pede ao mordomo procurar no computador novidades sobre a gangue do Coringa, e como de costume, Alfred o encara com aquela cara de preocupado de sempre.

Já desperto e preparado, Bruce começa o treino com Jason, e durante o combate, o enrustido favorito da comunidade nerd começa a pensar que apesar da arrogância, o seu aprendiz daqui a pouco pode se tornar o mestre, até que Alfred volta a dar as caras para informar que um grande amigo de Bruce foi encontrado morto no porto de Gotham.  A vítima em si Winston Edgewater, um notório filantropo.

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Depois de mais uma página simulado um programa de TV sobre o caso em si, Bruce chega ao local para consolar a viúva, que estranhamente está mais preocupada com as dívidas que o marido deixou do que o suposto suicido de seu companheiro, fato que deixou Wayne meio confuso, pois o defunto era um dos homens mais ricos de Gotham.

Segue o baile: Bruce, agora vestido de Batman e acompanhado pelo Robin,  graças á ajuda do Alfred, encontram a gangue do Coringa assaltando uma farmácia, gerando assim uma boa sequencia de tiroteio/porrada/tapa na cara/chute no saco  que só o Romitinha sabe fazer (sim, isso foi um elogio).  Durante a luta o herói se queixa de dores na coluna, que a idade enfim está batendo na porta e como o Jason está violento com os bandidos, até que os marginais entram em um furgão e saem em disparada, resultando em uma cena de perseguição de carro bem legal, fora que o design da moto do Batman e a do Robin estão de encher os olhos. Será que o JR Jr voltou a desenhar bem? Continue lendo que você ira descobrir.

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No meio na perseguição o furgão explode, graças a uma mini bat-bomba, obrigando Bruce a parar e ver o estrago que fez. Todos os bandidos estão desacordados, mas sem nenhum ferimento grave, menos um dos motoristas, que antes mesmo de sair do automóvel e atirar na dupla dinâmica, tem a cabeça amassada por Jason, que além de chegar na maior ignorância, se diverte com a morte do bandido.  Voltando ao Arkham, Coringa começa a contar uma piada sobre um menino que nasceu com o pescoço quebrado, e por isso via o mundo de um ângulo diferente, chamando a atenção de todos os internos do local, que querem saber o final da piada, coisa que o Coringa se nega a contar.

Na manha seguinte, na cama da Selina Kyle, Bruce conta a sua amante/peguete/amiga colorida que mesmo estando velho demais para continuar com a vida de herói, não consegue parar de lutar, coisa que a Mulher Gato fez a um bom tempo. Diferente da HQ original, Selina não virou uma cafetina, apenas se aposentou e se tornou viciada em remédios. As cenas seguintes mostram um grupo de mães na TV que querem a prisão do Batman, pois ele não tem autoridade para combater o crime e muito menos espancar os seus filhos.

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(Caralho, o post está ficando gigante)

A cena agora é na ponte de Gotham, onde Tavis Farley, um especialista em arte e ricaço da vida, ameaça a matar a esposa. O plano do ricaço vai por água abaixo devido à chegada do Cavaleiro das Trevas e o garoto de escamas verdes, sendo que Robin quase amputa a mão de Tavis na hora de resgatar a esposa dele. As frases desconexas ditas pelo especialista em arte (“Preciso que prova-la que a amo!”) deixam Batman com a pulga atrás da orelha, até que ele descobre uma ligação nos atos estranhos cometidos pelos homens mais poderosos de Gotham. O ponto em comum? A Hera Venenosa.Além disso, as ações cada vez mais brutais de Robin criam um ar pesado na bat-caverna, fazendo Alfred ter uma conversa séria com o seu patrão. Antes de mostrar a dupla indo prender a Hera Venenosa, a HQ mostra mais uma cena do Coringa manipulando seus colegas do Arkham, em particular um cara que comeu os próprios dedos a pedido do palhaço do crime.

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Voltando ao caso da Hera, os heróis chegam ao local onde supostamente a vilã está; Batman ordena ao Robin a ficar no bat-movel enquanto ele investiga o local do crime. Ao chegar à fábrica abandona, o Cavaleiro das Trevas encontra o Crocodilo conversando com um jovem herdeiro de uma fabrica têxtil; A conversa gira em torno da Hera Venenosa, que seduziu o jovem milionário, igual a todos os homens ricos de Gotham no melhor estilo “Quem da mais pelo meu amor?”, até que o Crocodilo começa a espancar o herdeiro da fábrica na maior ignorância. Ao ver o estado do guri, Batman é apanhado de surpresa pelo Crocodilo, esse da qual o espanca até que a policia e o Robin aparecerem. Com a fuga do vilão, Batman volta para o apartamento de Selina, em busca de conforto e um pouco de sacanagem, sendo que o papo de desistir da vida de vigilante volta á tona.

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O caso dos ricos seduzidos pela Hera vira noticia na televisão, fazendo Bruce sair da casa da Selina e dar um fim a essa história.  Em contra partida, Coringa começa uma rebelião no Arkham com o objetivo de escapar do local. Acho que é preciso dizer que o plano deu certo, né?  Voltando para o confronto com a Hera, Batman e Robin dão um ultimato na vilã, essa que responde com uma ordem aos bilionários para matar os heróis. Durante o quebra pau, o Crocodilo volta a dar as caras, espancando novamente o homem morcego. Enquanto Robin luta contra os amigos do Donald Trump, Batman consegue virar o jogo e detona o Crocodilo com um pedaço de pau (ui).  Quando tudo estava dando certo, Hera ameaça matar o parceiro do herói encapuzado, fazendo o Batman ficar puto e dar um belo mata leão na ruiva verde.

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Ao voltar para a bat-caverna, Bruce acaba sendo todo enfaixado por Alfred, mas Robin ainda está no pique e fala que vai atrás do Coringa. Os dois heróis acabam tendo uma DR feia, e a HQ acaba com Jason indo atrás do palhaço, para logo em seguida ser brutalmente morto pelos capangas do vilão.  E sim, a HQ termina sem mais e sem menos, com um baita corte seco brochante.

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Enfim, vamos para as análises:

Para a felicidade de todos, John Romita Jr arregaçou nas 60 páginas da HQ, e quando eu digo que ele arregaçou, quero dizer que a arte lembra os bons tempos dele no Demolidor. Claro, nem tudo está perfeito, vide algumas expressões faciais, mas comparado aos seus últimos trabalhos, a diferença é gritante. Não sei se a culpa é do Peter Steigerwald e a sua arte final, mas os desenhos em si valem a HQ por si só. Destaque para as cores do Dean White, que dão mais vida a arte do Romitinha e Steigerwald.

Já os roteiros, bem devo dizer que fiquei duplamente decepcionado. A primeira coisa que me decepcionou foi o fato de eu ter gostado da história, que suspeito que teve mais mão do Azzarello do que o Miller, vide a postura mais heroica e clássica do Batman. Ou seja, estou traindo o movimento hater do Batman.  Vai ver que devido eu ter lifo sem esperar nada, acabei me surpreendendo, mas o fato é que gostei bem mais do prequel do que a história clássica, e sim, podem me xingar por causa disso.  Já a segunda coisa que me decepcionou foi o final repentino. Diferente de muitas histórias, essa HQ não teve um final corrido, mas o final da à impressão de corte seco, fator que tira quase metade da graça do quadrinho.

Minha nota?  Se não fosse pelo final, eu daria 8 revoluções comunistas, mas devido ao fim repentino, a nota fica 6 revoluções comunistas.

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