Sim enxutos, nem só de ficção vive nossos parceiros da Editora Aleph. Bora conferir a primeira incursão deles no gênero capa e espada?

Pois bem, O Trono de Diamante (livro um da Trilogia Elenium) se passa no fantástico mundo de Eosia. Lá, uma grave crise política assola um de seus reinos: Elenia. O fato é que a herdeira do trono, Ehlana, sofre da mesma enfermidade que finou seu pai, o rei Aldreas. Para salvar sua vida, ela é envolta em uma barreira de diamante criada por Sephrenia, uma feiticeira e dozes cavaleiros leais ao trono. Porém, tal enfermidade é arquitetada pelo primado (uma espécie de cardeal) Annias como parte de uma conspiração para o levar ao Arquiprelado, o Papado de Eosia. Porém, os planos de Annias são frustrados com a volta do exílio de Sparhawk, cavaleiro da Ordem Pandion e campeão do trono de Elenia. Sparhawk e sua turminha do barulho partem em uma viagem cheia de confusão e azaração para desvendar a conspiração de Annias e descobrir uma cura para sua amada Ehlana.

Após dez anos de exílio, Sir Sparhawk, cavaleiro da Ordem Pandion, retorna a Elenia e encontra sua terra natal imersa em sombras. O inescrupuloso Annias, primado da Igreja e membro do Conselho Real, manipula o débil príncipe regente para governar de fato, visando seus próprios interesses. A legítima soberana, Ehlana, acometida por uma estranha doença, jaz adormecida em seu trono, protegida por uma barreira de cristal. Graças a um poderoso feitiço, seu coração ainda pulsa, mas ela não resistirá a menos que uma cura seja encontrada antes que transcorra um ano. Sparhawk parte, então, em uma busca obstinada para salvar sua rainha e seu reino, travando uma luta incessante contra o tempo, as autoridades vigentes e toda sorte de perigos – reais e sobrenaturais. Nessa jornada de luz e sombras, ele contará com a ajuda de seus irmãos de armas, de seu escudeiro fiel, de uma feiticeira, de um jovem ladrão e de uma misteriosa menininha, cujas origens são desconhecidas.

Quem acompanha o BdE há algum tempo sabe que sou entusiasta do gênero capa e espada e tenho o velho professor Tolkien como um de meus autores favoritos (sim, eu sei. Todo torcedor do América é maluco). Dito isso, fui com entusiasmo conferir o primeiro livro da trilogia do finado David Eddings e ela começa relativamente bem. Eddings usa e abusa de criaturas fantásticas em seu mundo, não se privando de colocar até deuses que interagem com o povo comum em Eosia. Isso tudo é apresentado com um prólogo que, apesar de meio apressado, é deveras interessante. Há uma ótima contextualização sobre o background do continente que, penso, renderia ótimos contos.iK7oDkh

Quando a narrativa começa de fato, o que temos são outros quinhentos. A começar pela forma descritiva dos diálogos do autor, que são extremamente maçantes:

– Que passa? – Sparhawk perguntou

– Não é da sua conta – Kalten replicou

Recomendação do Sorg

– Não seja rude – Vanion interveio

– Não se intrometa – Kalten triplicou

– Crianças, parem! – Sephrenia irritou-se

Esse recurso é usado por Eddings durante todo o livro e acaba se tornando extremamente irritante. Falando sobre a narrativa per se, a facilidade com que os protagonistas resolvem os problemas em seu percurso é incômoda. Não há problema de fato durante a aventura de Sparhawk e seus companheiros e, quando algo acontece, é resolvido em um parágrafo.

Oh meu Deus, nós estamos cercados por bandoleiros!!! E então Sparhawk e Kalten sacaram suas espadas e após luta feroz, metade dos atacantes estava morta e a outra metade fugiu desordenadamente.

Precisamos de um barco para sair da cidade sem sermos vistos.

– Ora, acontece que sou dono de uma das docas e ela fica em um ponto do porto não muito patrulhado. Além disso, tenho três navios e posso ordená-los que partam ao mesmo tempo para confundir seus perseguidores.

Pronto, só isso. Tudo é resolvido com uma facilidade gritante. Não há um plot twist na trama e muito menos uma situação de real perigo para os protagonistas que faça o leitor temer por suas vidas. E já que estou falando dos protagonistas, TODOS os personagens de O Trono de Diamante são extremamente clichês e estereotipados. T-O-D-O-S. Eu simplesmente não me apeguei a ninguém e, caso ocorresse uma reviravolta na história e metade morresse, tava tranquilo. Sparhawk é o intempestivo, irritado e bom de briga cavaleiro da rainha que tem bom coração e motivos nobres. Annias é o cardeal sujo e ambicioso que usa de subterfúgios para conseguir o poder. Lycheas é o bastardo tapado do rei que é apenas um joguete nas mãos de Annias. Vanion é o íntegro líder da Ordem Pandion, Kalten é o companheiro bonachão que adora uma boa pancadaria, etc e tal, Sephrenia é a feiticeira misteriosa da raça Styricum que também são misteriosos… Enfim, é um amontoado de clichês, inclusive os coadjuvantes. O único que se salva porém tem breve participação é o Pandion renegado Martel. E, para ajudar na antipatia, os personagens se perdem em diálogos bobos, quase infantis, que arrastam a leitura e a torna modorrenta. Sabem nossos podcast, onde temos uma facilidade enorme de desviar do assunto por qualquer motivo? Os personagens de O Trono de Diamante sofrem do mesmo mal mas acabam indo para linhas de diálogos extremamente desinteressantes.

Jogando a favor de Eddings, apesar desses pontos negativos, a sua narrativa é muito bem fluída e a leitura acaba passando rápido, o que é um alento. O autor também traça um paralelo das religiões contemporâneas como o catolicismo e os xiitas do oriente médio com as de Eosia. Isso ajudou a criar um mundo fantástico mais atrativo e palatável ao leitor. Um ponto que chama a atenção na leitura e é muito interessante de fato é o contexto do Imperador Otha e as tribos de Zemoch e Lamorkand. É uma pena que esses personagens sejam citados de forma superficial e não influem diretamente nesse primeiro livro.url

Já sobre a edição da Aleph, valeu a penater puxado a orelha deles em relação a revisão. Com exceção de um ou outro errinho bobo, as publicações da editora melhoraram 500% nesse ponto. Já a capa do livro segue o ótimo padrão que a editora vem apresentado. Uma pena que o conteúdo não faz jus à mesma.

No geral? Me desagradou. Em raros momentos a narrativa de David Eddings me cativou e isso se soma ao elenco de personagens sem carisma e completamente desinteressantes.

E que venha o volume 2. Só que não…

O Trono de Diamante (The Diamond Throne) de David Eddings, 2015, 1º edição, brochura, 16x23cm, 408 páginas, R$49,90

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