Afinal é panela velha que faz comida boa…

Salve, salve caros Enxutos e Enxutetes. Como um velho ranzinza e chato, é claro que posso dizer com certa segurança que o Wolverine de outrora era um personagem mais interessante do que o ‘finado’ Deusverine que a grande maioria adora odiar nos dias de hoje. Há alguns anos não vinha mais acompanhando o velho Carcaju, nem tanto por ele ter se tornado o Batman da Marvel, mas pelo fato de que o personagem acabou fugindo um pouco daquilo que o fazia diferente e interessante. Enfim, com a chegada do Jeff Lemire a esta mensal, fiquei curioso como seria o tratamento dado pelo autor ao Old Man Logan…

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Como são 7 edições, não irei ao detalhe de cada uma, passando ao largo o contexto geral da história. Sempre narrando em primeira pessoa, o Velho Logan não sabe muito bem os porquês e comos, mas acaba acordando nu em uma Nova Iorque diferente da ‘sua’ Wasteland. Inicialmente confuso, pensando ser um truque de algum vilão, o velhaco Logan começa a entender onde está e recupera as memórias de sua vida. Para apresentar este futuro distópico aos novatos que curtem leite de soja e não consomem gorduras trans, Lemire faz uso de flashbacks recontando brevemente o ‘passado’ do futuro. Relembramos a vitória dos vilões, as morte dos heróis, o Banner traíra, Wolverine matando os antigos aliados… tudo de forma satisfatória e sem sair do contexto do arco principal.

Pois bem, Logan então assume que está de volta ao passado e decide que fará de tudo para evitar o futuro de Wasteland. Faz uma lista dos principais agentes que mudaram o mundo (Mysterio e Banner), além de um vilão de quinta que havia humilhado o Velho Logan na frente de seu filho Scotty, e vai ao encalço deles para mata-los.

Old man 1

Recomendação do Sorg

O primeiro foi muito fácil, no entanto a coisa começa a degringolar quando tem que enfrentar o Hulk. Nem tanto pela derrota possível, mas pelo fato de que o Hulk ‘hoje’ ser o Amadeus Cho e não o Banner. Logan desconfia de que há algo de errado após um breve entrevero com o Verdão e busca apoio no seu velho aliado Hawkeye. Ao ir para o apartamento de Clint, encontra A Hawkeye e não O. Há um breve entrevero, mas a jovem decide ajuda-lo, convencida realmente de que este é o Logan vindo do futuro. Com informações oriundas da SHIELD, a dupla vai ao encalço de Mysterio em seu último suposto esconderijo. Chegando lá, a pista estava fria e quando o Carcaju faz o melhor que sabe fazer, a Hawkeye percebe que as coisas estão indo além do limite do razoável.

Rola um quebra-pau básico, cujo resultado é a aparição do Capitão Hydra (ainda velhaco, antes de ser ‘duas caras’). Novamente rola aquela desconfiança. Um novo quebra-pau depois, Steve Schmidt leva Logan ao santuário que Forge fizera para que o Wolverine ‘morto’ pudesse descansar em paz. Finalmente a ficha cai: esta realidade ou linha temporal não é a mesma do Velho Logan.

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Encontrado pelos X-Men após vagar por um tempo, Logan acaba conhecendo o novo refúgio dos mutunas no Limbo. Por fim, apesar das solicitações de Tempestade e dos demais, o Pinto não Sobe Mais decide resolver uma questão sozinho. Algo pessoal. Como ‘nos bons tempos’, monta na sua motoca e vai para os confins do Alasca, um lugar que somente tem acesso por terra durante 3 meses no ano. Lá descobrimos o motivo: sua ‘futura’ esposa, Maureen, é daquela localidade. Só que ela ainda é uma criança e o Velho Logan decide que não poderia deixar nada acontecer com a menina, evitando seu sofrimento futuro, além, é claro, de ser uma maneira de se redimir por sua morte.

De fato causa mais problemas do que soluções. Os Carniceiros, liderados pela Lady Letal, descobrem que o Wolverine voltou a vida e decide fazer uma visitinha. Algumas mortes e momentos de heroísmo depois, o Velho Logan salva a cidade. O velhaco agora sabe o que precisa fazer. Ele levará o ‘caos as nimigas fura olho’…

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Comecemos, a la Jack, pelas artes. O rabisco de Andrea Sorrentino possui um traço sujo e brinca com as cores de Marcelo Maiolo, casando perfeitamente com a proposta do enredo. Saindo do mais do mesmo habitual das mainstream, é um colírio para olhos cansados de falta de variedade. Não chega ser ousado ou a última paçoca da prateleira, mas funciona muito bem, obrigado.

Sobre o enredo de Jeff Lemire, o que posso escrever? A despeito da salada temporal ou quaisquer justificativa esdrúxula para a volta no tempo ou para explicar do porquê usar outro Wolverine e não o original ou… sei lá o que… enfim, é uma baita história sobre o bom e velho Logan (sem trocadilhos). Visceral em alguns momentos, remete (e muito) ao período em Madripoor quando o personagem era simplesmente o melhor no que faz e não um Deusverine. Velho, cansado e amargurado por tudo que passou na vida, o conceito do personagem convence. É uma volta ao cerne do personagem, retornando a um aspecto mais ‘realista’ e violento de sua personalidade. Como fã do personagem, não posso negar Lemire acertou mais uma. Longa vida ao Velho Logan!

Nota 8,0 de 10

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