O que começou como um conto de poucas páginas acabou ganhando vida própria e se tornando mais uma das belas obras do nosso querido Neil Gaiman.

2Neil Gaiman já deixou bem claro em mais de uma entrevista a respeito do romance que “O Oceano no Fim do Caminho” – assim como aconteceu com Coraline – fugiu de seu controle completamente. Originalmente seria apenas um conto de poucas páginas dedicado à sua esposa, Amanda Palmer, que na época estava longe de casa, viajando.

Você consegue se lembrar das coisas que aconteceram com você quando tinha sete anos de idade? Quando tudo era mais simples, livre de preocupações e rotinas que a vida adulta impõe? Lembra-se daquelas tardes brincando de bonequinhos, carrinhos de metal ou mesmo lendo toneladas de gibis e livros? Quando tudo não passava de uma grande aventura cheia de descobertas.

“O Oceano no Fim do Caminho” nos transporta exatamente para esse momento em nossas vidas. Contado do inicio ao fim em primeira pessoa.

Tudo começa com o retorno de um homem de meia idade para a cidade onde ele passou a sua infância – o motivo do retorno é um enterro, o livro não deixa claro quem é, mas por vezes dá a entender que é um dos seus pais – conforme chega e na sua antiga vizinhança ele se lembra de uma pequena menina que conheceu aos sete anos, Lettie Hempstock, junto com a lembrança da menina (que dizia que o lago atrás de sua casa era um oceano) voltam às lembranças de coisas que lhe aconteceram aos sete anos.

O romance começa lento, no inicio eu não sabia muito bem se Gaiman colocaria elementos sobrenaturais e/ou mágicos em sua história já que até um bom pedaço do livro tudo parece muito verossímil, sem traços de magia e acontecimentos fora do comum.

Foi aí que o livro me fisgou de vez; conforme as memórias do homem voltam – ele inclusive não tem nome, o que só aumenta as chances de você se colocar no lugar do personagem – você começa a se perguntar se aquelas coisas que ele relata realmente aconteceram, ou se fizeram parte da imaginação fértil de uma criança de sete anos.

No fim das contas você tem certeza de que tudo aquilo aconteceu.

Gaiman consegue contar uma história que à primeira vista parece boba e até fraca; mas conforme você vai entrando nesse oceano e pegando carinho por alguns personagens e asco por outros, já é tarde demais e você já se “afogou”.

Emocione-se, gargalhe e tenha ótimos momentos com “Oceano no Fim do Caminho”, uma história de ouro que acabou ficando meio esquecida por muitos.

Nota 9 de 10.

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